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« fevereiro 2008 | Main | abril 2008 » março 29, 2008Até morrermarço 25, 2008Minha vida de cachorro
Rip this jointJá falei da Trepidante aqui, festa do meu irmão que só toca músicas menos conhecidas de bandas consagradas. Seu parceiro de empreitada é o lendário Marcelo Callado, que podia ter um festival de rock dedicado a ele só com bandas em que toca no elenco. Acho que rolariam atrações por um mês, mais ou menos. O cara é um Glastonbury ambulante. Nessa vou com certeza, saca o flyer. Já tive uma camiseta com essa foto (da Annie Leibowitz?). Todos lá no sábado.
Sábado, 29 de março Pista 3 (R. São João Batista, 14 – Botafogo) R$20,00/R$15,00 c/ filipeta/R$10,00 na lista amiga até 01:00hs A partir das 23hs Depois de um intervalo de alguns meses, a festa TREPIDANTE, comandada pelos DJs Lucio Branco (festa SOUL, BABY, SOUL!) e Marcelo Callado (baterista do CONJUNTO MUSICAL DO AMOR, do LAFAYETTE E OS TREMENDÕES e da banda de apoio de CAETANO VELOSO), volta com tudo ao roteiro noturno do Rio! Ela acontece no dia 29 de março, sábado, no mesmo endereço das edições anteriores: a Pista 3. A sua razão de ser é resgatar o que existe de melhor no "lado B" da História do rock, ou seja, aquelas faixas que a lógica arbitrária e aleatória das gravadoras e da mídia condenou à injusta condição de "hits em potencial", desconsiderando a sua capacidade de embalar a pista do mesmo modo ou até mais do que aquelas já consagradas. Também integra o repertório da festa músicas que podemos considerar o "lado A" de "bandas e artistas B" que nem mesmo chegaram ao conhecimento do grande público. Eis a missão da TREPIDANTE: compensar a falta de criatividade de alguns DJs da noite carioca quando o assunto é rock! Comparecem nas carrapetas: Gene Vincent, Bo Diddley, Rolling Stones, Beatles, Bob Dylan, Doors, Kinks, Zombies, Sonics, Ventures, Steppenwolf, The Music Machine, 13th Floor Elevators, Count Five, Yardbirds, The Monks, Velvet Underground, David Bowie, Roxy Music, Modern Lovers, Faces, Cramps, Clash, Police, Talking Heads, James Chance & the Contortions, Jam, Birthday Party, Devo, Specials, Maytals, Skatalites, Bob Marley, Fatback Band, Jimmy Castor Bunch, Meters, Baby Huey, etc. março 18, 2008março 13, 2008Aposentadoria compulsóriaWell, março foi a última colaboração minha e do Leo com a Sexy - não sei se foi só para consolar que disseram que não fomos demitidos por incompetência, mas por reengenharia. Aqui está a desova das últimas edições. Não sei qual será o futuro do Joe Pimp, agora que seu nada pró-ativo desenhista não tem mais nenhuma desculpa pra fazer as tiras. Finalmente entendo todas aquelas piadas do Pasquim e da Chiclete com Banana sobre os cartunistas mineiros... Mas como tudo na minha vida (como naquele episódio do Seinfeld) tende ao empate, começo em abril uma coluna na última página da revista da NET (Monét ou Mônet? Nunca soube). O título é "Histórias (Inventadas) da Televisão" - são episódios mentirosos que teriam acontecido paralelamente a grandes eventos da história da TV. O conceito não é meu, mas acho que grampeei a idéia direitinho. Fé em Deus e até a próxima!
março 11, 2008OrirrínalNada além da verdadeA Simone Campos escreveu esse texto excelente sobre literatura e umbiguismo pro Le Monde Diplomatique Brasil. Leiam agora, assinaria embaixo e enviaria por e-mail para minha lista de contatos se isso não fosse considerado de mau tom, levemente repulsivo e passível de queixa-crime. Falando no prestígio das obras confessionais em detrimento das ficcionais, voltei a ter TV a cabo e finalmente fui apresentado à explosão dos programas sobre gente comum fazendo nada em particular. Sabia que era a tendência, mas não imaginava que a coisa tivesse chegado a esse ponto de quase monopólio da grade. Mudou meu conceito do que é o considerado bad television (no sentido que os diretores empregam: aquilo que consideram comercialmente inviável) - é a vitória da premissa do Seinfeld, só que totalmente levada ao pé da letra. Mas o que realmente não entendo nesse exagero de programas com câmera escondida, de reality shows, de sujeitos com problemas de extroversão abordando gente na rua é que os roteiristas dos humorísticos parecem estar abrindo mão de uma das raras formas de pagamento que não atrasam: a vaidade autoral. Você liga a câmera e espera que algum idiota faça o trabalho por você, e todo esforço intelectual vai para a sala de edição. Pra mim esses caras que trabalham em programas "vida como ela é" são tão espectadores quanto o público. Mas pensando bem, lembrando de quando nossos roteiristas trabalhavam com material próprio - se fosse eles também praticaria o desapego. março 6, 2008Rumo a TóquioAmostras de coisas que gastei minhas férias fazendo: roteiros de quadrinhos, cinema, colunas, etc. Só uma delas remunerada, o resto investimento de risco para o futuro - tudo encaminhado, toda a parte burocrática OK (registro na Biblioteca Nacional e o caralho). Para bom entendedor, meio contexto basta.
Manolo tenso com a aparição, gagueja - ...Senhor Peréio? Peréio - Por favor, nada de "Senhor Peréio". Meus amigos me chamam apenas de Senhor. Manolo - Senhor... Peréio - Você não é meu amigo. Só vim na missão de nomeá-lo meu sucessor. Vejo que você não parece grandes coisas no quesito masculinidade, mas fazer o quê. O Cary Grant era boneca, mas que ator. Realmente um cara engraçado. Mas enfim, umas dicas: nunca faça essas porras de laboratório, não estude nenhuma porra de método e nunca trabalhe com o cuzão do Hector Babenco. E gostosa a sua mina, mas me parece um pouco bipolar. Vai por mim, tenho experiência nessas coisas (some). XXX Do lado de fora vemos a ação da turba que apedreja o prédio onde fica a redação da Última Hora. É manhã de primeiro de abril, o golpe militar está em curso e o jornal, defensor do governo deposto de João Goulart, é um alvo natural. Alguns manifestantes invadem o prédio e outros, já ocupando os andares superiores, atiram na rua máquinas de escrever, arquivos. A polícia trabalha para conter os ânimos e para evitar que o quebra-quebra evolua para uma tragédia. Um carro passa devagar pelo local. No banco de trás um homem de óculos observa a cena, as chamas nos andares superiores do prédio refletindo no vidro do carro. É Carlos Lacerda, governador da Guanabara. Ao seu lado, a silhueta de um homem com farda e quepe de militar. XXX Primeiro quadro: São Judas Tadeu está falando por aqueles telefones separados por um vidro da cadeia com Hitler. Segundo quadro: idem Terceiro quadro: idem XXX QUADRO 7 [Hórus didático, teatral] Hórus - Camões escreveu esses versos para uma mulher que o zombou por ser caolho. Se chama mesmo "A uma dama que lhe chamou Cara sem Olhos". Espero que a poesia tenha ajudado a enxergar a beleza que seus olhos não captaram no poeta... QUADRO 8 Hórus - A visão, amigos, é o sentido supremo. Mas eu pergunto: você está preparado para sentir o que os olhos não vêem? QUADRO 9 [A cena abre, e aqui há uma surpresa. Hórus é apresentador de um programa de auditório de TV, o letreiro "O que os olhos não vêem..." é na verdade o letreiro no fundo do cenário do seu programa (abaixo do letreiro, a assinatura "com Hórus, o Magnífico). Uma câmera de TV aponta para uma mulher bem simples sentada em uma cadeira com os pés em uma espécie de caixa com os olhos vendados. Uma ajudante de palco (a mulher de Hórus, a sra. Fortuna) de maiô está ao lado dela] Hórus - Você está, Lucicreide? Lucicreide - Estou sim, Seu Hórus. XXX Ernesto Fidel Bastos - Desculpe o atraso, Maria Eduarda. O tráfico estava lento. Maria Eduarda - O tráfego, Ernesto. Ernesto Fidel Bastos - Tráfego é como chama aqui na Zona Sul, lá na minha área chama tráfico mesmo. Maria Eduarda - Ah, Ernesto, você é autêntico. Ernesto Fidel Bastos - Acho que não, tomei vacina quando era criança. Maria Eduarda - Criança... [Maria Eduarda acaba de recordar seu trauma de infância. Cena de flashback tosca, em que lembra quando foi no primeiro dia de aula na Escola Americana com meias brancas, quando a norma é o uso de meias azuis. O episódio banal toma proporções fantasmagóricas na mente da garota. Pátio de colégio, chove.] Crianças em torno de Maria Eduarda - Meia branca, meia branca! Maria Eduarda em posição fetal - Nãooooo!!!! [Volta do flashback, Maria Eduarda em posição fetal na canga] Ernesto Fidel Bastos - Tudo bem, a gente não precisa ir na água. XXX Em dois minutos e meio, exatamente o tempo do intervalo do programa que assistia, Teatrinho Troll, compôs o sambinha "Corte esse cabelo ridículo", que na gravação ficou em 8min:27seg - era realmente um desabafo. Tinha versos como "gente de bem tem que ter um sustento / no próximo dia quinze compareça à junta de alistamento" e a citação a "Blowin' in the wind", de Bob Dylan: "A resposta, meu amigo / você vai me dar no interrogatório". março 4, 2008 |