Despedida do Allan e da Ilha de Sexy - a idéia e o desenho dos carinhas rindo no final são meus, cada um com as suas limitações...
O Allan estréia uma série de cartuns na Playboy de outubro (Luize Altenhofen) e eu e Léo começamos na Sexy do mesmo mês (Layse Sapucahy, percussionista da banda do D2) a tira do Joe Pimp e uma nova seção na última página: "O Sexysta", uma espécie de órgão informativo de classe - no caso os machistas não-praticantes. Cartas para a redação, de preferência indignadas.
Uma tira dos Pretos de Preto, mais para postar alguma coisa aqui do que por vaidade autoral. E aproveito pra avisar que atualizei o blog da Bizz e dizer que os 470 votos que o Capitão Presença levou na enquete da coluna à esquerda não elegem nem um vereador em Cariacica... embora a vitória em pontos percentuais mostre que o Preza é mais carismático que o Lula e mais qualquer coisa que o Alckmin, cqd.
Tive uma idéia para um musical, inspirado pelo sucesso de Smallville. Imaginei que se as pessoas têm interesse na adolescência do Super-Homem, talvez se liguem na de um cara realmente poderoso: Jesus Cristo. Comecei a escrever um número em que duas chefes de torcidas (cheerleaders para os íntimos da obra de Seymore Butts) comentam a chegada do novo rapaz na highschool. Elas fariam coreografias com os pompoms subindo e descendo a arquibancada do campo de futebol da escola, e a canção se chamaria "Do you believe in Jesus?". Tipo assim:
Do you believe in Jesus?
(A. Branco)
Have you met the new boy Jesus?
You know the guy is insane
He says he´s the One
That he's God's only son
And we all should worship his name
Do you belive in Jesus?
He speaks nothing but nonsense
He says he´ll turn water into wine
And it will be just as fine
As the ones that they make in France
Do you believe in Jesus?
He says he know all the tricks
But when he stood and said
That he could raise the dead
I told him to try Billy´s dick
E etc. Claro que deve haver um esquete do Monty Phyton ou do Kids in the Hall com a mesma idéia, porém bem desenvolvida. Mas há muitas subtramas exploráveis, pensem só: a primeira transa, questão sempre abordada em filmes de adolescente, teria outro viés - as estrepolias de Jesus tentando evitá-la ao invés de consumá-la. O Diabo no deserto seria só um amador diante da gulosa Debbie e suas companheiras de vestiário feminino... Maria Madalena seria a famosa mina que dá pra todo mundo menos para o nosso protagonista, daí o amor platônico e a amizade dúbia, que durará até a idade adulta...
Enfim, idéia irrealizada número 1.892. Graças a Deus.
Falei que não ia desenhar mais o Joe Pimp e tenho cumprido, mas vou colocar essas tiras antigas aqui 1) porque só tinham saído no Diário da Manhã e no finado primeiro blog da F. e 2) para provar a teoria de que desenhar mais dá a impressão de desenhar melhor. Essas foram as primeiras que mandei para o jornal, debitem o desenho menos tosco à empolgação inocente da época.
E a votação do Preza? Aí na coluna da esquerda, até agora 282 votos. C´mon, isso não elege nem o síndico do meu prédio... neguinho pedindo um canal para manifestar a descrença nos políticos, tô oferecendo na buena...
Todo mundo sabe que essas enquetes de internet são uma furada. Se dependesse delas, Maradona seria melhor que Pelé, Jesus maior que os Beatles e a Cicarelli seria condenada ao fogo da danação por puritanos otários. Mas essa é por uma boa causa: mensurar a popularidade do candidato número um dos que dão dois, o nosso, o vosso e, pelo menos no que tange as percentagens do preço de capa do livro, o meu Capitão Presença.
Como o TSE não teve o bom-senso de colocar o Preza como opção nas urnas eletrônicas apesar do clamor dos meus familiares, está aqui a via alternativa para você mandar seu voto de protesto contra tudo isto que está aí, e ali também. Em uma atípica demonstração de fairplay, botei na enquete também o nome dos dois outros caras que concorrem, o atual presidente e o outro que não é o atual presidente. A idéia é fomentar a disputa entre essas duas coisas que não existem mais mas ainda mobilizam as massas (descrição que cabe também para definir o campeonato carioca): a esquerda e a direita, representadas por internautas com graus variáveis de credulidade no tal processo democrático, tadinhos.
A urna está aí na coluna da esquerda, o procedimento você conhece, e o candidato também. Até a Polícia Federal está ligada, e olha que os caras estão assim de trabalho ultimamente.
Bonus track, a ilustração que fiz para a próxima Vizoo, a lição toon de hoje é: quando você desenha mal, desenhe bastante para disfarçar. Cliquem para ampliar.
Foto tirada pelo meu amigo Léo Martins, que apesar de desenhar muito não tem preconceito contra os artisticamente prejudicados, nem pediu para esterelizar os copos...
Só para dedicar à minha garota, que está na estrada e volta domingo. E dizer que atualizei o blog da Bizz, cheguem lá.
Então, sobre a apreensão do livro do Capitão Presença. Como já disse o Millôr, humoristas têm importância o suficiente para ser presos, e nenhuma para ser soltos... libera meu livro, seu guarda! Free Capitão Presença, a campanha.
O cara está concorrendo à presidência, no mínimo vai precisar justificar o voto e tal...
Será que posso processar o webmaster do site da PF por o cara ter me acusado de apologia sem passar pelas instâncias legais? E por ter chamado meu livro de "gibi"? Francamente...
Quem quiser prestar solidariedade ou esfregar um mandado na minha cara, estarei hoje (quarta, 20 de setembro) na 00 com Matias Maxx vendendo livros do Presença, detalhes no site aniversariante, o Urbe.
A campanha segue rumo a vitória final, ou a um resultado que nos livre da zona de rebaixamento. Preza Presidente, aperte e confirme.
E o Capitão Presença estará esta quarta-feira no 00 fazendo um corpo-a-corpo com as eleitoras que não estão no mapa de tabulação do Ibope. É aniversário de 3 anos e meio do nosso vizinho de Gardenal, o Urbe, tocado pelo Bruninho Natal, caso crônico de hiperatividade benigna. Lista amiga de 10 pilas no e-mail falaurbe@gmail.com.
Cristo, virei um blogueiro especializado em música, how low can I get?
Confundi e mandei antes pro ar o cartum da Bizz que está nas bancas agora - o da edição anterior é na real o daí abaixo. É o excesso de trabalho castigando as velhas artérias, mas pelo menos não estou pior que o Dahmer (ah, acompanhem as discussões da Confraria e se decepcionem conosco ou confirmem suas piores expectativas) que chama o tempo todo a Bizz, onde também trabalha, de Trip.
E falando em Bizz, atualizei minha coluna lá, com um assunto que me é muito caro: anos 80.
Falando em idéias que não vou aproveitar, todo mês mando para a Bizz várias opções de cartum (sem o desenho, só a descrição) para o editor escolher - melhor assim, divido a responsabilidade. Sempre sobra muita coisa que acabo não desenhando. Essas foram as três idéias inaproveitadas do mês:
1 - Legenda: "Amor à Primeira Vista" - Dois carinhas olhando uma revista pendurada em uma banca de jornais, um diz: "Essa é a minha nova banda favorita". O outro pergunta: "Como é o som?" O outro: "Sei lá?! Capa da NME, cara!!"
2 - Legenda: "Em 2026..." - uma festa revival dos anos dois mil (o cartaz pode dizer Trash 00´s). Um camaradinha com uma camisa dos Strokes, uma mina vestida com a roupa da Uma Thurman em Kill Bill, etc. O papo nostálgico das pessoas na festa, todo mundo com drinks na mão, rindo: "Lembra dos direitos autorais?" E outro carinha: "E das gravadoras?"
3 - Legenda: "Half Hit Wonder" - Apresentação de uma bandinha de caras na casa dos 40, meio barrigudos, carecas, etc. Atrás deles um cartaz grande: "Show 80´s". O vocalista diz: "Vocês não devem lembrar da gente, mas não acharam ninguém mais desqualificado para abrir para o Silvinho Blau-Blau..."
Duas idéias para contos, variações sobre um tema parecido
Não vou escrever mesmo, então podem servir de tema de redação para escritores iniciantes ou mesmo em fase de alfabetização. Bjs.
Idéia um: menina namora um sujeito que escreve, ou pinta, ou é músico, tanto faz a atividade artística - e não sabe se está apaixonada pelo homem ou pelo artista. Então, como a Dona Flor (aquela dos dois maridos), tem caso com os dois. O artista, é claro, faz o papel do Vadinho no livro do Jorge Amado, incorpóreo, sensual e dionisíaco; e o homem é mais falho, desinteressante, demasiadamente humano enfim. Tédio com segurança ou aventura sem descanso? Decisões, decisões. Terceiro elemento: o marchand, editor, empresário, o que for, do carinha, cheio da grana e más intenções...
Idéia dois: Escritor genial mas mau-caráter (tipo o Roberto Pompeu de Toledo - ou seria o contrário? Nunca lembro...) é uma fonte tão constante de bad kharma que morre e volta como um estudante medíocre obrigado a fazer um trabalho sobre sua própria obra. Narrado em primeira pessoa pelo estudante, com seu fluxo de pensamento cheio de erros de concordância. Para ser interpretado pelo Murilo Benício (o cara é repetente) na adaptação cinematográfica.
Vou reproduzir aqui o texto desta semana no blog da Bizz, muita gente reclama que não comenta lá porque não tem paciência para se cadastrar e tal. Nem sei se cabe muito aqui no Mau Humor, mas enfim.
"Bob Dylan acaba de lançar mais um disco. A imprensa britânica ficou de joelhos. 'Esplendoroso' e 'genial' foram alguns dos adjetivos nas páginas e páginas dedicadas a analisar 'Modern Times'. Se Osama Bin Laden aparecesse dançando ula-ula em um barco no Tâmisa, não ganharia tanto e tão nobres espaços no 'Guardian' e no 'Independent'. Ok, Bob Dylan é lenda, e 'Modern Times' está longe de ser ruim, mas... Será que o mundo precisa tanto assim de um novo disco do Bob Dylan? (se fosse o New Order, tudo bem, claro). O que eu sei é que sempre precisamos de bandas como Automatic e Be Your Own Pet. Bandas jovens que fazem música para jovens." - Thiago Ney, crítico da Folha de São Paulo
Clint Eastwood olha para a entrada de um Saloon em uma noite chuvosa. O caixão com o corpo de Morgan Freeman está ali em exibição, com um cartaz: "isso é o que acontece com assassinos por aqui". Ele entra no bar e pergunta: "who's the fella that owns this shithole"? O barman se apresenta e Clint atira com uma espingarda de dois canos. Gene Hackman, o xerife que também vai ser morto pelo forasteiro, diz: "você é um covarde que acabou de matar um homem desarmado". Clint: "Ele deveria ter se armado se queria decorar o bar dele com o cadáver do meu amigo".
Pequena introdução cinematográfica para justificar minha volta ao assunto música, que prometi não visitar muito por ser um diletante em uma revista de aficcionados. Mas esse Thiago Ney tentou enterrar meu ídolo, e devia estar preparado para a vingança. Não que meu ídolo se importe ou não possa responder sozinho ("Idiot wind, blowing every time you move your teeth / You're an idiot, babe / It's a wonder that you still know how to breathe"), mas vamos nessa.
Vou me eximir de ridicularizar a comparação da chegada do disco do Dylan à aparição de Bin Laden fazendo uma dancinha porque sei que humor é sempre uma tentação para quem definitivamente não é do ramo. Também vou levar em consideração que Thiago concede ao disco um "está longe de ser ruim", evidentemente uma tentativa de atingir algum recorde mundial de análise rasteira. E que, a despeito da validade de sua argumentação sobre a premência de uma música jovem, é necessário dizer que batizar uma banda de Be your own pet é, para dizer o mínimo, uma má decisão profissional.
E também vou deixar passar o evidente desleixo com que escreveu esse texto, uma vez que fica óbvio que lembrou, um pouco tarde para se arrepender do preâmbulo, de uma banda velha que julga relevante, e fez a ressalva. Mas é meio esquisito que dentre todos os dinossauros em circulação, só o New Order ganhe salvo-conduto. Não tem uma vaguinha no cânon do Thiago Ney pro Kraftwerk também? Ouvi falar que o NO deve muito a esses carinhas...
Mais que revoltado com a insistência em Bob Dylan por jornalistas decerto contemporâneos de Guttemberg, Thiago parece especialmente chateado por se tratar da imprensa inglesa, famosa em prosa, verso e piadas por lançar hypes em uma velocidade que vai além da capacidade do resto da humanidade de assimilá-los. Parece se sentir traído por uma mídia que julgava livre de artistas velhos, como alguém que se aborrece com o resto da família que se recusa a meter no asilo um incômodo parente idoso.
Thiago Ney é só mais um jornalista que sofre com a necessidade de ser, como naquele slogan antigo de jornal, "o primeiro a dar as últimas". A febre do novo pelo novo é uma pandemia, agravada pelo despreparo de críticos que são na verdade fãs com um amor muito descalibrado por sua própria coleção de discos. Caras que não sabem identificar bom-gosto em uma mesinha de centro ou a dose certa de sal em uma salada brincam de aferir "autenticidade" a essa ou aquela banda e chamam a isso crítica.
Necessidade de renovação é sempre uma boa tese, mas aplicada à Seleção Brasileira já justificou a entrada de Oséas no lugar de Romário. Acredito que é realmente importante manter a mente aberta para novos sons, e nunca recusei ouvir um CD por não ter "passado no teste do tempo" ou whatever. Mas nunca fiz o contrário, me empolgar porque está todo mundo dizendo que tenho que ouvir algum "novo som". Talvez com a idade tenha desenvolvido uma defesa natural à idéia de seguir algum messias 15 anos mais novo que eu - e demore mais a me render. Mas se houver talento na jogada, me rendo.
E o que é um jovem? Bob Dylan nunca se sentiu à vontade com nenhuma idade. Aos 23 anos escreveu uma música em que transforma as recordações de sua curta vida em épico: "I was so much older then / I'm younger than that now". Thiago Ney, como Dylan, talvez fique mais jovem com o tempo também.
Epílogo, uma breve parábola:
Lembram daquela banda, Jesus Jones? Era formada por uns carinhas de cabelo escovado pra frente que tocavam uma música chamada "Right here, right now" (acho que em 1990) sobre a queda do muro de Berlim, com este verso de uma exultante imodéstia: "Bob Dylan não tinha um assunto como esse para cantar a respeito". Repito a pergunta: lembram daquela banda, Jesus Jones?
1) Agora você pode acompanhar o epistolário dos casos de internação mais charmosos da internet: Allan Sieber, André Dahmer, Mr. Manson e minha pessoa em embates para a eternidade. Estamos poupando esse trabalho a nossos futuros netos inescrupulosos que fatalmente quererão compilar qualquer besteira que escrevermos para resgatar a memória deste país tão sem museus. Gênios trabalhando ou retardados matando serviço? Não responda agora.
2) Numa regra de três bem simples, o emo é o pagode do rock. Cabelos bizarros, roupas jacus e uma inebriante cornice romântica. Se a F. tivesse resenha de discos, Chico Barney era o cara para o serviço...