Grandes
malacos da história
Galeria
dos grandes malacos
Figuras inesquecíveis
que ajudaram a dar uma entortada no mundo
BUKOWSKI,
Charles - Mulheres sem esperança, putas, cerveja, vinho barato,
bares de quinta categoria, música clássica, corridas de cavalo, empregos
de um dólar o dia. Tudo isso faz parte do universo de Charles Bukowski,
um dos textos mais crus e diretos da literatura americana. Pica grossa,
baseou quase toda a sua obra na própria vida, acrescentando às histórias
de seu alter ego, Henry Chinaski, pitadas de ficção que só fizeram com
que parecesse um cara ainda mais fodão. E, ao que tudo indica, era.
Filho de um oficial do exército, Bukowski
cresceu durante o período da depressão nos Estados Unidos e apanhou
que nem cavalo xucro na infância. Na adolescência, o jeito tímido e
a pele invariavelmente cheia de grotescas espinhas - chegou a ser afastado
dos estudos por um semestre pra tratar do problema - o tornaram mais
"impopular" do que o diabo na igreja, o que não o ajudava em nada a
conseguir uma relaxante fodinha. Começou a carreira escrevendo poemas
e mais tarde passou à prosa. Passava as noites datilografando, bebendo
e fumando ao som de música clássica em moquifos alugados por ninharias,
os quais pagava com o dinheiro de empregos esporádicos e mais tarde
com o trabalho nos correios - ficou lá por 10 anos. Enviava poemas para
revistas e jornais literários marginais esperando que fossem aceitos.
Demorou, mas com o tempo, chamou a atenção.
Ganhou prestígio somente depois dos 50, inclusive na Europa. E com ele
vieram dezenas de mulheres. Deixou uma legião de seguidores e é considerado
principalmente por seu jeito simples e irônico de retratar o lado sórdido
da sociedade americana. Morreu de câncer, cercado de gatos vira-latas
e dinheiro sobrando, aos 73 anos. Uma amostra dos poemas do velho é
"one for the shoeshine man": se você me vir sorrindo/no meu fusca azul/caçando
uma luz amarela/guiando direto pro sol/estarei preso nas/garras de uma/vida
louca.
Armando Truta