Departamento de vendas
Alguns cartuns e a coluna "Mal Necessário" da revista Zé Pereira número 4.

Love of gold
Em tese são a inércia e a gravidade que fazem o mundo girar, mas vocês sabem o que é na verdade: o amor. "O amor pelo ouro", completa o Gene Hackman naquele filme do David Mamet.
Hoje compreendo isso, mas nem sempre foi assim. Lembro que quando era adolescente duvidava que alguém realmente casasse por dinheiro. Talvez fossem só os hormônios trabalhando em excesso, mas acreditava que dinheiro e tudo mais que havia no mundo eram só pretextos e estrategemas para chegar até a recompensa por todas aulas de trigonometria que fui obrigado a assistir: SEXO.
Que alguém abrisse mão da satisfação sexual por grana não fazia o menor sentido pra mim, que era um ingênuo e, claro, virgem, mas a verdade é que ainda acho difícil de acreditar. O que diz muito a respeito da minha escala de valores e explica porque ainda sou pobre.
Também fui metaleiro quando adolescente, e naquela época essa história de não se vender era um caso sério; um dos slogans do - ahn - movimento era "morte aos falsos", embora não me lembre muito bem como era mesmo um metaleiro de verdade. Imaginava que esse papo de vendido estava tão velho como a defesa do celibato enquanto método contraceptivo, mas a internet está aí para mostrar que velhos hábitos não morrem de resfriado.
Conheço, e só de ouvir falar, poucas pessoas que podem se declarar realmente independentes (por hierarquia, financeiramente, etc), sendo que contra algumas delas existem processos penais que questionam a retidão de suas trajetórias até a independência. E duvido que elas sejam as mesmas que escrevem em blogs ou comentários de blogs que tal fulano "se vendeu".
Essa patrulha da pureza um tanto incoerente e tardia lembra a minha adolescência. Ou seja, quando vier alguém pro seu lado com esse discurso, pode ter certeza: o carinha ainda não amadureceu sexualmente.



Comments
Ainda bem que você se contenta em ser pobre. :P
Posted by: Liv | abril 22, 2008 10:38 AM
BRAVO! hahaha...
Acho que todos que ainda entram na internet, nesta idade, neste site, foram metaleiros, achavam que existia uma música tão ruim e única que não era "comercial" - não, não, era tudo de graça... -, além das mazelas sexuais. Identifiquei-me totalmente com este post. E às favas com os sexualmente imaturos. Poderiam ser em menor número, confesso... =/
Posted by: Neto | abril 22, 2008 10:44 AM
arnaldo, sou seu fã. o que você acha disso aqui: http://cersibon.blogspot.com/ e http://pornibon.blogspot.com/ ?
Posted by: ingocnito | abril 22, 2008 4:40 PM
Acho sensacional. Às vezes rio sem saber do que...
Posted by: Arnaldo | abril 22, 2008 5:47 PM
Não vai falar do caso Isabella?
Posted by: Breno | abril 23, 2008 7:18 AM
Só um comentário. Pra mim se vc se interessa por esse assunto, você é um abutre.
Posted by: Arnaldo | abril 23, 2008 10:13 AM
Concluído,mas contém erros de página
Posted by: Anonymous | abril 23, 2008 11:09 AM
Seu vendido! hahhahaha
Espero que pelo menos fique rico! :)
Posted by: MrSpaceman | abril 23, 2008 5:44 PM
Na adolescência nunca tive a menor preocupação contra falsos ou vendidos, tanto que sou um dos fundadores do Movimento Pseudo-Intelectual na minha faculdade e sempre achei isso a maior besteira. Mas cuidado, Arnaldo, esse tipo de postagem lembra muito Cora Rónai...
Posted by: Luiz Henriques Neto | abril 24, 2008 4:45 PM
Em que sentido lembra Cora Rónai, Luiz? Vou até deixar passar a ofensa cordial para esperar a explicação ;)
Posted by: Arnaldo | abril 24, 2008 5:56 PM
Post confessional de blogueiras --> Ruim;
Post confessional do Arnaldo --> Bom.
O engraçado é que nessas horas você nem se lembra de que está convencido que as suas confissões são mais cintilantes que as das blogueiras.
Posted by: Adriano F. | maio 4, 2008 1:20 PM
Suas críticas, embora sempre idiotas, já fizeram mais sentido, cara.
Posted by: Arnaldo | maio 5, 2008 8:48 AM