Grandes malacos da história

Galeria dos grandes malacos
Figuras inesquecíveis que ajudaram a dar uma entortada no mundo

 

MOORE, Alan - Só não foi mais sacal estar vivo nos anos 80 graças a uns poucos sujeitos como esse inglês genial. Enquanto o cinema e a música enfrentavam uma ressaca de décadas bem mais férteis, os quadrinhos ganharam o impulso de criadores que renovaram o gênero, dando um novo status ao meio. Foi a década de artistas como Frank Miller, Art Spiegelman, Grant Morrison e os Irmãos Hernandez, além de outros. E entre eles, o melhor de todos foi Alan Moore. Se for feita uma lista das 10 melhores obras realizadas nos anos 80 (e, arrisco a dizer, em todos os tempos), aparecem pelo menos três criações de Moore: as minisséries Watchmen e V de Vingança e a graphic novel A Piada Mortal. E ainda teríamos que achar espaço para suas histórias de Miracleman, Monstro do Pântano, A Balada de Halo Jones etc. etc. etc.

Essas histórias, e muitas outras, foram feitas por um sujeito que afirma que tudo o que escreveu na vida foi sobre o efeito de drogas (ele diz que consome 50 gramas de haxixe por semana e foi expulso da escola aos 17 anos por vender LSD aos coleguinhas). No quesito empregos antes da fama, Alan Moore penou pacas: trabalhou nos arredores de Northampton, primeiro em uma fazenda, arrancando o couro de carneiros, depois limpando os banheiros de um hotel e por fim foi funcionário de uma empresa de distribuição de gasolina. Os fãs de quadrinhos de qualidade têm que ficar eternamente gratos por ele finalmente ter arranjado uma boca como cartunista em uma revista semanal sobre música, e com isso chamar a atenção para o que realmente sabe fazer: obras de arte em forma de HQs.

Atualmente ele tem a ousadia, como estrangeiro que é, de ter criado uma editora com o nome America´s Best Comics, que cumpre o prometido publicando títulos como Tom Strong, Pomethea e Top Ten. Este ano de 2004 a Devir prepara uma enxurrada de álbuns com todo esse material e mais a segunda para das histórias da Liga Extraordinária (a Pandora Books vinha trabalhando com esse selo do inglês, mas a editora sofre várias acusações de pirataria das revistas). Infelizmente, rumores cada vez mais fortes indicam que Alan Moore, com recém-completados 50 anos, reivindicou a aposentadoria para se dedicar integralmente a trabalhos mais autorais e a seu hobby esotérico: brincar de bruxo. Aliás, já comentei que ele afirma ter um acordo com um demônio particular chamado Pazuzo? Malaquice pouca é bobagem.

Romeu Martins