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Sangue mau

F.



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« junho 2006 | Main | agosto 2006 »

julho 31, 2006

It´s alive!

Almirante Nelson – Meus ancestrais navegantes ficavam muitos meses no mar, para fazer a Rota da Seda e trazer o produto da Ásia. Hoje o usuário encontra seda em qualquer loja de conveniência, a dois minutos de casa. A modernidade matou o romantismo – ou é tudo vã nostalgia deste velho lobo do mar?

Capitão Presença – Pois é , Marco Pólo devia ser canonizado, trouxe para o ocidente a seda e o Miojo, Top 1 Larica de Todos os Tempos. Esse era preza. Eu prefiro facilidade, saca, vida de maconheiro já tem muito perrengue. Andar com o Mané Bandeira já é aventura suficiente - e na real sou a favor da legalização até para poder impressionar as gatas na seção de Importados do super… imagina as estantes: Jamaica, México…

Mais uma entrevista com o Capitão Presença, desta vez pelo Almirante Nelson (alterego do imediato Nelson Moraes) em seu mundialmente famoso Ao Mirante, Nelson! Esse Preza está muito saidinho - tipo o Amigo da Onça, que ficou tão famoso que levou seu criador (o cartunista Péricles Maranhão) ao suicídio. Ha, mato esse puto antes...

Clique na imagem abaixo e veja uma página colorida da versão de Lost ("Without") do livro do Preza.

prezacorwithpeq.gif

Do it yourself

Muito classe esse site gerador de tiras, dica do bromco, ideal para quem como eu detesta (e não sabe) desenhar. Infelizmente não tem muitos iconezinhos para escolher - fiz um Mundinho Animal com os parcos recursos disponíveis, depois redesenho com os bichinhos de praxe...

mundanimgenemcmb.gif

julho 28, 2006

Clash of Titans

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Quadrinho da história em que Joe Pimp se encontra (quer dizer, mais ou menos) com o Capitão Presença - desenhada pelo Leo, você vai ler na já mítica Tarja Preta #5. Falando em Presença, mais uma entrevista, no portal Comunique-se, por Tiago Cordeiro. Íntegra nos comments, já que nem todo mundo vai ter paciência para se cadastrar.

julho 27, 2006

Flor de Obsessão

Sempre essa mulher fatal.

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Disfuncionalismo público

Não costumo fazer isso, responder comentários fora da caixa de comentários, mas vejam se esse cara - que está falando sobre essa minha entrevista - não pediu.

Nem todo funcionário público é encostado e seria menos ainda se houvessem menos cargos de confiança e concursos fraudados e mais cobrança por produtividade.
Usar o funcionário público como sinônimo de inútil é tratar o assunto levianamente e assim incentivar que seu contra cheque tenha mordidas cada vez maiores.

Posted by: Funcionário público | julho 26, 2006 10:08 PM

1) Humor é julgamento sumário, tribunal de exceção, cara. Tratar assuntos levianamente é modus operandi. Se não gostou, entra na fila de reclamações, atrás da loura burra.

2) Onde foi que chamei funcionário público de encostado? O que eu disse: "Mas acho que ninguém pode se fiar nisso (em subsídio governamental) pra construir uma carreira artística - pra esses sugiro o funcionalismo público". Ou seja, quem quiser ganhar dinheiro do governo, que preste concurso. Nenhum juízo de valor sobre a profissão. O que me deixou curioso - de que concurso fraudado você participou, para passar sendo analfabeto funcional? Jeez.

E agora, todos cantando comigo: "Maria Candelária, é alta funcionária, saltou de pára-quedas e caiu na letra O ó ó ó..."

"Quem perder, vira"

Contabilizando o Estadual de 96, em que não chegamos a precisar jogar uma decisão, mas ganhamos deles a final dos dois turnos... parabéns ao Vasco por realizar nesse ano tão sofrido para todos os brasileiros o sonho do HEXA!

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"O Vasco é o time da virada, o Vasco é o time do amoooor...". Da virada pode até ser, dependendo do que os caras estejam querendo dizer com esse termo, mas do amor não é não: o amor sempre vence no final...

julho 25, 2006

Cinema Velho

Mundinho Animal.

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Lente da verdade

Entrevista para o Pedro de Luna, do Bigorna.

1) Vivemos numa sociedade onde muito se fala em liberdade de expressão. Mas sabemos que a repressão ainda existe. Você nunca se preocupou ou nunca aconteceu algum tipo de censura, ameaça ou coisa do tipo com vc e o Capitão Presença? Por exemplo, todo mundo da sua família, do prédio, etc agora sabe que voce gosta muito da planta...

Liberdade de expressão... cara, um país em que existe o ditado: "quem fala o que quer acaba ouvindo o que não quer" só pode ser um país de censores enrustidos. Sempre achei que falar o que se quer e ser obrigado a ouvir o que não se deseja (ou concorda) fosse a base da democracia. Temos alma de síndico de prédio, estamos sempre reprimindo, dando palpite sobre o que fulano ou sicrano devia fazer ou dizer. Então já estou acostumado, o Presença é o de menos.

Bem, há o risco de ser enquadrado por apologia, mas essa lei é tão cheia de buracos e aberta a tantas alternativas de interpretação que acredito que um advogado do naipe do que cuidou do caso das vítimas do Palace II me livre dessa, se rolar acusação. Aliás, quer ver apologia de verdade? Pergunta sobre a erva para um paciente de glaucoma com permissão médica para se tratar com canabis...

Tem outra coisa nesse país: somos recordistas em analfabetismo funcional, não conseguimos entender claramente o que lemos e ouvimos - confundimos o personagem com o ator, achamos que um roteiro é improvisado na hora por quem declama as falas... então eu poderia (atenção para o futuro do pretérito) ser abstêmio para criar o Presença; meu super-poder é o da observação. Mas como disse, estou acostumado (aposto que você também) a ser mal-interpretado, então não me importo...

2) Vc prefere desenhar sóbrio ou chapado?

Sóbrio, sou profissional em relação a meus vícios, não deixo que nenhum hobby idiota como desenhar quadrinhos atrapalhe nenhum deles.

3) a coletanea que forma o livro foi toda tirada de material ja publicado na F e na net ou tem uma parte inedita?

A maior parte das minhas coisas (cento e blau páginas) é inédita, quando a Conrad encomendou o álbum eu só tinha tipo umas trinta tiras e duas histórias de duas páginas prontas. Tive que correr, porque me deram seis meses de prazo - com um trabalho de 9 às 6, mais tiras diárias e cartuns para a Bizz e para a Sexy para fazer, te asseguro que não foi fácil... mas me esmerei, meu objetivo era deixar a parada engraçada a ponto de fazer o delegado responsável pela minha prisão rir - e consequentemente, pegar mais leve comigo.

4) O Sieber que é teu parceiro não pensou em fazer o desenho animado ou o curta do Capitao Presença?

O Sieber vive atolado nos projetos dele, nem teria cara de botar o Preza na fila da Toscographics. Na real dá pra fazer com outros caras, eu é que sou preguiçoso demais.

5) qual o melhor fumo que ja te apresentaram? Foi o Matias quem botou?

Não lembro, na real - e não sei distinguir essas coisas muito bem, bebo muito no processo, saca? Sou bagaceiro de berço, pra mim chocolate suíço e Prestígio tinham o mesmo gosto.

6) dá pra ver que vc não se preocupa muito com técnica. O traço é simples, beirando o tosco, e vc só pinta no micro o necessário. A idéia é essa mesmo ou na verdade vc é mais um roteirista que um desenhista?

Odeio desenhar e odeio aprender. Quer dizer, odeio aprender da forma clássica. Por exemplo, no caso do texto: leio muito e vejo muitos filmes por prazer, e claro que isso vai fazendo a diferença na hora de bolar minhas coisas - costumo dizer que o segredo da originalidade é não lembrar direito onde foi que você já leu aquilo. Mas a técnica de desenho se aprende ou frequentando um curso ou desenhando bastante, e não gosto das duas coisas. Mas claro que gostaria de desenhar bem como o Crumb, o Angeli, o Sieber, o Leonardo, o Zimbres, o Jaca. Se pudesse fazer um download de traço, como em 'Matrix'...

7) e por fim, gostaria de saber por que vc acha que a lei dos quadrinhos (ainda em votação lá em Brasilia) não é uma luta sua. O que pensa a respeito? És um anarquista? hehehe

A única política que apóio para a Cultura é a Condescendência Zero, em todos os setores. Talvez nem tivesse pudor em botar a mão em qualquer subsídio, trabalho com carteira assinada há dez anos e tenho toneladas de contracheques com o registro das mordidas mensais em casa - ia me sentir mais ressarcido do que culpado. Mas acho que ninguém pode se fiar nisso pra construir uma carreira artística - pra esses sugiro o funcionalismo público, forchrissakes.

E sobre as cotas para quadrin(h?)istas nacionais em publicações impressas, fala sério: um quadrinho que realmente cative o público, ou tenha qualidades evidentes, acaba chegando a um veículo ou outro através do boca-a-boca. A internet está aí, foi o caso dos Malvados, por exemplo. O critério tem que ser qualidade sempre (ou interesse do público - se uma tira de valor contestável atrai leitores, bem, há que se suportar essas franquias do Ziraldo e do Miguel Paiva). Preferia ver mais gente como Peter Bagge, Johnny Ryan e Kaz nos jornais brasileiros, por exemplo, do que um cartunista sem muito engenho - mas, vejam só, nascido em Quiprocó da Serrinha, brasileiro da gema...

julho 24, 2006

Preza Press

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A Liv escreveu uma matéria muito sagaz sobre o livro do Capitão Presença no Almanaque Virtual - e de lambuja fez uma entrevista bastante esclarecedora (explanadora seria mais correto) com o Preza. A menina botou nosso herói nas cordas, obrigando o cara a exercitar a esquiva...

Saíram notas legais na Época, n´O Globo (em uma matéria sobre a La Cucaracha) e em vários jornais pelo país também. Algumas bizarramente empolgadas com o alto teor canábico do livro, está rolando alguma greve de Editores-Chefe ou algo assim? Só li uma notinha contra ("Supererrado"), na Tribuna da Imprensa - viro straight edge se esse cara leu o livro. Beijos nos corações.

julho 21, 2006

A luta continua

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Para ajudar a finaciar a campanha, hoje Matias Maxx (o alterego do Presença, não contem para ninguém da Entorpecentes) vai estar vendendo desenhos originais do sensacional curta de animação do Allan, Santa de Casa. A partir das 19 hs, na La Cucaracha - Rua Teixeira de Melo, 31-H, Ipanema. Tudo pela transparência!

julho 20, 2006

"The title bitch don´t apply to all women / but all women have a little bitch in ´em..."

F#5 em construção.

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julho 14, 2006

Dead dog

Essa aí eu não tinha postado porque esse disco de covers do cara passou tão despercebido que achei que não cabia. Mas enfim.

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julho 13, 2006

Reciclável, como o lixo.

Queria pedir desculpas pra quem já acompanha isso aqui há mais tempo (mal aí Chico Barney, mal aí Coiote), porque é a terceira vez que reaproveito essa bagaça. Isso é o que sobrou de uma peça de teatro que escrevi (o nome era "um a zero") quando reduzi a bicha a uma cena para um concurso de esquetes aí.

Lembrei dela porque o Rabu me botou uma pilha para inscrever alguma coisa em outra competição - e me dei conta que era o mesmo concurso (que me deixou traumatizado, a vencedora daquela edição tinha dezoito anos e ia gastar parte substancial do prêmio em dinheiro em um livro do TUNGA, Cristo). Então, como os arquivos de 2005 para trás não estão mais no ar, taí de novo.

Eu falei que estou sem material...


Vaidade Autoral

Arnaldo Allemand Branco

(Um cara - um dramaturgo, 30 e poucos anos - em uma mesa de bar, bebendo e fumando. Do outro lado do palco entra seu amigo - mesma faixa de idade, de ressaca)

Cara 1 - Que porra de cara é essa?

Cara 2 - (Com a mão no rosto, tapando a vista) Ooooh. Oooh. Toda minha vida está passando diante dos meus olhos. Oh não, lá vem a parte do colégio interno.

Cara 1 - O que foi, o médico te desenganou? Se for doença degenerativa do cérebro você me deve 20 pratas.

Cara 2 - Nah, é ressaca. Fui numa rave ontem. Ou foi anteontem? Ontem eu acho que foi quando eu dormi.

Cara 1 - Ah é? Mas tu é gregário barbaridade, hein? Tem rave da terceira idade agora, é?

Cara 2 - Ô Patrulha, desliga a sirene. Fui lá mas levei meu senso crítico, OK? Aliás, falando em patrulha, sou eu ou você está usando roupa de fazer ginástica? O que isso quer dizer?

Cara 1 - Meu uniforme nazista está lavando. O que que você acha? Vou começar a fazer ginástica. Correr na praia.

Cara 2 - "Intelectual não vai a praia, intelectual bebe". Paulo Francis. Falando nisso (apontando pro copo do outro), beber não atrapalha a aerofagia?

Cara 1 - Decidi só começar segunda-feira. Intelectual é a mãe.

Cara 2 - Não a minha. A minha precisa de um dicionário pra ler o Tio Patinhas. Ooou minha cabeça.

Cara 1 - Você devia experimentar fazer ginástica também, isso que tu tem deve ser o ar que você respira com dificuldade pra encontrar o teu cérebro.

Cara 2 - "Prefiro atrofiar". Woody Allen. Minha cabeça, como dói. Será que é muito tarde pra ligar pro Dr. Marcelo?

Cara 1 - Não acredito que você vai perturbar o cara de novo só por causa de uma ressaca.

Cara 2 - Como assim de novo? Até parece que eu sou agulhado assim com esses lances de saúde.

Cara 1 - Não? Quando o cara disse que você ainda tinha as amígdalas a tua pergunta foi: "mas é benigno?".

Cara 2 - Ah, não fode. (Pausa) Vem cá, como foi lá na reunião? O cara leu a tua peça?

Cara 1 - Claro que não. Se ele tivesse lido, não me dava patrocínio nem se estivesse precisando lavar dinheiro.

Cara 2 - Afinal, sobre o que é a peça? Por que é que ninguém se interessa em bancar?

Cara 1 - Ahn, bem. É assim: tem esse cara com dupla personalidade. Uma é boazinha, quando ela assume o cara fica super-legal, entende a namorada, ouve John Coltrane e tal. A outra personalidade é má, aí o cara mata por prazer, vota no PFL, não recicla o lixo e por aí vai. Aí o cara morre.

Cara 2 - Como o cara morre?

Cara 1 - A personalidade boa dele volta bem no meio da chacina do Carandiru. Aí o cara morre, mas como ele foi bom e mau ao mesmo tempo, surge a questão: pra onde a alma do cara vai? Aí começa a maior batalha judicial entre o Céu e o Inferno, com Tribunal, Júri, a porra toda. Eu tava pensando em botar como advogado do diabo alguém assim, quer dizer, eu pensei em Hitler, mas sei lá, muito clichê. Então eu botei a Norma Bengell.

Cara 2 - A Norma Bengell ainda não morreu.

Cara 1 - Ainda nem começaram os ensaios, quem sabe até lá. E na defesa do Céu eu botei o Rui Barbosa. Já pensou, Norma Bengell X Rui Barbosa? Numa batalha judicial de vida ou morte? Dá o maior caldo.

Cara 2 - (Olha para o amigo um tempo, entendendo o que há de errado com a peça) Mas teve a reunião? Como foi?

Cara 1 - Cara... foi o mesmo que vender curso de leitura dinâmica pra analfabeto.

Cara 2 - Sim, o cara não entendeu sua proposta, é um capitalista insensível, bla, bla, bla. Mas e aí? E a grana?

Cara 1 - (Sem muita empolgação) Ah, consegui. O cara fechou comigo, vai bancar tudo. Mas com uma condição, vou ter que dar um papel pra uma atriz aí.

Cara 2 - Uma atriz aí? Quem?

Cara 1 - Sei lá, o cara também não sabe o nome. Ele disse que ela é a "Selminha" de "A força do amor". "A força do amor" é uma novela aí.

Cara 2 - Eu sei, conheço essa tal, puta, a mulher é péssima! Você topou?

Cara 1 - Por que não? Tanto faz pra mim. O que é uma atriz? É alguém que a gente acha o máximo porque consegue decorar uma porrada de frases de outros autores.

Cara 2 - Não sei não. Quando ela fez "Hamlet" a Bárbara Heliodora escreveu que achava estranho que ela no papel de Ofélia cometesse e não induzisse suicídio. Vai por mim, essa mulher é a maior canastra. Mas afinal, porque o cara faz tanta questão da sujeita na peça?

Cara 1 - Bem, ele me pediu pra apurar se ela era casada, lésbica ou se tinha alguma doença.

Cara 2 - Ah, saquei. Hum, uma doença ela tem. Mas o cara pode ficar tranquilo. Ninfomania tem cura. (Ele faz o gesto com as mãos espalmadas e afastadas que quer dizer "pau grande").

Cara 1 - Então beleza. Descobre o nome dela pra mim e eu ligo pra fazer o convite.

Cara 2 - Olha lá, cara. O cérebro dessa mulher parece que só tem um hemisfério. Outro dia ela perguntou numa entrevista se com o Método Stanislavsky ela teria que cortar alimentos ricos em proteína.

Cara 1 - É ela ou vou ter que montar essa parada em porta de fábrica.

Cara 2 - O povo não deve saber como se fazem as leis, as salsichas e a captação de recursos.

Cara 1 - Vem cá, e a tua peça?

Cara 2 - Qual peça?

Cara 1 - Aquela que tem um nome engraçado.

Cara 2 - "Édipo Gay"?

Cara 1 - Não... aquela, "Seis personagens a procura do autor pra dar porrada"?

Cara 2 - Ah, essa. Foi pra gaveta. O pessoal do grupo resolveu montar a peça do... (baixa o tom de voz e faz o gesto com a cabeça, como se apontasse alguém no bar, olhando na direção da platéia)...a peça dele.

Cara 1 - (Apontando na direção) Do... dele? Cara, nem sabia que esse bar era tão mal freqüentado. Puta, esse mané é o pior. O teatro do cara é auto-indulgente, é sentimentalóide, pretensioso, superficial. Foi ele que me inspirou o professor bêbado e impotente de “Biblioteconomia é destino”. Puta, se existisse um Inferno pra autor teatral, e fosse que nem o Dante descreveu, com aqueles Círculos todos e tal, iam ter que esquartejar o filho da puta.

Cara 2 - É, é foda.Se o governo permitisse a eutanásia em casos de morte cerebral, esse cara finalmente ia poder descansar em paz. Enfim, foda-se. Hoje vamos ficar muito bêbados.

Cara 1 - (Levando a mão ao peito e fazendo uma careta) Cara, acho que já estou muito bêbado.

Cara 2 - (Erguendo o copo e declamando a letra do samba) "Bendito seja / bendito seja / o alemão que inventou a cerveja".

Cara 1 - Quem inventou a cerveja foram os fenícios.

Cara 2 - Não fode, dá uma licença poética aí pro Martinho da Vila...

(Trevas)

FIM

julho 11, 2006

Zona de rebaixamento

Entrevista - vai virar uma matéria para O Popular, de Goiânia (como neguinho se liga em quadrinho lá, cara, bacana). Sim, estou sem material para vocês e a idéia aqui é encher lingüiça - não é crime ainda, não?

1. HQs são chamadas por muitos como a 9ª Arte. Você concorda? Você acha que esse trabalho goza desse status hoje em dia?

Nona arte... costumo dizer que estamos na zona de rebaixamento - e fico especulando qual seria a oitava arte, pintura em porcelana? Mas é uma discussão deveras subjetiva.

John Steinbeck dizia que Al Capp, com seu "Ferdinando", merecia o Nobel de Literatura. O Millôr Fernandes acha o cartunista e artista gráfico Saul Steinberg maior do que Picasso (sem intenção de trocadilho), porque este trabalhava dentro do conceito abstrato de arte e aquele com idéias - a que Millôr atribui maior valor ("uma imagem vale mais que mil palavras, tente dizer isso sem palavras").

O reconhecimento disso é complicado, porque a formação do cânon não depende de gente sensata como Millôr ou Steinbeck - enquanto aquelas paródias meia-boca de quadrinhos do Roy Lichtenstein correm o mundo em exposições, um gênio evidente como George Herriman ("Krazy Kat") é uma nota de pé de página, uma curiosidade no livro da História da Arte.

2. Como foi que começou sua carreira? Quando você se descobriu desenhista, cartunista?

Começou tarde, mas eu sabia desde cedo que poderia ser uma opção, depois de rockstar. Sempre desenhava nos meus cadernos (Graúnas, personagens do Angeli, etc). Só fui voltar a desenhar aos 26, 27 anos para um jornal da comunidade de Vigário Geral (uma tira chamada "Blackmen in Black - Os Pretos de Preto").

3. Até que ponto a tecnologia influencia nesse trabalho? Ela chega a ter um papel preponderante?

Pra mim a ferramenta baldinho de tinta do Photoshop é a maior invenção da humanidade. Antes usava métodos para colorir as tiras que prefiro não comentar, por vergonha. Mandar os trabalhos por e-mail - e publicá-los em sites e blogs - também me parece mais eficiente do que esperar a) um office boy vir buscar e b) o trabalho das rotativas.

4. Ainda há algum tipo de preconceito em relação a esse trabalho?

Claro. Muitos jornalistas ainda abrem suas matérias sobre quadrinhos explicando que existe um segmento de quadrinhos para adultos, como se a notoriedade de artistas como Angeli e Laerte não dispensasse o articulista deste tipo de introdução. Isso quando sai alguma coisa a respeito, perdemos em espaço nos periódicos até para, meu Deus, artistas performáticos...

O preconceito também se manifesta na hora de combinar salários com os orgãos de imprensa - algumas das ofertas te dão nostalgia dos tempos anteriores à Revolução Industrial...

5. Em qual tipo de trabalho é possível soltar mais a criatividade? Em gibis, tiras, em quê?

Se você tem talento, em todos os meios. O que você pode fazer a mais em uma revista ou fanzine próprio é ser mais contudente - o que não quer dizer, necessariamente, mais criativo.

6. O cinema também influencia, de alguma maneira, o trabalho que você desenvolve, já que as HQs não param de ganhar adaptações para a tela grande?

No meu caso, completamente. Mesmo que meu trabalho seja mais de tiras, de piadas de três quadrinhos (nas palavras do Laerte "um competidor de tiro curto"), gosto de pensar no desenvolvimento e conclusão da piada como um diálogo de cinema. Acho que roteiristas como Billy Wilder, Ernest Lehman, David Mamet e Woody Allen me influenciaram mais que muitos quadrin(h?)istas.

Agora, sobre essas adaptações de quadrinhos para cinema, tenho um tanto de pé atrás. Um bom personagem de quadrinho se basta nesse meio, e a sanha de Hollywood em ir atrás das HQs me parece mais fruto de um esgotamento criativo - e da monocultura sazonal de gêneros (filmes-catástrofe, terror asiático, comédias colegiais) - do que de um interesse genuíno pelo "valor artístico" da tal nona arte.

7. E o que você vislumbra para o futuro nessa área? Quais as inovações que você prevê para a arte em quadrinhos?

Vejo um pouco como o destino da humanidade em "O Exterminador do Futuro" - o mundo dominado por máquinas e os desenhistas de quadrinhos vivendo debaixo da terra, tocando uma arte morta por força do hábito... brincadeira, nada tão sombrio. Pelo contrário, acho que o interesse por quadrinhos vai crescer - como cresceu com o advento da internet, que ajudou muita gente a descobrir novos - e velhos - autores. O número de artistas atrás de um lugar ao sol também deve aumentar - mas também como em "O Exterminador do Futuro", os fortes devem sobreviver.

Drugs are bad mmmmmk?

Tarja Preta número cinco: a leeeenda, brother...

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julho 5, 2006

Notícias Populares

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Classe a manchete que saiu na capa de cultura do GlobOn: Herói maconheiro candidato à Presidência! Chama atenção para a matéria do Augusto Sales sobre o lançamento do "Aventuras do Capitão Presença" hoje em São Paulo - e sobre a candidatura do Preza, claro. Pra lembrar os lesados, o serviço:

Onde?
Lançamento em SP do livro Capitão Presença de Arnaldo Branco
Studio SP (Rua Inácio Pereira da Rocha, 170)
05 de julho de 2006 às 22h30
Atrações: autor presente no local autografando, show da banda Echo Sound
System, DJ Daniel Ganjaman (do Instituto) e livro a venda no local
Ingressos: R$ 15,00 sem nome na lista;
R$ 10,00 com nome na lista.

"I never saw a dame yet that didn't understand a good slap in the mouth or a slug from a .45"

Ilha de Sexy de junho.

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Peace, unity, love and having fun

Quarta edição da Soul Baby Soul! A festa black importada de Bangu para o Centro da Cidade (no Cabaret Kalesa, Rua Sacadura Cabral 61). Sir Dema, Peixinho, Leandro Petersen e Lucio Branco são o verdadeiro quadrado mágico, a mescla de veteranos e novatos que funciona. O som é aquilo: Nite-Litters, JB´s, Joe Tex - linhas de baixo gordas, enfim. Gêrourãpa!

E mais, a volta da sensacional Silvia Machete, a performer que faz coisas incríveis enquanto gira vários bambolês - na última apresentação ela apertou um cigarro suspeito e acendeu. Ela promete se superar. Oh my God.

Na filipeta, foto de Bo Diddley em sua fase funky-sado-masô. Black Warrior!

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