Grandes
malacos da história
Galeria
dos grandes malacos
Figuras inesquecíveis
que ajudaram a dar uma entortada no mundo
CASH,
Johnny - Se existe um artista que tem igual importância para
o rock, a música country e a música folk, esse homem é
Johnny Cash. Filho de uma família miserável do Arkansas,
aos 12 anos ele começou a escrever suas próprias canções,
inspiradas na música country que ouvia no rádio. Na juventude,
Cash serviu o exército americano na Alemanha, trabalhando como
operador de rádio. Desta temporada, ele trouxe duas lembranças:
uma cicatriz no queixo provocada por um dentista bêbado tentando
arrancar um siso, e uma surdez, resultado de um lápis enfiado
em sua orelha esquerda por uma garota. Em 1955 ele foi contratado pela
Sun Records, se juntando a um cast que continha Elvis Presley, Jerry
Lee Lewis e Carl Perkins (juntos, eles ficaram conhecidos como "o
quarteto de um milhão de dólares").
Seguiram-se vários hits (ao todo
foram mais de 150 aparições nas paradas em quase 50 anos
de carreira) e outras tantas confusões. Sempre vestido de preto,
o homem de voz profunda sempre teve predileção por armas,
drogas e álcool. No começo dos anos 60, para suportar
a maratona de shows pelos Estados Unidos, Cash passou a consumir anfetaminas
como se fossem balinhas de goma. Histórias de surras que dava
em sua primeira esposa e de quartos de hotéis destruídos
passaram a queimar o filme do músico com os produtores. Em 1963,
abandonou sua família e foi para Nova York, fugindo da acusação
de ter começado um incêndio em uma floresta. Dois anos
depois, Cash foi preso por contrabandear anfetaminas em seu estojo de
guitarra, sendo liberado sob fiança. Após se divorciar
da esposa, Cash começou a se relacionar com a backing vocal June
Carter, que o converteu ao cristianismo fervoroso.
No
ano de 1968 ele gravou seu álbum clássico At Folsom
Prison, ao vivo em uma das penitenciárias mais barra-pesada
dos Estados Unidos. Composto em sua maioria por músicas que tem
crimes como tema, o disco é de uma pungência desconcertante.
Em "Folsom Prison Blues", quando ele canta "matei um
homem em Reno/ Só pra ver ele morrer", é ovacionado
pelo público de condenados. E tome canções sobre
drogas ("Cocaine Blues"), corredor da morte ("25 Minutes
to Go") e outros assuntos cabreiros. Depois de manter um relativo
sucesso nos anos 70 e de ficar meio apagado nos 80, ele teve um retorno
espetacular nos 90. Produzido pelo barbudo Rick Rubin, conhecido por
seus trabalhos com Slayer e Public Enemy, American Recordings
(1994) era uma volta às raízes cruas em canções
suas e de gente como Tom Waits. Em 1996 é a vez de Unchained,
mais uma vez produzido por Rubin, com Tom Petty & The Heartbreakers
como banda de apoio. Além de músicas próprias,
Cash regravou canções de Soundgarden, Beck, Glenn Danzig
e Leonard Cohen. Depois foi a vez de American Recordings III: Solitary
Man, em que o homem de preto continua sua saga. No ano passado,
seu último álbum em vida: American IV: The Man Comes
Around, nada menos que uma obra-prima.
Gabriel Rocha