A
Paixão de Cristo
Milagre,
só na bilheteria
(The
Passion of the Christ), EUA-Itália, 2004. Direção
de Mel Gibson. Jim Caviezel, Monica Bellucci. 121 min.

O
Marca Diabo é suspeito para falar mal de A Paixão de
Cristo. Ainda mais que esse filme vem sendo saudado às mil
maravilhas pelo pessoal da direita norte-americana e pelos setores mais
conservadores da Igreja Católica. Mas vamos lá. Ao contrário
do que os jornalistas menos informados vêm dizendo, o filme do
Mel Gibson não é uma super-produção (o custo
total, por volta de US$ 25 milhões, mal paga o cachê da
Julia Roberts) e não traz
polêmica alguma. Faz dois mil anos que o pessoal sabe que Jesus
sofreu como um condenado (ahá, e ele era um condenado mesmo),
levou chibatada, cusparada, carregou a cruz e morreu pregado. Era assim
na Bíblia e é assim no filme, tintim por tintim. Então,
não venham com essa de que o filme é polêmico -
o excesso de violência na verdade é um argumento para que
os cristãos continuem professando sua fé.
A Paixão de Cristo é
um filme brega, muito brega. Flashbacks e cenas em slow motion a dar
com pau é coisa que pega mal até em novela do SBT. Ainda
bem que é falado em aramaico e em latim, porque se tivéssemos
que ouvi-lo em inglês seria insuportável. Nisso, Mel Gibson
fez bem. A idéia de explorar somente as últimas doze horas
da vida de Jesus também se mostrou uma boa intenção,
ao fugir um pouco do padrão dos filmes bíblicos. O lado
ruim é que ficamos privados de ver Mônica Bellucci interpretando
o lado profano de Maria Madalena, este sim um santo pecado.
Quanto
aos personagens, não sobra muita coisa. Jim Caviezel (JC até
no nome) nem pôde desempenhar o papel direito porque ele passa
quase o filme inteiro apanhando. Os demais (judeus, romanos, galileus)
são maniqueístas - é céu ou inferno. Por
isso, a comunidade judaica chiou ao se ver como responsáveis
pela crucificação de Jesus. Essa é a maior polêmica
do filme, e olhe lá. Até mesmo um diabo metrossexual que
carrega um bebê peludo (!?!?) aparece no meio da história.
Ao se ater ao sofrimento de Jesus Cristo
- e jogar sangue pra tudo quanto é lado - o filme acaba ficando
chato. Afinal, não é divertido ver ninguém apanhar
daquele jeito por tanto tempo e depois de uns dez minutos o impacto
se perde, mas provavelmente essa foi justamente a idéia que Mel
Gibson quis passar - transpor o calvário do filho de Deus em
Jerusalém pros filhos de Deus (inclua-se nessa quem se achar
no direito) que foram pro cinema. Mas o ex-Máquina Mortífera
se deu bem. Co-produziu um filme de orçamento limitado e viu
a bilheteria passar dos US$ 300 milhões, só nos Estados
Unidos, em menos de um mês de exibição. Do Brasil,
ele vai levar uma grana preta também - o filme estreou em mais
de 500 salas (em Curitiba, um pastor batista gostou tanto que comprou
1.660 ingressos pra distribuir entre os jovens da sua igreja). Do ponto
de vista financeiro, Gibson mostrou que sabe fazer milagre. Agora só
falta fazer um filme decente.
Fabrício Rodrigues
Cotações:




Leonard
Cohen



Philip Roth


Senor Abravanel

Henri
Sobel
Ariel
Sharon