Grandes malacos da história

Galeria dos grandes malacos
Figuras inesquecíveis que ajudaram a dar uma entortada no mundo

 

GONÇALVES, Nelson - Com míseros cinco anos ele já demonstrava a personalidade que iria marcá-lo como um dos artistas mais malacos do Brasil. O pequeno Nelson Gonçalves foi expulso da escola por se recusar a cantar o Hino Nacional, o que levou seu pai, um português chamado Manoel, a bolar um castigo com cara de piada. O portuga arrastava o moleque pra se apresentar com ele, cantando em praças, feiras e moquifos paulistanos. Detalhe: seu Manoel se fingia de cego. Desse modo esquisito foi despertada a vocação daquele que provavelmente foi o gago que mais vendeu discos no mundo: 78 milhões no total. Seu vozeirão ficou registrado em 200 compactos, 183 discos de 78 rpm, 127 LPs e 26 CDs, gravados até 98, o ano de sua morte, fazendo do bôemio um dos cantores mais produtivos da BMG.

Mas não vai achando que foi fácil pra ele virar ídolo das multidões. Antes da fama, Nelson foi jornaleiro, engraxate, mecânico, garçom e lutador de boxe. Consta que nessa última atividade, com a qual chegou a se tornar campeão paulista amador como meio-médio, sua principal inspiração foi dar porrada nos moleques que enchiam seu saco no futebol. Mas essas foram suas profissões oficiais. Diz a lenda que, quando Nelson foi tentar a vida no Rio, na década de 30, quatro prostitutas da Lapa trabalhavam pra encher o bolso do figura.

Foi só em 41 que começou a carreira do cantor, quando a Rádio Mayrink Veiga, graças ao apoio do cantor Carlos Galhardo, o contratou. Mas foi aí também que Nelson passou a se interessar com mais afinco pela cocaína, algo que acabou dando muita dor de cabeça. Um dos traficas que lhe vendia pó ficou desconfiado de treta, quando o cara desistiu de uma compra, e acabou bancando o dedo-duro. Em 66, Nelson Gonçalves foi preso na Casa de Detenção de São Paulo por uso e tráfico de druegas. Ele ficou engaiolado por um mês, até provar que não comercializava o produto, só o metia pra dentro. Mas o homem gostava de contar que nesses 30 dias, os dotes de lutador foram bastante úteis. Segundo ele, no primeiro dia já procurou saber quem mandava no pedaço, chegou junto e foi logo dando porrada, só pra mostrar que não era chegado em brincadeira.

Romeu Martins