Grandes malacos da história

Galeria dos grandes malacos
Figuras inesquecíveis que ajudaram a dar uma entortada no mundo

 

Hoje Sócrates continua mandando bem nos programas esportivos e em sua coluna na Carta CapitalSÓCRATES - Num passado não muito distante, era possível ser um sujeito normal e jogar futebol profissionalmente ao mesmo tempo. É o caso de um estudante de Medicina que bebia, fumava, era alto e magrela demais, odiava concentração, não era dos mais habilidosos do time e mesmo assim chegou ao posto de capitão da Seleção Brasileira em duas Copas do Mundo: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira.

O "Doutor", que também atende pela alcunha de "Magrão", foi tão importante para o Corinthians entre o final dos anos 70 e metade dos 80 que o eterno presidente do time, Vicente Matheus, afirmou que Sócrates era "invendável e imprestável", pois não queria se desfazer de seu craque. Líder dentro e fora de campo, Sócrates foi um dos artífices (ao lado do lateral Wladimir e do centroavante Casagrande) da "democracia corinthiana", política inédita em clubes de futebol no país, no qual todo mundo (do reserva ao diretor de futebol) tinha o mesmo direito de voto na hora de tomar decisões. Isso permitiu, por exemplo, que o Corinthians acabasse com o esquema de concentração na véspera dos jogos (para alívio do Magrão). "Se cada jogador tiver que cuidar da própria resistência, será mais responsável", alegava.

Para compensar o biotipo anti-desportista, Sócrates se valeu de uma visão de jogo fora-de-série e do sempre eficiente calcanhar, com o qual chegou até a bater pênalti. "Joga melhor deNa Seleção, ficou marcado injustamente pelo pênalti perdido na Copa de 86 costas do que de frente", exagerou Pelé certa vez. Além dos passes e lançamentos certeiros, marcou 318 gols na carreira por times como Botafogo de Ribeirão Preto, Corinthians, Fiorentina, Flamengo e Santos.

Depois de brilhar no time do Parque São Jorge, Sócrates usou a braçadeira de capitão na Copa da Espanha, em 1982, liderando a brilhante equipe que não conseguiu passar pela Itália e lutar pelo tetracampeonato. Voltou ao time de Telê Santana no Mundial seguinte, marcou o gol da vitória na estréia contra a Espanha, mas acabou perdendo um pênalti na dramática decisão contra a França, nas quartas-de-final, jogo que marcou sua despedida da Seleção. Fato lembrado por Jô Soares na estréia de seu talk-show na Globo, quando perguntou ao Doutor se aquele erro continuava lhe tirando o sono. A resposta: "Nunca sequer tive pesadelo com isso". Sócrates sabia que aquilo tinha sido um lapso, embora na hora errada. Em 36 pênaltis cobrados pelo Corinthians, perdeu apenas um.

Fabrício Rodrigues