3 paradinhas
Como dizia o Milan Kundera, quando morremos somos transformados em kitsch (aliás, essa frase se transformou na "tu te tornas responsável por aquilo que cativas" dele, e o próprio Kundera se transformou em uma espécie de clássico infantil para uma crítica arrependida pelo hype nos anos 80).
Chamada do GlobOn: "sucesso de Bussunda começou com mistura de humor e crítica política". Porra, o cara que foi um dos fundadores do AntiPasquim está sendo enterrado como um colega do Chico Caruso. Putaqueopariu.
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Quando o Bento XVI disse "Onde estava Deus?" em um passeio por Auschwitz fiquei esperando que alguém mandasse o evidente cartum em que Deus responderia: "Onde estava a Igreja?", mas ninguém fez. Você vê como futebol muda o foco das atenções rapidinho...
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E falando em futebol: o mundo é um enorme Casagrande. Como o comentarista que se especializou em falar para o espectador, com palavras demais, exatamente o que o espectador acabou de ver, assim são as pessoas. O Brasil joga mal, não vamos ganhar essa Copa. Joga bem a Argentina, favoritíssima. Ronaldo joga mal, a culpa é dele, lima o cara.
Todo mundo se arriscando a morder a língua na próxima rodada. A capa do caderno de esportes do Globo hoje, sobre os argentinos, era algo como "eles têm futebol - e não têm bolhas, estresse, febre, favoritismo". Cara, esta parece ser uma das seleções mais tranquilas jamais concentrada: não tem problemas de dinheiro; não tem bad boys (o que acho uma pena); um diz que prefere ser reserva do craque na berlinda; outro que devia ser titular sem causar chilique no tal titular - essa histeria com favoritismo e bolhas é total coisa do Casagrandismo da torcida e da imprensa. Sobre esta: Lula estava errado, Ronaldo tem razão.
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"AntiPasquim" é perfeito. A frase, de fato, é uma sacanagem com mr. Besserman.
(E talvez o Kundera tenha sido transformado em kitsch ainda antes de morrer, não?)
"esta parece ser uma das seleções mais tranquilas jamais concentrada: não tem problemas de dinheiro; não tem bad-boys (o que acho uma pena); um diz que prefere ser reserva do craque na berlinda; outro que devia ser titular sem causar chilique no tal titular"
Será que a seleção não está se comportando assim pela histeria nacional? (o Big Brother Seleção, antes do começo da Copa, estava hilário). Ou eles se acalmam, ou deixam a histeria entrar. E eles estão agindo com bastante maturidade, isso é de se reconhecer...
É verdade, Mr. Guava. Nas feiras do livro aqui do Rio, no stand de 3 reais, os recordistas são: qualquer livro do Carlos Eduardo Novaes, a autobiografia da Liv Ulman e Milan Kundera.
Coitado, o revival dos anos 80 esqueceu dele e da Marion Zimmer Bradley...
Lembro que a primeira vez em que li um livro do cara meu choque foi "tchecoeslovacos também trepam?"
Cara, se o Felipão é o paizão que ganha os jogadores na base do suborno (na Copa passada, com a exceção dos goleiros reservas, todos os jogadores entraram em campo), o Parreira é o estrategista. Vai dizer que em 94 não foi lance de gênio botar o Dunga e o Romário no mesmo quarto?
Gosto muita da calma dele, parece uma aberração no país do Galvão Bueno.
E reproduzo a título de segunda opinião esse post genial do Mozart (http://www.wunderblogs.com/mozart):
Cinema, Futebol e Cerveja
Levei os primos anteontem para verem Harry Potter e os Presidiários de Benfica. Menos careta que os anteriores, menor, dá pra assistir sem maiores problemas. O livro, pra variar, é muito melhor. Uma razão, por exemplo, seria no filme haver um excesso de reviravoltas em muito pouco tempo, e com menos explicações que o devido.
Mas o que realmente me encuca no momento é a declaração de Parreira, de que "o empate foi um bom resultado". Não foi; o time do Chile é muito ruim. Eu até entendo a frustração do técnico, que viu dois gols ilegítimos num só jogo impedirem o resultado que considera ideal -- 0x0 --, mas isso não altera o fato do Chile ser um lixo.
Na penúltima partida, Parreira afirmou que "a defesa foi o ponto alto da seleção", mas foi justamente o contrário. É um caso clássico de internação; Parreira fantasia, em vez de encarar a realidade, vivendo num pequeno mundo protegido, com seu velho conselheiro e mentor Jedi ao lado, berrando algo para que a soma cabalística, 13, venha em socorro.
Como a história do Brasil se resume a "1500: descoberta, 1822: independência, 58-62-70: tricampeonato, 1994-2002: penta", sempre considerei o cargo de técnico da seleção tão ou mais importante que o de presidente. Já que Parreira e Lula se mostram incapazes para suas funções, e não podem ser retirados sem derramamento de sangue, sugiro um troca-troca.
A seleção precisa de pulso firme e sabedoria de botequim; o governo, de alguém com o mínimo de inteligência e sonhos. Parreira presidente, Lula seleção.
Playboy bom é japonês, australiano / Fala feio e mora longe / Não me chama de mano!
Pra dentro!
(eu sei, é "chinês, australiano")
Olá, Arnaldo! Eu escrevi um texto citando o lance do Capitão Preza e a creative commons no http://cabruuum.blogspot.com. É um texto bem descontraído, só encaminhando para links. Seria bacana que tu pudesse ir lá e comentar; inclusive, se quiser escrever um texto para postar, eu te empresto o espaço. É muito bacana esse lance, o assunto pode ser desenvolvido (uma sugestão seria escrever justamente como começou essa história com o Capitão Preza).
É isso. Espero que goste. Abraço.
achei que só eu não estava comovida com a morte do bussunda.
que bom.
Um amigo meu sugeriu que o Bernardinho do vôlei fosse o técnico da selecinha.
Apoiado. Aqueles milionários fanfarrões que se dizem jogadores iriam ouvir umas verdades a 200dB!
Pois é, Arnaldo -nunca soube de ninguém que levasse pra Trash 80's um volume d'"A Insustentável Leveza do Ser". E poderiam levar -não destoaria muito. :)
Agora, acho que não pode haver maior sacanagem com o Kundera do que ele ir parar na mesma pilha de trerreal do Carlos Eduardo Novaes. Abraços.
Eu até me comovi com a morte do Bussunda. Como disse o Madureira, morrer dessa forma, tão abruptamente, é ruim pra quem fica. E ele fez muita graça na televisão e, na minha opinião, essas cenas podem até ser lembradas, desde que isso não se transforme num "Mamonas Assassinas 2".
Quanto ao Bernardinho na seleção, é uma boa. Acho que falta mesmo é motivação nesse time de "twinkle, twinkle, little stars". E motivar as pessoas, ele sabe fazer.
A frase "Tu te tornas responsável por aquilo que cativas" não de Antoine de Saint-Exupery? É de um trecho do livro o Pequeno Príncipe
Ficou difícil de entender que estou dizendo que a frase sobre kitsch do Kundera virou pra ele a mesma coisa que a frase do "cativas" é pro Exupery - tipo, o epitáfio do cara e tal?
Mal aí, estava megatorto quando escrevi esse post...
Milan Kundera ainda está vivo?
Sim acho q está vivo e mora na França...
Megatorto? Até assim vc manda bem...
Deus (que é brasileiro, pff), incomodado com a má atuação da Seleção, resolve interceder certo nas linhas tortas do quadrado mágico.Convocou para isso seu Anjo Exterminador:"Luís, traga-me a cabeça daquele jogador, gordinho que tá atrapalhando a Seleção"
E lá foi o Anjo Exterminador, que, apesar de ser espanhol, não conhecia Ronaldo.O Anjo se confundiu e levou o Bussunda.Roberto Marinho, ficou bravo com o erro, mas Deus acalmou seu chefe dizendo:"Terça-feira tem Ibope alto no Casseta e Planeta"
A idéia do "onde estava a igreja" é óbvia, mas é boa. Se ninguém fez, ué, faz você!