B
Negão - Enxugando Gelo
Na
manha, até o caroço
"A palavra me fustiga,
a palavra me futuca...".




Bernardo
B Negão instiga e vai atrás da novidade. Tinha um material
de primeira nas mãos mas ninguém pra lhe dar guarida.
Agora, com o lançamento da revista/CD que, segundo o publisher
Lobão, está aí pra "constranger o mercadão"
(leia a entrevista aqui),
B Negão fica na linha de frente e se esbalda com bases de tudo
que é estilo, anarquizando padrões e metendo ragga, hardcore,
hip-hop, funkzão carioca e funkzão com metais pelos ouvidos.
Mesmo se não fosse bom, Enxugando
Gelo já teria moral perante os independentes - aquela mitologia
heróica de que "pelo menos fez", como se qualidade
fosse só um detalhe que vem com o tempo ($$). Acontece que o
disco é muito bom e tem panca pra encarar o esquemão,
esta sim uma atitude para constranger quem precisa ser constrangido.
E também quem não precisa. A intimidadora "(Funk)
Até o Caroço" manda um "qual é, neguinho?"
pra Marcelo D2 enquanto "A Verdadeira Dança do Patinho"
engole a fase miami-bass do De Falla com um Furacão 2000 sindicalista.
"Qual é o seu nome?" deveria ser hit-parade de colégio,
só pra molecadinha de hoje parar de dizer que CPM 22 é
hardcore. E pra completar, sobra uma rápida estilingada a "Meu
Bem Querer", do Dejavã no nipo-rap "Dorobo", escorado
por Sabotage.
O problema em geral dos discos que pretendem
passar uma mensagem é a tal da "falta de cultura pra cuspir
na estrutura". Aqui, o problema passa longe com ataques espertos
("subsídio da mídia para o cultivo de amebas")
e filosofia malandra ("apego pelo tempo melhor não tê-lo,
segurá-lo não quero nem há como contê-lo").
Caso as idéias maligrinas de Lobão derem certo, a cabulosa
"Enxugando Gelo" vem com a frase ideal para a campanha anti-mercadão:
"Sorria, você está com o filme queimado".
Fabrício Rodrigues
Cotações:




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