Grandes malacos da história

Galeria dos grandes malacos
Figuras inesquecíveis que ajudaram a dar uma entortada no mundo

 

DICK, Philip K. - Se a intenção de Hollywood com Uma Mente Brilhante era contar a história de um criador genial envolvido em um mundo de paranóia e maluquice, a platéia teria muito a ganhar se o matemático mala John Nash fosse substituído pelo escritor Philip Kindred Dick (1928-82). Ganharia muito mais ainda se não houvesse os famosos cortes melosos (como aqueles que tornaram o giletão do Nash em um marido fiel e salvo da tal paranóia pelo amor incondicional de sua esposa...) e focasse a vida regada a anfetaminas, um pouco de LSD e a meia dúzia de casamentos malsucedidos de Dick. Se não levou um Nobel, o escritor recebeu o prêmio máximo da categoria a que se dedicou por um quarto de século, a literatura sci-fi. O Homem do Castelo Alto, escrito há exatos 40 anos, foi laureado com o Hugo Awards por sua versão alternativa da II Guerra, com os EUA dominados por alemães e japoneses.

Essa obra, aliás, é um bom exemplo dos métodos exóticos empregados por Dick. O livro foi feito com a ajuda do I-Ching (aquele texto chinês que mistura filosofia e adivinhação). Nas centenas de escritos do cara, sua marca registrada sempre foi um mundo caótico e uma profunda desesperança. Caso do mais famoso deles, Do Androids Dream of Electric Sheep?, de 68, que inspirou o filme Blade Runner, e também do conto de 31 páginas que acabou de inspirar o recente Minority Report. Aquele improvável filme sobre a vida desse autor nada ortodoxo não poderia deixar de falar da sua fase mais pirotécnica, quando ele se dizia sintonizado com uma divindade alien (ou algo que o valha) chamada VALIS (Vast Active Living Inteligence System) ou sobre as mensagens piradas que ele extraia de músicas dos Beatles, ou, melhor ainda, das notícias que ele ouvia (vindas de um rádio desligado) de uma certa Associação dos Países Portugueses da América... Tudo isso somado faria as viagens daquele matemático sobre a CIA e o FBI parecerem coisa de guri pequeno.

Texto: Romeu Martins
Ilustração: Ivan Jerônimo

 

Link bacana: A Experiência Religiosa de Philip K. Dick, de Robert Crumb.