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maio 2005 Archives

maio 3, 2005

Quando aprendi sobre Carbono 14

Dia desses morreu Lúcia Machado de Almeida.

Não diga "quem?", você sabe quem é - isso se tiver mais de 25. Se sim, leu ou ouviu falar de suas histórias lançadas pela Ática pelo selo Vaga Lume (e não me venha com Balão Mágico ou Comandos em Ação: isso sim é que é anos 80). Meu favorito dela é e sempre será Spharion (depois digo o porquê), mas o que todos lembram é O Escaravelho do Diabo. Até a chamada da Ilustrada de ontem era assim: "Morreu escritora de O Escaravelho do Diabo". É o tipo de situação que rola com o Marcos Rey até hoje: escreveu dezenas de livros, mas o povo só se lembra quem é quando se diz que é "o cara do Mistério do Cinco Estrelas". Claro, todo mundo leu esse na quinta série. Ou pelo menos deveria.

Ter um pai que trabalhava em editora colaborou com a formação de meu hábito de leitura constante durante a infância (era praticamente um livro novo para ler a cada semana, o paraíso). Ignorei Poe, Verne, Monteiro Lobato e outros clássicos indispensáveis (e as lacunas perduram até hoje). Em compensação, devorei Marcos Rey, Fernando Sabino, Maria José Dupré, Luis Puntel, Luis Fernando Veríssimo, Aristides Fraga Lima, Carlos Eduardo Novaes, Lúcia Machado de Almeida e tantos outros que a Ática quis lançar entre os anos 70 e 80. Tudo por minha conta, antes de dormir, usando a luz amarela do abajur fraquinho (a culpada pela miopia?). Tinha sete, oito anos. Enquanto isso, a professora de português da terceira série recomendava clássicos como A Bruxinha Domitila, Sangue Fresco e Pedrinho Esqueleto. Nada contra João Carlos Marinho e Stella Carr, mas mesmo moleque eu já achava aquilo meio mal escrito.

A Lúcia era diferente. Escrevia fácil sobre coisas difíceis. A série Xisto (que um dia sonhei que havia virado desenho animado) misturava viagens medievais, ficção-científica psicodélica, pássaros cósmicos azuis, vermes gigantes pré-Duna e um herói loirinho meio afeminado. O Caso da Borboleta Atíria, um policial protagonizado por insetos falantes, arrebenta qualquer enredo de desenho da Pixar. O Escaravelho do Diabo, uma das narrativas mais sinistras da literatura infanto-juvenil, está pronto para Hollywood desde os anos setenta. Se em cinco anos ninguém fizer um filme baseado no livro, eu prometo que faço. É só alguém me bancar.

Já o Spharion - Aventuras de Dico Saburó, eu curtia por um motivo especial. Foi um dos primeiros cujo nome do meu pai constava do expediente, como diagramador. E guardada em um envelope, junto à orelha do meu exemplar, havia uma foto dele com a Lúcia, tirada na noite do lançamento do livro. Era 1979. Hoje, admito que minha principal motivação de leitura era o orgulho de saber que meu pai havia participado de alguma forma daquela história. Na minha cabeça de moleque, isso significava que ela era mais minha do que de qualquer um. E se fosse?

Soube da morte de Lúcia e dei por falta dos livros. Sorte, encontrei todos. Estavam esquecidos atrás de grossos e hoje inúteis volumes de enciclopédia Larousse Cultural na estante da sala. A foto, uma pena, sumiu da orelha do livro. Sobrou a dedicatória em caneta azul e letra legível na página três:

"Para Antonio do Amaral Rocha, com meus agradecimentos por sua colaboração neste trabalho, e os mais lindos votos de Lúcia"

Que descanse em paz.

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Na verdade, eu curto notinhas mais do que longos textos.

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O caprichado e revelador documentário Gamer Br já está disponível para download. Clique e baixe os "parcos" 741 MB aqui.

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Gardenal sem fronteiras: o funk carioca despudorado nas linhas de Bruno "Urbe" Natal, na revista americana XLR8R.

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Elas conseguiram. Sai da gráfica essa semana o livro das Garotas que Dizem Ni. O título não poderia ser mais adequado. Li uma versão 75% pronta e recomendo - mesmo sendo suspeito para falar.

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Então, já que você não quis comprar uma camiseta Gardenal (pão-duro), não tem mais desculpa. Domingo, aqui, as três novas estampas. Não são exatamente camisetas do Gardenal por assim dizer, mas foi a gente quem fez. Com carinho. Sabe como é, altos planos. Se você gostar, vai ter que comprar.

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Make Believe, do Weezer, vazou duas semanas antes do lançamento. A essa hora todo mundo já ouviu, então, liberto o mundo de minha opinião. Ouça lá, conclua você. Afinal, nada mais chato que cagar regra como crítico musical.

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Dica do Inagaki. Gorilla Mask, compêndio de porcarias irresistíveis para assistir. Estou nele agora, vendo coisas importantes tipo isso.

maio 5, 2005

Star Wars Bonanza

Star Wars Bonanza
Em dez dias viajo para a América a trabalho. O nerd dentro de mim comemora feliz: estarei hospedado ao lado do Teatro Chinês no dia 19, estréia do derradeiro Star Wars. Não se sabe ainda se este será o local do famoso oba-oba hollywoodiano que costuma rolar antes dos novos blockbusters (tapete vermelho, estrelas sorrindo, fãs gritando, coisas assim). Seja como for, estarei lá de bituca, esperando sobrar alguma coisa boa para lembrar e contar depois. Dizem que tem gente acampado na fila há mais de dois meses. Acho que não precisa tanto, mas ok. O que importa é fazer parte de alguma coisa. Qualquer coisa. Inclusive nerdices.

Episódio III será foda. Aposto nisso meus 50 e tantos action-figures e centenas de dvds, vídeos, games, camisetas, livros técnicos, quadrinhos, enciclopédias, álbuns de figurinhas e pocket books. Nada de aliens jamaicanos com língua plegsa, rala e rola no matinho, levitação de frutas, ursinhos anões-peludos com bigodinho ou petizes pilotando caças e gritando iupi a cada inimigo abatido. Já está no nome: o negócio aqui é vingança. Coisa de macho. Lado Negro na veia. Sangreira, tristeza, crueldade, genocídio de criancinhas Jedis, traição, mutilação e a marcha imperial tocando no último volume feito mantra. É um sonho de longa duração se realizando vinte e dois anos depois. Dessa vez, prometo não dormir de roncar no cinema (como fiz duas vezes em Ataque dos Clones). Mas a velha camiseta do Boba Fett que brilha no escuro, essa vai ser obrigatória.

Ser nerd é ser óbvio. E feliz.

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Enquanto isso, cinco coisas a se fazer em uma galáxia muito, muito distante...

1. Leia a primeira crítica publicada na internet, pelo estraga-surpresa Silent Bob/Kevin Smith. E ele conta tudo. Cara chato.

2. Assista ao sensacional desenho animado no Cartoon. Vale a pena. E já tem em dvd.

3. Jogue o mais divertido game Star Wars de todos os tempos, todo estrelado por Legos simpáticos. Pior que é sério. Há dias não faço outra coisa.

4. Compre a primeira revista brasileira com Star Wars na capa este ano. Pô, veja só que coincidência.

5. E confira a foto que prova que não vai ser mole não.

Segura a Força!

maio 14, 2005

Gone

Gone
De saída. Boa semana a todos. Acompanhem as boas novas aqui e por aqui também.

Das duas, uma: ou volto muito melhor. Ou muito pior.

maio 16, 2005

America

"(...) My point is, this is America. You start out with hand jobs and progress to orgies. You smoke some dope and then, the Big H. This is our whole culture of bigger, better, stronger, faster. The key word is progress.
In America, if your addiction isn't new and improved, you're a failure."
Chuck Palahniuk, Choke

maio 20, 2005

Timeless

Aqui na América, tudo é caro, exagerado e faz mal à saúde. Mas a gente gosta, claro.

Segunda eu volto com alguma coisa. Por enquanto, não dá para pensar em muita coisa a não ser no próximo dia. E em dormir, que dormir é bom.

E quer saber? Nem vi Star Wars ainda. E deu tempo?

maio 28, 2005

Algumas verdades

Quem diz que o sono não se acumula está mentindo.

Viajar a trabalho é bom. A fuga da rotina não tem preço.
O problema é retornar à rotina e perceber que está tudo igualzinho.

Fechar revista é a melhor coisa da profissão.
E a pior também.

Feriado não existe.
Fim de semana é ilusão.
E a segunda feira sempre chega rápido demais.

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Mas teve coisas boas também.

The Killers ao vivo.
De graça. Garanto, é melhor que no disco. Smile like you mean it, baby.

Chemical Brothers também.
Não havia mais de 800 pessoas no local.
Quantas tinha no Pacaembú, umas 30 mil?

E claro, foi a Microsoft quem pagou essa conta. Tudo pelo 360.

Audioslave
Dia seguinte, no meio da rua. Escutei tudo da janela enquanto trabalhava. Isso sim é hollywood rock.

E3
Cumpri diversas metas profissionais boas. Já (quase) posso mudar de área.

Certo, mano
Entrevista com Marc Ecko.
Quem?

Phone home
Comprovei a maravilha que é o Skype. Comprove você. 10 euros de crédito dá para duas semanas de ligações internacionais (não ligadinhas, mas chamadas longas e diárias). Foda-se 21, 23 e, principalmente, 15 (e vamos ver se me colocam na lista negra do Speedy agora).

Yoda Yoda Yoda
Assisti a uma luta de sabres de luz ao vivo. É sério.

End of the Century
Documentário em DVD sobre a vida de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, os Ramones. 14$. A melhor compra da viagem.

Comprei cds também. Sou um antiquado.

Mp3
Sucumbi à febre da gastança ianque e adquiri um PSP e 512MB de pura memória. iPod pra quê?

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Gênio do Mal

Novos modelos para você e toda sua família:

A camiseta da rosquinha.

A camiseta do webmaster.

A camiseta do pescador amigável.

A camiseta do vencedor tímido.

E muito mais, aqui.

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Fuck the fashion. Mas essa idéia é genial. Neighborhoodies.

Virou mania lá em cima (ou embaixo, se seu atlas estiver virado).
Eles tem camisetas e moletons. Letrinhas de diversas cores e fontes diferentes. E uma enorme chapa quente no balcão. Por nada modestos 50$ e quinze minutos, eles fazem sua roupa inteiramente personalizada. Qualquer frase besta, letra de música do Joy Division, mensagens ofensivas, siglas.
Até 14 caracteres. Mais que isso, cobra-se um extra por letra adicional.

Fui na loja e vi o lance funcionando. Lembra até uma pizzaria, mas fica pronto mais rápido.

Definitivamente, não é difícil ficar rico.

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