Grandes malacos da história - Especial Olimpíadas

Galeria dos grandes malacos
Figuras inesquecíveis que ajudaram a dar uma entortada no mundo

 

CARBAJAL, Felix - O primeiro grande atleta olímpico de Cuba foi o esgrimista Ramón Fonst, ouro na espada individual em 1900 e em 1904, no florete individual e por equipes em 1904. Mas o cubano que ganhou notoriedade nos Jogos de Saint Louis foi um carteiro que decidiu disputar a maratona. E ajudou a fazer daquela a edição mais bagunçada e folclórica da prova.

Dono de um fôlego invejável, decidiu se inscrever na maratona assim que soube que os Jogos Olímpicos seriam disputados nos Estados Unidos. Para juntar dinheiro, se apresentou em casas noturnas de Havana em espetáculos de proezas de gosto duvidoso, como ficar bastante tempo submerso em barris cheios de água.

Sua primeira parada em território norte-americano foi Nova Orleans, onde tentaria se apresentar mais vezes para aumentar suas economias. Acabou perdendo o pouco que tinha nos cassinos da cidade. Só conseguiu chegar a Saint Louis pegando diversas caronas pelo caminho.

Estava só com a roupa do corpo, o que, no caso, era uma calça comprida, camisa de mangas longas e coturno. O cubano acabou atraindo a simpatia dos demais atletas, que o ajudaram a cortar as calças e as mangas da camisa, transformando aquilo em “bermuda” e “camiseta”. Um outro corredor ainda emprestou um par de sapatilhas que tinha de reserva.

Durante a corrida, Carbajal parecia não se importar muito com a competição. Abandonou o trajeto para pegar maçãs em um pomar (aliás, as frutas estavam estragadas e o cubano teve de parar novamente, dessa vez para vomitar) e parou algumas vezes para conversar com os torcedores. Incrivelmente, terminou em quarto lugar.

Foi proclamado pelos adversários como “o mais glorioso perdedor da história das Olimpíadas”.

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Aquela prova ficou mais conhecida por outro caso folclórico. O norte-americano Fred Lorz foi o primeiro a chegar ao estádio e completar a distância. Foi congratulado e posou ao lado de Alicie Roosevelt, filha de Theodore Roosevelt. Quando saía com sua medalha de ouro, foi denunciado. Lorz havia desistido da prova após 15 km. Pegou ma carona em uma carroça e decidiu recomeçar a corrida no km 32. Confessou a trapaça e cedeu a vitória ao compatriota Thomas Hicks, que havia tomado estricnina e conhaque para ter forças para chegar ao fim. Como não havia controle antidoping naquela época, ficou com o ouro.

Ubiratan Leal

Texto publicado originalmente no site Balípodo