Matéria
Festival da
confusão
Trapalhada na venda
de ingressos frustra expectativa para o Curitiba Pop Festival
Foram
pelo menos dois meses de expectativa até sair a confirmação
de que as bandas Pixies e Teenage Fanclub iriam ser as atrações
principais do agora badalado Curitiba Pop Festival, marcado para os
dias 7 e 8 de maio na capital paranaense. Somando o fato de que este
seria o único show da turnê de volta dos Pixies na América
Latina e que a Ópera de Arame, onde irão acontecer os
shows, comporta, no talo, pouco mais de três mil pessoas, já
era de se esperar que milhares de fãs ficassem choramingando
por não terem conseguido comprar as entradas.
O problema veio depois. Na sexta-feira,
12 de março, a organização do festival (responsabilidade
da Fundação Cultural de Curitiba) avisou que os ingressos
poderiam ser comprados na segunda seguinte (15/03) pelo site www.curitibapopfestival.com.
Não aconteceu. Na manhã de terça-feira entrou uma
mensagem no site informando que os ingressos seriam vendidos a partir
das 22 horas. Outra furada, porque às 18 horas o site do festival
já tinha despachado o primeiro lote de dois mil ingressos.
Sobrariam outros mil ingressos (que de
repente viraram dois mil) a serem vendidos on-line ontem, dia 22, às
11 da manhã. Duas horas e meia depois da hora marcada, nada de
ingressos à venda. Ligo então para a empresa responsável
(Calvin Entretenimento) para perguntar sobre o porquê do atraso
e sou beneficiado com uma informação sigilosa: "iremos
vender os ingressos on-line a partir das três da tarde".
OK, então por que não anunciam este horário no
site? "Tivemos alguns problemas técnicos", responde
de forma lacônica a moça
que
me atendeu. Insisti na questão: "Certo. Mas por que vocês
anunciaram, na semana passada, que iriam vender os ingressos na noite
de terça e no fim da tarde já estava tudo esgotado?"
Ela também insistiu na resposta que havia dado antes: "É
que iríamos vender os ingressos na segunda-feira, mas por problemas
técnicos adiamos para a terça". Não renderia
um monte de queixas ao Procon?
Venda avulsa não deu nem pro cheiro
- Pelo site, só era possível comprar o ingresso promocional
para os dois dias (anunciado por R$ 100, mas na prática com R$
10 a mais por ingresso, fora a taxa de entrega). Quem preferiu comprar
"no balcão" para só um dos dias do festival
ou pra pagar meia com a carteirinha de estudante precisou ter muita
paciência. Só havia um ponto fixo para compra de ingressos
(no Memorial de Curitiba), que funcionou justamente no mesmo horário
em que o segundo lote de ingressos começaria a ser vendido no
site. A diferença é que, no Memorial, só havia
250 ingressos disponíveis, que foram esgotados em pouco mais
de uma hora. A Fundação Cultural de Curitiba alegou que
outros 100 ingressos devem ser postos a venda em data ainda não
definida. Mas não adianta se empolgar - a fila de espera para
os últimos tíquetes passa dos 500 nomes. Às cinco
da tarde de ontem, o site do festival anunciava "ingressos esgotados".
Sorte de quem comprou a mais e vai poder brincar de cambista.
Érico Nielski