You can talk the talk, but can you walk the walk?
Entrevista para a revista Wave.
No “Mundinho Animal”, do G1, que eu acho fantástico, sua proposta é tirar sarro da nossa classe artística. O mais interessante é que você expõe geralmente o ridículo do artista anônimo, daqueles que procuram um lugar ao sol. O que você acha que acontece com o país? Os novatos são patéticos realmente ou não existem condições de se criar arte decentemente no país?
Na verdade, falo de todo tipo de artista, os em ascensão, os em queda, os do panteão e os ancorados ao solo, que nunca irão a lugar nenhum. Talvez a confusão seja porque não nomeie os consagrados diretamente. Não acho que aqueles que estão buscando lugar ao sol sejam melhores ou piores por definição, só acho que o talento nunca é pré-requisito para o reconhecimento aqui no Brasil - e o encontro dele com o sucesso é um evento bissexto. Que não há condições, isso é óbvio. Nosso mercado editorial é ridículo, a indústria do cinema inexiste, nem vou falar de teatro, que, se não é um anacronismo, aqui é tratado como um, entretenimento para a terceira idade. Funcionando mesmo temos a TV, que nivela por baixo por uma questão de sobrevivência, isso nem é uma crítica.



Comments
Caraaaaaalho, disse tudo. CLAP!
Posted by: FZero | maio 14, 2008 10:29 AM
mas essas questões são antigas, não? a meu ver, o interessante seria justamente levantar outro tipo de discussão. destruir ou posar iconoclasta qualquer um consegue e um grande barato talvez seja ir na corrente contrária daqueles que apenas destrói, mesmo duvidando das virtudes da espécie humana. abs
Posted by: Walking Talking | maio 14, 2008 10:52 AM
Fala, FZero!
Haha, CLAP, poplist slaaang, man!
E tu é obsessivo, hein, vascaíno. Deve ser o vigésimo pseudônimo em uma semana. Levantar discussão, putaqueopariu...
Posted by: Arnaldo | maio 14, 2008 10:53 AM
que nada, man!
na verdade, o melhor pseudônimo que poderia ter usado no comment acima seria "taking a dump and walking", em vez de "walking and talking"... uarapumbara, poxa!
Posted by: Taking a Dump and Walking | maio 14, 2008 11:39 AM
agora que eu vi, tem erro de concordância verbal no meu comment das 10h52. vou tirar uma soneca...
Posted by: professor pascal | maio 14, 2008 11:41 AM
OK, cuzeta, ip bloqueado.
Posted by: Arnaldo | maio 14, 2008 12:09 PM
Uauuuu !
Falou e disse !
Posted by: Camila | maio 14, 2008 1:05 PM
Por falar em artistas, arte, etc. Você tem noticias do Leonardo?! Faz bastante tempo que não vejo desenho dele por aqui?! Estão falando por aí que ele virou evangélico, outros comentam que ele juntou as escovas com um cabo da marinha.
Posted by: Marcão | maio 14, 2008 1:27 PM
Muito bom velho.
Talvez o grande problema seja justamente a busca pelos três minutos de fama a qualquer custo.
Abraço.
Posted by: João Pinheiro | maio 14, 2008 1:51 PM
Só vejo o Leo em churrascos agora, deve ter se aposentado junto com o Jaguar ;)
Posted by: Arnaldo | maio 14, 2008 2:48 PM
"lia o Millôr como quem se droga - estava sob a influência, e não lendo apenas pela fruição ou pra acumular bagagem."
HAHAHA. Muito bom.
Posted by: Simone | maio 14, 2008 7:07 PM
Tá ótima a entrevista, Arnaldo. Um abraço.
Posted by: Ruy | maio 15, 2008 2:23 AM
Eu sabia que eu era diferente quando eu contava as piadas do livro do Millor que tinha herdado no meu pai na escola e ninguém ria. Obrigado Millôr por fazer me deixar de comer mulher na adolescência.
Posted by: The Body Electric | maio 15, 2008 11:42 AM
O que eu posso dizer é que fiquei impressionado com a entrevista. Digo, não sabia que você era assim intelectualmente tão aristocrático. Nada contra, só fiquei surpreso, fazia outra idéia - o que é ótimo, adoro ser frustrado dessa maneira. Gostei da parte da imersão na leitura. Eu concordo plenamente, não adicionaria nada (só mudaria o autor da leitura). Acho que essa pergunta sobre a crítica aos artistas foi a que te pegou pelas bolas. Foi muito boa, e não - não acho que você se "safou" dela. Enfim, foi muito boa a entrevista
Posted by: Neto | maio 15, 2008 4:22 PM
qual é, arnaldo, parece um botafoguense
Posted by: zé josé | maio 15, 2008 8:15 PM
Não estou chorando não, Zé, só constatando. Oficialmente, a partir de hoje, não tenho NADA que reclamar do mercado...
Posted by: Arnaldo | maio 15, 2008 8:38 PM
Sobre Rio e SP, ouvi algo igual na Australia: Sydney is the whore you have fun with, Melbourne is the woman you get married.
Posted by: Rafael Lima | maio 16, 2008 5:24 AM
Curti a entrevista, cara, mas chamar Gabeira de último reduto moral ou algo que o valha me doeu, viu? Não vejo moralidade em nenhum tio sukita moderninho empacotado pra política.
Saudações de outra cria da ala esquerda do dez, a velha FCS.
Posted by: Tainã | maio 16, 2008 6:18 AM
Uau, Rafa, juro que não andei consultando nenhum agente de viagens and such.
Tainã, respondi isso para um cara que fez a mesmo comentário no blog do Dahmer:
"Quis dizer que ele é considerado reserva moral, não que é - e aliás, não acredito em reserva moral. E não voto no Gabeira amarradão não, sou mais anti-Crivella"
Posted by: Arnaldo | maio 16, 2008 8:12 AM
É madrugada, e eu não paro de pensar na oposição virtual do Simoninha... Arnaldo, que pérola, que tapa na cara. Certamente a "ditadura" não acabou - o bastão foi passado, ainda os mesmos esquemas, ainda as mesas pessoas. Ainda a censura, só que ela foi transferida do Estado pessoal para o "Mercado" impessoal (ou alguém aqui lança o que quer, como quer? Ainda que nas situações mais corriqueiras e bobinhas?). Talvez, Arnaldo, talvez você tenha tocado num ponto nevrálgico: o que mudou é justamente a falta de um Chico, de um Henfil, de um Vandré. Parece que todos hoje já nascem enterrados no cemitério dos mortos vivos, e não há ninguém lá fora para salvar. A não ser o Simoninha (essa foi genial).
Posted by: Neto | maio 17, 2008 1:26 AM