Questão de ordem
Pergunta de uma entrevista para um fanzine, salvei o txt mas não consegui achar
o e-mail.
Como você mesmo diz, quadrinhos sobre maconha tem um "índice de rejeição". Muita gente acha que o sucesso do Capitão Presença se deve ao tema polêmico e não à qualidade do material. Quem você está querendo atingir? Provavelmente muito cara que não curte quadrinho vai comprar só pela capa...
Primeiro: quanto mais livros conseguir vender para desavisados que olhem para a capa e só consigam pensar "hey dude! Tem uma folha de maconha, quanto custa?!", mais contente vou ficar - como nas palavras de W.C. Fields, "é imoral deixar que um otário conserve a sua grana".
Caras que curtem quadrinho mas não compram o livro porque estou "apelando" para o tema - com esses não tem discussão; nunca ocorre a essas antas que muitas pessoas escrevem sobre certos assuntos porque a incidência deles na vida do autor é banal, ou mesmo porque o autor desconsidera o potencial para a polêmica deles, uma vez que lhes são indiferentes. Todos esses caras que reclamam que a mídia apela muito para o sexo: fazem pouco. Espero que seja um público residual, como seus neurônios.
Caras que curtem quadrinhos mas acham que o tema é limitado, que me repito e tal. Bem, talvez... mas parte desses gostam de quadrinhos de super-herói, e quem tem alguma familiaridade com o gênero (eu tive, até meus 16 anos) sabe que tudo neles é preâmbulo para a cena em que os dois antagonistas vão se porrar, como os diálogos nos filmes pornôs são pretextos mambembes para as cenas de ação. Sei lá, Sargento Tainha massacrando o Zero, Bob Cuspe cuspindo, Charlie Brown errando a bola... quadrinho de humor é meio eterno retorno.
Ademais, em hq underground o que mais deve ter é personagem maconheiro, e nem todos (principalmente no Brasil) conseguiram a repercussão do Preza. Algum grau de originalidade ele deve ter. Gimme a little credit, will ya?
E quanto mais conseguir desagradar leitores que gostam de uma determinada classe de quadrinho adulto de cunho poético quase todo narrado (ao invés de nos balões de diálogo) nas legendas de pensamento do protagonista - geralmente um tipo urbano esperando o telefonema da mina que ele ama em vão; provavelmente como o autor da história, um sujeito solitário igualzinho porém menos magro; ufa, melhor.



Comments
Num sei não...Mas acho q tem neguinho por aí q fala cada coisa tão sem noção,q arrisco dizer q um cara desse tá é caçando cavalo na cabeça do chifre,não é nem chifre na cabeça do cavalo não,de tão absurdo...
Na minha opinião,a polêmica está nos olhos de quem vê; no caso do Presença,nos de quem lê.Tem nego por aí q gosta de fazer alarde com tudo.E não sabe nem o q q tá falando.
Penso q na cabeça do criador,é desejo q a cria atinja quem por ela se interesse.O sucesso do Preza por aí é inquestionável.A qualidade do produto,idem.
Eu não fumo maconha,não fumo nem cigarro 'convencional',e no entanto,sou extremamente apaixonada pelo personagem.Não comprei o livro pq bati o olho e vi uma folha de maconha e a fumacinha na capa não.'Nada substitui o talento',falou o disse quem fez essa campanha publicitária q eu nem me lembro de q q era...
Mas enfim,acho q Arnaldo,Preza & Cia Ltda. estão além da capacidade de compreensão de mta gente.Aí o cara não entende e mete a língua...Ê laiá!
Posted by: Juliana Machado | agosto 26, 2006 2:15 AM
Eu acho o Garfield genial, por exemplo (questão de gosto, pessoas), e os temas dos quadrinhos são recorrentes. Então eu não entendo a patrulha, a não ser que a gente se lembre que brasileiro tem raiva do sucesso, como já foi dito por gente bem mais capacitada do que eu. Arnaldo, ponta, digo, bola pra frente e fodam-se os hipócritas.
Posted by: Renato K. | agosto 28, 2006 10:56 AM
Ju, a linha esta desocupada, pode me ligar!
Posted by: Engenheiro | agosto 28, 2006 8:20 PM