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Sangue mau

F.



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junho 29, 2008

Chimes of freedom

Transmitindo direto da fase 2. Pedi demissão do meu emprego de 8 anos para trabalhar em casa, num projeto que se der certo me dará o melhor cargo do país, e se der errado me manda para a sarjeta sem escalas. Enfim, torçam. E acabo de começar uma nova era - passei a ter um caderno de anotações ao invés de escrever idéias em folhas soltas que perdia por aí; presente e incentivo da namorada. Abaixo anotações no avião, antes de uma das reuniões do tal projeto.

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junho 23, 2008

Acontece na vida

Mundinho da semana.

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junho 22, 2008

Mais fictício que a ficção

Minha segunda coluna para a MONET. Como falei, o Ricardo bolou a idéia (histórias inventadas da televisão), e todo mês mando uma ficção sobre a telinha na última página da revista.

Muitos lembram de Roque Santeiro, a novela da Globo que em 1985 teve piques de 99% de audiência. Ficou famosa pelo triângulo amoroso entre o personagem-título (José Wilker), a viúva Porcina (Regina Duarte) e Sinhozinho Malta (Lima Duarte) e por todo seu elenco ter saído na Playboy, com exceção do Ewerton de Castro.

Mas poucos lembram de sua concorrente, detentora de 0,00001% da audiência (a maior parte dos 1% restantes ficava com o SBT, reprisando Chaves), a novela "Ventos da Mudança", que passava na Bandeirantes ou na Record, os pesquisadores ainda não descobriram. Foi escrita pelo dramaturgo de esquerda Adelmo Pederneiras e seu fracasso pode ser explicado não só pela quase unanimidade de Roque Santeiro, mas também por estranhezas de sua própria trama.

Para começar, não havia um núcleo pobre e outro rico porque Adelmo não acreditava em uma sociedade de classes e porque a emissora poderia economizar em locação se não precisasse filmar em favelas ou em mansões cenográficas. "Ventos da Mudança" comentava a vida política nacional. O vilão da história, um verdureiro bigodudo, impotente e metido a poeta que herdou a quitanda depois da morte do sócio, um velhinho narigudo amado por todos, era uma alusão depreciativa e pouco sutil ao presidente José Sarney, que só não tomou nenhuma providência legal por desconhecer a existência da novela assim como 99,99999 % da população.

O elenco era um compêndio de erros de escalação. O galã era Lúcio Mauro, conservado para a idade, mas não do ridículo, e Gretchen fazia uma bailarina clássica. O assassinato costumeiramente usado em novelas para movimentar a história também não conseguiria interessar ninguém: o morto era um posseiro, personagem secundário que aparentemente só serviu para justificar os discursos pela reforma agrária na cena do enterro, que durou um capítulo inteiro. O assassino, para de surpresa de ninguém, era o verdureiro (Elias Gleizer), que confessou seu ato torpe retorcendo o bigode para enfatizar a natureza vil de seu personagem e por extensão, da Nova República.

A novela não teve problemas com a censura, e não só porque ninguém no governo tomou conhecimento de sua transmissão, mas também porque Adelmo, como muitos dos seus colegas revolucionários, era tremendamente conservador, sexualmente falando. Os beijos em cena eram cronometrados e o personagem de Gretchen era virgem - o dramaturgo teve que interromper várias cenas porque a atriz insistia em dizer as falas com um dedo na boca, "um truque de interpretação" como declarou na época à revista Fon-Fon.

"Ventos da mudança" seguiu sua rotina de trezentos capítulos sem muitos sobressaltos, porque nessa época todas as emissoras concorrentes da Globo se conformaram com o traço de audiência no horário. Consta que durante o período houve mesmo um telejornal das oito horas que deu as notícias verdadeiras, e com imparcialidade.

junho 17, 2008

Figurinha fácil

Mundinho Animal da semana.

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junho 16, 2008

Coward new world

Texto que escrevi para o broda Ronaldo Evangelista - imagino que possa publicar aqui, é da época em que o Dunga escalava o Afonso - éramos menos infelizes e não sabíamos.

Jovem Guarda

"Don't clap too loudly. This is a very old world" - Tom Stoppard

Há uma diferença entre a importância da renovação e a necessidade de inventar. Quem acompanhou o aproveitamento do Afonso na seleção do Dunga está seguindo meu raciocínio.

Digo isso porque vivemos hoje um frenesi da novidade. Imagino que nem o executivo de gravadora que recusou os Beatles deve ter experimentado o grau de nóia que nossos cool hunters amadores enfrentam toda vez que sai uma lista da NME. É a síndrome de Herodes, o medo de deixar passar batido algum novo messias...

A necessidade de se prestar atenção no novo é um pouco como o voto obrigatório, que tem uma lógica difusa e você não entende a implicação moral. Toda vez ouço alguém defendendo, em geral em causa própria, a premência de se dar espaço para o novo, lembro de todas os consertos adiados na minha casa. Ajuda na perpectiva e a estabelecer prioridades.

Sendo um torcedor do Flamengo criado na Era Zico, tive bastante tempo para desenvolver minha capacidade de relativização e aprender sobre os ciclos da natureza - se todo time vive uma má fase, por que não a humanidade? Dizem que talento pula uma geração, e está aí toda a nova MPB pra provar - quem sabe não vivemos um fenômeno mundial e simultâneo?

Como quase ninguém tem tempo para absorver todas as novidades, boa parte do interesse em acompanhar os últimos lançamentos tem a ver com ostentação intelectual. Muito da graça está em ser visto sendo antenado, mesmo que daqui a um mês o hype tenha se esvaziado e ter caído nele seja motivo de vergonha alheia - mas quem se lembra de um mês atrás? Qualquer coisa você pode dizer que era consumo irônico.

Tem também o fator idade. É perdoável num adolescente a dificuldade em distinguir onde está o ouro em toda aquela produção cultural que ele perdeu enquanto não existia, ainda mais com tantos hormônios atrapalhando. Mas fica feio em gente mais velha e com visão mais ampla, e em alguns casos cansada, do panorama. Tiozão up to date, mal do pós-pós-modernismo.

junho 9, 2008

Acumulando funções

Além do Mundinho Animal da Semana (clique)...

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...ainda saem alguns cartuns meus no G1 na seção de quadrinhos, o Diego manda o tema e eu chuto. Esse foi pra home:

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junho 2, 2008

Créditos

Mundinho da semana, só clicar.

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