Sem material novo para botar aqui no blog, fui atrás de coisas inéditas mas prestes a sair. E aproveito para fazer propaganda das duas melhores peças de literatura do ano, escolha qualquer ano. Abs.
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Me dei conta relendo dois textos (um para o site da Zé Pereira, que deve sair até semana que vem, e outro para um lance de que não posso falar para não estragar a surpresa) que escrevi sobre a mesmo tema. Mas tal é a capacidade de enrolação de um ser humano que repeti poucas palavras. Trechos:
O Homem superando os meus limites
"Palpite, palpite, nasceu no crânio de quem teve meningite", cantava Noel Rosa, que entendia de doenças infecciosas e suas conseqüências, já que morreu de tuberculose. É de se especular que o surto da doença que atingiu o país nos anos setenta e teve sua divulgação proibida pelo governo militar haja afetado toda a população, porque não conhecemos limites para nossa capacidade de dar opiniões desabalizadas* sobre qualquer assunto.
Alguém já disse que contra fatos não há argumentos, mas o brasileiro com sua mundialmente famosa criatividade prescinde destes e usa o que tiver a mão, inclusive objetos sólidos e arremessáveis, como um babuíno no zoológico. Blogs, caixas de comentários, seções de cartas dos leitores, artigos de jornal, onde for possível deixar sua marca o Opinador Médio Nacional lá estará, geralmente usando um pseudônimo ou a imunidade do cargo para evitar que sua intervenção corajosa fique à mercê da ação deletéria de algum processo penal.
Crime de opinião
Dizem que quando o artista precisa se explicar para o público, um dois dois é imbecil. E o que acontece quando o sujeito é uma espécie de artista e é por força de ofício um especialista em explicação? Talvez seja mais justo considerar que haja um empate entre ele e seu público. O assunto de hoje são os colunistas.
Colunista é um cara que vive da escrita, embora a escrita possa viver muito bem sem ele, e portanto é alguém em constante exercício de humildade. Certo? Errado. Embora possam usar seu espaço para coisas de maior utilidade pública como dar telefones de serviços de primeira necessidade, preferem preenchê-lo com um artigo irrequisitado e de baixíssimo valor de mercado: a opinião deles.
* - Eu sei que essa palavra não existe, Sherlocks.
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Dahmer e Allan vão lançar seus livros na Travessa de Ipanema dia 7 de agosto (não vou deixar você esquecer), e posso assegurar que são a melhor coisa (os dois, houve um empate técnico) já publicada em quadrinhos este ano e nos próximos, apesar do que o resultado geralmente equivocado do HQ Mix possa apontar. Escrevi a quarta capa do livro do Dahmer, e faria o mesmo pelo Allan se o espaço já não estivesse ocupado pelo cara que mais entende da obra, o próprio. O quanto cobrarem por eles vai ser a oferta do século.

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Falando em Dahmer, achei também isso aqui: um roteiro meu para um personagem dele, o Doutor Tenso. Só pela curiosidade.
Primeiro quadrinho: legenda - 11:45, demitir o estagiário
- Um carinha novo diante de um computador falando: "leio blogs no trabalho para combater o sistema por dentro" - atrás dele, o Doutor Tenso com o indefectível suorzinho no rosto.
Segundo quadrinho: legenda - 14: 50, demitir a secretária
- Doutor Tenso dizendo para uma gostosa que chora: "Coxas carnudas atrapalham a produção"
Terceiro quadrinho: legenda - 17: 20, demitir o diretor de arte
- carinha meio modernoso dizendo para o Doutor Tenso: "Minha homossexualidade o deixa perturbado?" Doutor tenso (bastante tenso): "por favor, dirija-se ao RH..."