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Sangue mau

F.



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junho 29, 2007

A Piauí dos pobres

Dia 7 de julho, sábado, tem lançamento da sensacional Zé Pereira, revista do Zé José. Vai rolar distribuição gratuita nas casas do Grupo Matriz - Choperia Brazooka, Casa da Matriz, Teatro Odisséia, Cinemathèque, Drinkeria Maldita, Bar da Ladeira, Pista 3 e Casarão Cultural dos Arcos -, estarei com Zé e grande elenco na Brazooka: Rua Mem de Sá, 70, Lapa.

Não tem a grana dos Salles, mas em compensação não tem o Mario Sergio Conti. Aí é covardia.

Lembro vocês mais perto da data. Abaixo, trecho da minha coluna, que se chama "Mal Necessário".

A função da arte

Hoje em dia os melhores ficcionistas brasileiros trabalham no cinema, na área de captação de recursos. Não é nada fácil tentar explicar para algum funcionário do MinC porque o governo deveria arcar com o inevitável prejuízo monetário da sua obra de arte. Mas alguns abnegados se prestam ao trabalho quando preenchem a lacuna "justificativa" no edital de incentivo a cultura.

A menos que você entenda por responsabilidade social não deixar seus amigos desempregados na mão, é mesmo complicado arrumar desculpas para descolar um financiamento - aliás, em qualquer setor, quem já tentou comprar uma casa sabe. Houve até uma época em que o ramo imobiliário e o cinematográfico experimentaram um convênio através da Embrafilme, espécie de BNH de cineasta.

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junho 26, 2007

A Origem das Espécies

Cartum da Bizz.

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Também neste número, trecho da minha resenha sobre a apresentação do elenco de High School Musical no Brasil:

High School Musical, o telefilme da Disney que virou fenômeno mundial para a criançada, trouxe ao Brasil seu elenco (desfalcado do protagonista Zac Efron) no que pode ser chamada "turnê trailer de High School Musical parte 2" - sério, o show no Morumbi terminou com o telão anunciando a esperada (pelas crianças e por pais ansiosos por mais um produto com a qualidade Disney de hipnose) sequência.

Para quem desconhece (maiores de 15 anos e adultos sem filhos) a história: em uma high school sem greve de professores, evasão escolar e outras mazelas de terceiro mundo, o multiétnico elenco não faz nada além de cuidar da vida do casal principal, Troy (Zac, caucasiano) e Gabriella (Vanessa Anne Hudgens, latina).

Os dois não querem nada além de cantar no show musical da escola, mas sofrem pressão dos grupinhos a que pertencem (time de basquete e clube de ciências) para não diversificar suas funções, em um número musical ("Stick to the Status Quo") que pode ser o paraíso do subtexto gay para um observador mais maldoso, uma apologia do "segurar a onda" como estratégia de sobrevivência na selva da maledicência adolescente.

Depois de algumas agruras, os colegas percebem que não há nada de mal em cantar com coreografias e passam a apoiar Troy e Gabriella contra o casal rival de dançarinos-cantores (Ashley Tisdale e Lucas Grabeel) até a última música "We're All In This Together" - uma mensagem não muito diferente da dos "Saltimbancos" e outros teatrinhos de auto-ajuda a que fomos empurrados quando crianças.

junho 25, 2007

Vítima da arte

O desenho abaixo é um rabisco feito durante reunião de pauta (claque) da F#2, as manchas são de cerveja. Ou seja, posso ter deixado as salas de aula, mas a síndrome de déficit de atenção continua a mesma. Já que tudo se transforma, chamei a obra (claque) de "Reunião de Pauta" e é um dos originais que o Caco encomendou para o sensacional projeto Baixo Calão. Preços cruéis, mas justos.

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junho 21, 2007

She works hard for the money

Mais uma Sexy, mais uma tira do Joe. Vocês tem ido no site do Leo, crianças?

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Na torcida

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Quase pronto "O Beijo no Asfalto". A capa - ainda não aprovada - é essa aí de cima. Esse post é pra dar uma força pro Gabriel, que deve estar mandando hoje a arte-final; a idéia da Nova Fronteira é lançar na Flip. Altos corres, mano.

Minha monografia de conclusão de curso se chamou "O jornalista na obra de Nelson Rodrigues" e nela o Amado Ribeiro, coadjuvante em "O Beijo", era uma das estrelas principais. O cara existia, era colega de jornal do Nelson, e devia ser o filho da puta com mais senso de humor em todos os tempos. Depois de ser retratado como um sensacional canalha na peça e no romance "Engraçadinha", abraçava o escritor na redação rindo: "Eu sou pior!"

Quadro 205

[Aruba fala ao vizinho com impaciência e um pouco sarcástico tb]

Aruba - Fala, meu chapa!

Vizinho (tímido) - É que.

Quadro 206

[Amado impaciente]

Amado - Desembucha!

Vizinho - Pode fechar o caixão?

Quadro 207

[Segue]

Amado - Mas oh nossa amizade! Agüenta a mão!

Vizinho - Doutor, o corpo está exalando! Exalando!

Quadro 208

[Só Amado no quadro, com sua autoridade de falso policial]

Amado - Vamos fazer o seguinte. Olha aqui, nossa amizade! Manda fechar o caixão! Ordem da polícia! Fecha e toca o bonde! Por minha conta!

junho 19, 2007

Hand Job

O Sexysta, clique.

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junho 14, 2007

Bonus extended superplus megamix track

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Isenção alcóolica - Matias e Arnaldo entrevistam Rogerman (foto de Gilvan Barreto)

Essa é a extended version da matéria da Bizz sobre o Abril Pro Rock, sem aquela separação em episódios como saiu, e sem o erro de trocar o Santa Cruz pelo Náutico (mal aí, Lucio). Como deu pau nos comentários por esses dias, alguns tinham ficado por aprovar. Aqui, o direito de resposta da artista plástica citada na matéria (dê um scroll na página), que basicamente diz que nos vingamos nela porque não comemos ninguém. Também queria dizer para a Natália, que me chamou de mané porque não sabia do fim da Soparia do Rogê: infelizmente esse tipo de coisa não dá manchete no resto do país.

Eu, que vivo em uma cidade recordista em mistificação em outros estados, não consigo entender como alguém pode se sentir pessoalmente ofendido quando você não diz que o lugar onde ela mora é o paraíso na terra - que é mais ou menos como vejo Recife, e imaginava ter deixado claro na matéria.

Do diário de viagem: "Estávamos em algum lugar perto de Olinda, na fronteira do Recife Velho, quando a moqueca começou a fazer efeito..."

Vamos rebobinar a fita, ou voltar ao menu de cenas selecionadas no DVD. Arnaldo Branco, repórter da Bizz e desenhista de quadrinhos - criador do personagem Capitão Presença, o herói dos malacos que fazem uso daquele cigarro que passarinho não fuma - e Matias Maxx, repórter e fotógrafo da Bizz, inspirador do Capitão, estão chegando a Recife para cobrir o Abril Pro Rock 2007. A terra prometida dos maconheiros e seu lendário festival, que ajudou a projetar bandas como Los Hermanos e Cachorro Grande, parecem ser garantia de diversão para dois penetras bons de bico.

Mas a festa não é mais a mesma. A missão da dupla, além de dar um conferes na programação do festival (a propósito, bandas emo em excesso) para justificar o credenciamento, é se jogar em Recife atrás do que sobrou do Mangue Bit, das baladas pós-shows e dos frutos do mar para contar a quantas anda, ou se arrasta, a cena local - por uma ótica carioca-maloqueira-entorpecida. Com uma mala carregada de livros e camisetas do Capitão Presença, além de quilos da Tarja Preta, revista editada por Matias onde saem as tiras do super-anti-herói, tudo isso para garantir a grana dos aditivos, Arnaldo e Matias empreenderam uma viagem ao coração do sonho pernambucano.

xxxxxxx

Com uma pauta dessas, levantar para uma entrevista coletiva em plena sexta-feira de sol, às dez da manhã, há de se convir. Mas como disse Matias, bêbado, no trecho da fita em que deveriam estar gravadas as impressões de Arnaldo sobre o show de Lee "Scratch" Perry (a grande atração do último dia de festival): "Zornalismo! Temos um compromizo com a realidade, com a verdade, com... whatever!"

Na coletiva, quase empate por WO: não aparecem os Mutantes e parte substancial da imprensa. Lúcio Maia e Jorge Du Peixe, que acordaram cedo apesar do atraso no vôo que os devolveu a Recife alta madrugada, reclamaram da falta de perguntas: "ah, não, agora vocês vão nos entrevistar, isso aqui tá parecendo a vez que a gente foi no Serginho Groissman junto com o Babado Novo, ninguém da platéia sabia o que perguntar pra gente...". Fala, garoto! Alguém quer saber se eles já têm casa própria. "Não, a gente não é um fenômeno de vendas". Outro insinua que eles têm bastante espaço na mídia. "Se aparecer na TV fosse garantia de sucesso, o Max de Castro...", deixa no ar. Outro mártir do compromisso foi Marky Ramone, que bateu ponto para dizer que, comparado a "shitty bands" de glamour metal como Mötley Crüe, o emo parece até heterossexual.

A dupla de reportagem volta para o hotel, que tem serviço britânico, da parte da Escócia - graças a um numeroso grupo de adolescentes disputando uma olimpíada de matemática que faz lembrar o esquete "Todo espermatozóide é sagrado" do Monty Phyton. Não é a toa que o controle da natalidade ganha cada vez mais entusiastas. A demora na recepção para conseguir pegar a chave do quarto dava ganas de incorporar Borat, forçar um sotaque e perguntar em voz alta pelas mundialmente famosas prostitutas de 14 anos. Mas foi bom ter segurado a grosseria, breve estariam nos braços da hospitalidade pernambucana - para cariocas por natureza desconfiados, é difícil crer que este povo não receba algum incentivo monetário pra ser tão gente boa.

O almoço à base de peixe (a reportagem de Bizz adotou a dieta dos golfinhos durante a estadia) e cerveja serve para traçar o esquema de cobertura do Festival: vender quadrinhos e camisetas do Capitão Presença para garantir uma reportagem com um mínimo de isenção alcóolica. Dali direto para o Centro de Convenções infelizmente a tempo de pegar Os Canivetes (PE), a primeira de uma série de bandas de sarau que foram a tônica do palco 3, um puxadinho do Abril Pro Rock consagrado ao amadorismo.

Tudo pela arte, e alguma coisa pelo mico jornalístico. No primeiro rolé pelos bastidores, Arnaldo é atacado por uma artista plástica que o mete em um saco idem. Helio Oiticia faz escola, e seus alunos, pastiche. O festival segue com: O Quarto das Cinzas (performance teatral, herança maldita do rock progressivo, com vocalista gata, tendência de mercado), Bonnies, de Natal (volte até o trecho sobre os Canivetes), Moptop (RJ, boquete firme nos Strokes, os carinhas na platéia com o mesmo corte de cabelo gostaram), Ronei Jorge (BA, sugestão: dosar o experimentalismo). Agora, a diversão!

O mítico Capitão Presença e seu biógrafo são admitidos no camarim da Nação Zumbi, onde por razões óbvias o herói é bem-vindo - mas, em nome de sua lenda é triste dizer, absolutamente desnecessário. Deve ter um concorrente à altura em Recife... o tempo muda de velocidade até a hora do show dos caras. A Nação é o time da casa em excelente fase e jogando um amistoso - não conta ponto mas a torcida não quer nem saber, incentiva do mesmo jeito, com senso de humor inclusive: muitos cantam a versão pornô de "Meu maracatu pesa uma tonelada": ("Pra comer seu - deduzam - falta uma polegada..."). E olha que tentaram desagradar: não tocaram nenhuma da fase Chico e mandaram (Lúcio) o hino do Santa Cruz, time em baixa e com torcida em inferioridade numérica.

Depois, Os Mutantes. A impressão é que Zélia Duncan aproveita a comoção das pessoas assistindo o esforço do Arnaldo Baptista para sair impune, mas funciona. Ficou ruim pra carreira solo da Rita Lee, que está fazendo hora extra desde mais ou menos 1979. O som é excelente e o repertório tipo Eurocopa, só clássico: "Top top", "Ando meio desligado", "Batmacumba"; passa a faixa amarela em torno da cena do crime, não há mais nada para se ver aqui. Fim do show, direto para o hotel curar o jet lag e poder aproveitar o sol no dia seguinte.

Dezessete cervejas antes do almoço é muito bom - pra quê não se sabe. A dupla de reportagem exagera à beira da piscina, enquanto troca impressões sobre edições passadas do festival, ênfase nas festas. Um das evidências da queda de importância do evento é a falta de uma programação pós-show. Ninguém sabe dizer qual é a boa depois das apresentações - nem o experimentado jornalista da concorrência que divide o almoço (caldeirada) com o bonde da Bizz. É hora de estudar o adversário, que afirma estar ali para uma cobertura tipo standard do Festival, a confirmar na próxima edição, pode ser blefe.

Perdida a conta das cervejas consumidas, Matias e Arnaldo chegam daquele jeito, e quatro shows atrasados, para o dia dos camisas pretas - nenhuma comemoração nostálgica da milícia fascista, só o balaio de gatos de hardcore, emo e metal da segunda noite do Abril Pro Rock. O tempo das tretas é passado remoto, estabelecidos novos recordes de convivência pacífica. Do palco 1, João Gordo fala mal "dessas bandinhas que neguinho fica chorando, tá ligado?". Do outro lado do Centro de Convenções, sentados de costas para o Palco 2, carinhas de rímel e franjinha acham graça.

Depois do show, tentando uma entrevista, Matias é confundido com um traficante por João Gordo; o que não é de se estranhar - seu cavanhaque ralo e as camisas havaianas traem uma vocação inexplorada. Apesar disso, ou talvez por isso, ele consegue entrar com o gravador no camarim do Ratos, transcrição desse trecho da fita: " 'E aí, Gordo, falou mal das bandas emo no palco...' 'É, acho uma merda... ó a artista plástica aí, meu' (a mina do parangolé conceitual fazia vítimas indoors). 'Você foi ensacado também?' - 'É, fui'. 'O que você acha de neguinho que baixa música na internet?' - 'Não' (?). Clique, voz do Matias: 'O Gordo não está cooperando'".

Arnaldo assume o gravador para registrar o inacreditável vocalista do Udora: "Essa música é sobre o suicídio do meu paaaaaiiii!!!!", antes de sair pulando (!) pelo palco, expondo toda sua angústia em inglês. Terapia de grupo já teve sua voga, agora é a terapia de banda. Chega, geração emo, não nos conte os seus problemas. Vamos logo às atrações principais.

Na coletiva, Marky Ramone respondeu a provocação de um jornalista dizendo que continuava a tocar Ramones porque "as músicas valem a pena". Podia passar um abaixo-assinado no Abril Pro Rock, pogaram emos, punks e metaleiros em seu show com o genérico Tequila Baby. Depois disso, o Sepultura, também bastante desfalcado, cumpriu tabela - mas a essa altura a equipe de reportagem já está mais interessada em uma dica quente sobre a balada depois do encerramento do show.

Nosso heróis se metem depois no bar Garagem, que, como muitos avisaram bastante excitados, é uma oficina mecânica de meio período em um estabelecimento caindo aos pedaços. Na verdade é muito parecido com uma escola pública carioca média, mas a dupla finge um diplomático espanto. Lá dançava a atriz-sensação Hermila Guedes, que Matias ignorava até ouvir o relato das cenas em que a mina interpreta uma profissional da cama, à caráter, em "O Céu de Suely". Quem diria que essa viagem fosse despertar no cara o interesse pelo cinema nacional, foi na hora trocar uma idéia. Em tempo, troca justa: Hermila ganhou uma Tarja Preta, Matias não conseguiu o telefone.

No dia seguinte somos levados pelo fotógrafo Gilvan para o que batizamos Turnê Cadê Rogê: uma volta pela cidade atrás dos pontos turísticos da história do Mangue Bit. A primeira parada é ao lado do hotel, a Soparia que foi marco zero e quartel general do Estado Maior manguetrônico; agora é uma oficina de motos. No soup for you! Seguimos para Olinda, para almoçar (adivinhem o que) e conversar com uma das eminências pardas do movimento, Rogério, ex-Edie e hoje no excelente Bonsucesso Samba Clube. Ele acha que o mangue cumpriu sua função em abrir os ouvidos do Brasil para o som vindo de outras praças, embora nunca tenha emplacado como campeão de vendas. E melhor, mesmo que tenha gerado várias bandas que tentaram entrar na onda contratando um sujeito para tocar alfaia (na viagem sentimos um certo enfado dos pernambucanos com os diluidores do legado de Chico Science), a valorização dos ritmos regionais expulsou definitivamente a axé music do carnaval de Olinda.

No dia mais eclético (mais na moda dizer flex) do festival, compasso de espera para o show do Lee Perry. Teve hip hop (Êxito D'Rua), rock´n´roll básico (Monomotores), forró (Mestres do Forró), banda-ruim-de-nome-grande-com-vocalista-Avril-Lavigne-wannabe (Canto dos Malditos da Terra do Nunca), banda-ruim-de-nome-pequeno-com-vocalista-Brian-Molko-wannabe (Valentina). Ainda rolaram as atrações - nome inadequado, os quiosques de cerveja atrairam mais gente - internacionais: o Moptop francês The Film e o argentino Los Alamos, que tocaram um blues - do delta do Prata? - que parecia perfeito para um bar temático e não para um show situado nos anos 2000. Ah, se toda banda de country raiz tivesse antes que estagiar em um campo de algodão, menos e melhores blues.

The Playboys ofereceram alívio cômico em um festival de tantas bandas angustiadas. Piada interna recifense, fizeram campanha durante anos para tocar no Abril Pro Rock, além de uma música dedicada ao organizador do festival, "Paulo André não me ouve". Tocam com instrumentos de brinquedo rock básico (punk, 50´s, surf music) e deram uma sensacional sacaneada nas bandas que misturam eletrônico e maracatu com a paródica "Monólogo aos ouvidos dos imitadores", imitando a misancene de Chico Science. Ah, ainda rolou Rebeca da Matta - Pior cover de Vapor Barato, e olha que a concorrência não é fraca não. Ou o correto é dizer o contrário?

Arnaldo Branco: sou obrigado agora a narrar em primeira pessoa. O Matias bebeu ou fez alguma outra coisa em excesso - não devemos desprezar as reações metabólicas causadas pelo camarão - e ficou impraticável. A partir desse ponto a cobertura do show do Lee Perry é prejudicada pela minha saga para mantê-lo vivo diante da ação hostil de seguranças e de meninas pouco compreensivas. O inevitável acontece: tenta invadir o palco dançando e é expulso pela equipe de apoio. Agora calculem: se um cara naquele estado sente vontade de dançar, imagine o público que pagou e esperou pra isso - apresentação memorável. Uma carona salvadora nos deixa a salvo no hotel para a volta no dia seguinte.

xxxxxxx

"Arnaldo Branco e Matias Maximiliano! Arnaldo Branco e Matias Maximiliano! ÚLTIMA CHAMADA!".

A voz da mina do sistema de som do aeroporto dá a entender que a última chamada foi precedida de várias outras. Lúcio Maia, recostado no balcão do bar em frente ao portão de embarque ri apontando para a dupla retardatária correndo com as bagagens de mão.

Adeus, Recife, e obrigado pelos peixes!

junho 12, 2007

2 stoopid drawings

Dois cartuns, um que nem cheguei a mandar para a Bizz - já que está rolando um impasse se a revista vai continuar saindo ou não - e outro rascunho.

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Ah, e vocês devem ter percebido que os comentários estão saindo repetidos direto - como dá uma mensagem de erro depois da publicação, creio que tenha gente clicando no "post" mais de uma vez; não precisa. Me sinto meio como algum anfitrião explicando para não apertar muito forte a descarga do banheiro, mas essa nova versão do movable type conseguiu anular os acertos da versão anterior - meio o que o Dunga está fazendo na Seleção. Estou tentando experimentar o Word Press, mas ele também ser muito Arnaldo-friendly não. Acho que na Revolução Tecnológica tive meus direitos cassados.

junho 11, 2007

Presença sobre Presença

junho 7, 2007

Essa noite, não

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O Movable Type tem agora outra interface, que cagou os comentários e é muito mais difícil de usar. Ah, o novo pelo novo...

junho 4, 2007

A ficção como ela é

Isso era pra ser um texto para uma revista sobre a maldição da brodagem carioca no meio artístico, aí virou uma idéia de sinopse, aí ficou meio ruim e abandonei o cadáver - só não posso ser acusado de tentar ocultá-lo. Taí.

Pensando nessas novelas da Globo com nomes tipo "Laços de Família", "Algemas da paixão", imaginei uma chamada "Vínculos Empregatícios", e a trama seria exatamente sobre a produção de uma novela da Globo. Sei que a idéia é antiga ("Espelho Mágico", acho), mas minha história teria um plus, um twist: todos os núcleos temáticos estariam ligados por uma espécie de organograma de um grande cabide de emprego, como na vida real.

Tipo: o personagem principal, Léo Cunha, diretor da novela, escala para o papel da mocinha sua filha, a péssima atriz Dalma Farnsworth (nome artístico) apesar da cicatriz no pescoço que tem que esconder com um cachecol até nas cenas de praia - e do estrabismo, que o obriga a filmá-la sempre de lado. O namorado de Dalma na vida real, Ricardo Drjzemberhg (nome real), faz o galã, embora nunca tenha atuado antes a não ser como policial 2 em uma reconstituição de crime e seu contrato seja de risco - o fim do namoro implicaria na morte de seu personagem e em um período pré-estipulado de geladeira.

O núcleo pobre (formado por suburbanos que pegam três horas de ônibus e duas de fila pra fazer figuração na novela de Cunha) nunca perde o bom humor mesmo quando as melhores cenas de aparição-relâmpago são designadas para Ritinha, a prima vagabunda de uma das assistentes de direção, a recalcada Maria Aussiliadora (sic). Os momentos de lazer e descontração dos pobres se dão na Gafieira Elitista, de propriedade do marido de Maria, Zênicles, que mantém um caso com Ritinha bem como o apartamento onde se encontram quando ela não está trabalhando como figurante.

O núcleo de amigos do diretor Cunha é formado por camaradas da classe artística, todos lançando filmes, peças ou pousadinhas que são o tema das conversas no Restaurante do Nilo´s (o cara se chama Nilo´s mesmo), onde têm mesa cativa e sistema de permuta. Um dos principais frequentadores é o autor da novela, Fabio Fellonio, que escreveu para seu namorado Marcos, a pedidos, o papel de transformista que dubla Marilyn em uma boate - e na verdade é só isso o que ele faz, sem função aparente na trama, todos os dias, repetindo as músicas porque são 234 capítulos.

E daí iria a trama. No desfecho, pensei em algo como a proverbial carta de fim de novela, aquela que revela ser um determinado personagem filho de outro personagem - só ao contrário: a carta anônima (e-mail, vá) revelaria que determinado personagem não é filho de quem se pensava. O que daria em demissão.

junho 1, 2007

Público exigente

Cartum da Bizz.

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