Matéria
Falam os Discípulos
do Aço
Rápida conversa com
os responsáveis pelo portal brasileiro da Era Hiboriana
Existe
um endereço que é a referência nacional a tudo o que diga respeito a
Conan e a Era Hiboriana: http://rpgrock.net/cronicas,
também conhecido como Crônicas da Ciméria. Mantido há três anos por
Osvaldo Magalhães e mais recentemente em parceria com Alessandro Nunes,
que reformulou totalmente o site, o portal antigamente era vizinho d’O
Malaco (o site antecessor do marca Diabo) na HPG. Em seu novo endereço,
a home page dedicada ao personagem ganhou contornos profissionais e
aumentou o conteúdo aos seus usuários, chamados de Discípulos do Aço
entre eles.
Para saber o que esses especialistas
em Conan estão achando das novidades a respeito do bárbaro, como sua
nova revista e os boatos em torno de um terceiro filme, o Marca Diabo
acionou por e-mail o cronista Osvaldo Magalhães e o discípulo
Douglas Oliveira Donin. Em suas identidades civis, ambos são bancários
e ávidos colecionadores de praticamente tudo o que leva a marca Conan
- Donin há 10 anos e Magalhães desde 1987.
Marca Diabo - Quais suas expectativas
para essa nova série da Dark Horse?
Douglas Oliveira Donin - Sinceramente... não tenho muitas esperanças.
Acho que o tempo do Conan já passou. Aliás, acho que o tempo dos quadrinhos
americanos (pelo menos os mainstream) de qualidade já passou. Nessa
época de quadrinhos rasos, preocupados apenas com a "arte" (leia-se:
violência gráfica e sensualidade gratuita), acho que nada será mais
autêntico a não ser coisas alternativas.
Osvaldo Magalhães - Desde dezembro do ano passado, quando coloquei
as mãos em meu
exemplar
de Conan: The legend #0, todas as minhas xpectativas foram confirmadas.
Embora sucinto, o roteiro de Busiek deu provas da qualidade que vem
acompanhando seu trabalho nos últimos anos; e a arte de Nord realmente
me impressionou neste primeiro contato com seu estilo. Todavia, embora
confiante no talento da dupla e no carisma do personagem, estou meio
que "em cima do muro" sobre esta situação. Afinal, o que realmente vai
importar é o retorno financeiro que isso implica lá nos EUA.
MD -O novo roteirista, Kurt
Busiek, prometeu ser fiel aos textos originais dos pulps e criticou
algumas das adaptações feitas para os quadrinhos do Roy Thomas dizendo
que o texto da época era muito prolixo e excessivamente descritivo.
Vocês concordam com a crítica?
DOD - Não acho tão fundamentada. Cresci lendo as adaptações de
Thomas para as obras de Carter e de Camp, e não as considero ruins.
Inclusive, estão acima de qualquer material produzido hoje em dia nos
quadrinhos.
OM - Não. Roy Thomas também foi fiel a Howard, ao menos enquanto
fez as adaptações dos contos. Por serem adaptações, era praticamente
impossível escrever as histórias com poucos recordatórios ou diálogos
- e não concordo que tenham sido prolixos, peremptoriamente. Mas esperemos
para ver se o próprio Busiek se limitará nas adaptações dos textos e
deixará a ação por conta da arte, ou não.
MD
- Qual a opinião de vocês a respeito da arte de Cary Nord e Dave
Stewart com esse polêmico recurso de dispensar arte-final tradicional
e partir do lápis direto para a colorização? Dá para comparar com material
clássico de Buscema/Alcala ou do Windsor-Smith?
DOD - Interessante, muito interessante... mas tenho que superar
minha estranheza de ler Conan colorido. Além disso, me parece estranho
qualquer Conan que não seja visualmente semelhante ao de John Buscema/Tony
de Zuñiga (o ápice da arte de Conan) ou Buscema/Ernie Chan. Questão
de costume.
OM - Na minha opinião, as fases artísticas de Conan são bem distintas.
Fazer comparações, com qualquer uma das fases ulteriores a Smith e Buscema/Alcala
é covardia. Smith foi um inovador e se tornou mestre em seu estilo ainda
pouco antes de deixar Conan. Buscema/Alcala é a dupla mais detalhista
e realista que já vi. Os desenhos de Buscema são perfeitos e ele não
pode ser comparado de maneira alguma. Agora, artistas mais recentes
também são excelentes, cada um com seu estilo. Como é o caso de Jim
Lee, Mike Deodato e Andy Kubert - além de muitos outros bons desenhistas
Marvel/DC/Image. Nord está ganhando seu espaço já há algum tempo, mas
sua maior chance está aí. Todavia, se olharmos bem, John Buscema era
um mestre tanto em arte para cor como para P&B, e isso não é fácil de
se conciliar num mesmo estilo imutável.
Como estão suas expectativas a respeito
dos rumores do novo filme do bárbaro, desta vez assinado pelos irmãos
Matrix? E dos dois longas anteriores, o que acharam deles?
DOD - Minhas expectativas são bem baixas. Hollywood é Hollywood,
e os Irmãos Wachowski demonstraram ser grandes marqueteiros e péssimos
roteiristas. Agora, se me dessem um filme do Conan para fazer, sabem
como eu faria? Filmaria Conan, o Libertador (ESC 37-40) [N.E.:
seqüência de histórias da revista Espada Selvagem de Conan, da
editora Abril, que mostram o cimério conquistando o trono a Aquilônia.
Uma excelente escolha, diga-se]. Em preto e branco, como A Lista
de Schindler. Com uma cenografia meio antiga, inspirada na impressionista
alemã.
OM - Sobre o terceiro filme, já estamos há mais de dois anos
nesse clima de expectativa e confesso que estou bastante desanimado
quanto a isso. Boatos e mais boatos circulam pela mídia e nada de concreto
realmente parece estar acontecendo. Ainda mais agora com Schwarzenegger
de fora do projeto, já que o grandão agora é governador da Califórnia.
O primeiro filme, Conan, o Bárbaro, foi um primor de produção;
bastante avançado para os padrões da época. O segundo, Conan, o Destruidor,
não deixa de ter seus méritos, mas caiu em uma tendência um tanto quanto
juvenil, se enquadrando no que chamo de filmes de "sessão da tarde".
Mas ambos são "cults" e eu não me canso de assisti-los.
Entrevista:
Romeu Martins