Grandes malacos da história

Galeria dos grandes malacos
Figuras inesquecíveis que ajudaram a dar uma entortada no mundo

 

Bonito...PIQUET, Nelson - "Eu não tô dizendo que ele é bicha, só disse que eu nunca vi ele com mulher". Essa declaração, uma farpa direta ao conterrâneo e concorrente Ayrton Senna, demonstra bem o estilo Nelson Piquet dentro e fora das pistas. Tricampeão mundial de Fórmula 1 (81, 83 e 87), o piloto de voz analasada foi tão vencedor quanto Senna, mas é dificilmente lembrado na lista dos grandes desportistas brasileiros do século. Por quê? Três motivos: 1) Porque ele não tinha o "carisma" e o "patriotismo" do piloto de capacete verde-amarelo da McLaren; 2) Porque era naturalmente arredio e mal-humorado; 3) Porque ele ainda não morreu.

Mas o tempo há de ser justo e lembrar do estilo arrojado de Piquet que lhe valeu três títulos mundiais e colocaram o Brasil de volta ao topo do automobilismo - isso antes da era da suspensão automática, que ajudou a nivelar a Fórmula-Com Mansell: malandro é malandro, mané é mané1 por baixo. Sem contar os pegas históricos da Brabham azul e branca contra pilotos do nível de Alain Prost, Nikki Lauda, Keke Rosberg, Nigel Mansell e o próprio Senna. E sobrava nele um senso de humor implacável que, em tempos politicamente mais corretos como hoje, o fariam figurar na lista dos desportistas "intragáveis". Nada, porém, mais intragável do que as declarações e o estilo arrojado da eterna promessa Rubens Barrichello.

Depois que largou a Fórmula-1, foi disputar a Fórmula Mundial nos Estados Unidos e por pouco não morreu após bater violentamente contra um muro. Assim que voltou a dirigir carros de passeio, aproveitou as avenidas largas de Brasília, onde mora, para relembrar os velhos tempos: "A primeira vez que eu peguei meu carro de novo já botei 220 km por hora. Não tinha medo, meus pés é que coçavam", disse ele numa entrevista alguns anos depois.

Fabrício Rodrigues