Grandes
malacos da história
Galeria
dos grandes malacos
Figuras inesquecíveis
que ajudaram a dar uma entortada no mundo
MARCATTI,
Francisco - Foi uma dinamarquesa que virou a cabeça do pacato
Chico e o transformou em Marcatti, um dos maiores nomes dos quadrinhos
undergrounds deste país. E como toda dinamarquesa, esta também
atendia por um nome dos mais esquisitos: Rex Rotary, modelo 1501. Ela
é uma impressora offset de mesa, comprada por Marcatti com a
grana de uma herança. Com essa máquina, ele criou sua
própria editora, a Pro-C, responsável pela divulgação
do trabalho de 24 quadrinistas.
Na editora, Marcatti jogava em todas as
posições. Escrevia, desenhava, arte finalizava, imprimia,
grampeava, cortava, distribuia... Até parte do material químico
utilizado na revelação do fotolito era feito pelo homem.
"As revistas da Pro-C levavam em média 20 dias neste processo,
considerando inclusive as tiragens de 1.000 exemplares em média,
e mais uma semana para o Marcatti limpar a tinta até do cabelo",
é o que informa o site dele (www.marcatti.net).
Pelos seus cálculos, de 1978 até metade de 2001, ele produziu
133 HQs, em um total de 675 páginas. E mais, de 79 até
abril de 93, sua editora foi responsável pela criação
e distribuição de 37 revistas.
Se você acha que o Ziraldo foi corajoso
ao lançar uma publicação chamada Bundas,
o que dizer de títulos como Mijo, Lodo, Over
12, Restolhada, Creme de Milho com Bacon, entre outras?
Com a famosa dificuldade de distribuição de fanzines no
Brasil, quem conhece o trabalho de Marcatti é por sua contribuição
em revistas como Chiclete com Banana e Porrada! Especial.
Mas não temos mais do que nos queixar,
pois a editora Escala está (N.E.: Estava?) publicando
uma revista mensal (e colorida), inteiramente feita por Marcatti e distribuída
nacionalmente. O personagem título é Frauzio (ver
resenhas de comics), um nerd esquisitóide como a maioria
das criações escatológicas marcattianas. Originalmente,
não era para ele ser protagonista de quadrinhos, mas sim um personagem
de jogo de computador. Sim, depois da lambuzaria dos tempos de fanzines,
agora Marcatti investe nos games. O primeiro de sua autoria é
Zé, o Bebão, seguido por Solange e, aí sim, sai
as aventuras de Frauzio. Do offset aos simuladores, o que importa é
que o mau gosto e o baixo nível continuam.
Romeu Martins