Grandes
malacos da história
Galeria
dos grandes malacos
Figuras inesquecíveis
que ajudaram a dar uma entortada no mundo
BARÕES
LADRÕES - É verdade que o capitalismo nasceu na Europa,
mas foi nos EUA que ele se sentiu em casa e passou a merecer o adjetivo
de "selvagem". Se ainda existe alguma dúvida, é
só consultar o livro Robber Barons, de 1934, escrito por
Matthew Josephson, que relata histórias absurdas protagonizadas
pelos milionários mais malacos que já existiram. São
casos de empresários pioneiros em áreas como o setor ferroviário,
indústria que estava em pleno auge nos meados dos século
XIX, o que provocava disputas memoráveis.
Um desses embates foi travado pelos magnatas
Jim Fisk e J.P. Morgan que lutaram pelo controle da estrada de ferro
Albany-Susquehanna. No lugar dos floretes utilizados pelos lordes europeus,
os ricaços se valeram de métodos bem mais espetaculares:
puseram locomotivas para brigar como se estivessem em uma rinha de galos.
O dono da menos da menos avariada venceu. Venceu, mas não levou.
O perdedor arrancou os trilhos e destruiu os dormentes do "seu"
lado da ferrovia.
Mas
a violência não era a única arma dos barões
ladrões daquela época - golpes engenhosos também
faziam parte do arsenal. Em 1881, uma tempestade destruiu as linhas
do telégrafo nova-iorquino fazendo com que Jay Gould, mestre
do mercado financeiro, fosse obrigado a se utilizar dos serviços
de um mensageiro para passar ordens a seus agentes. A concorrência
não comeu mosca: seqüestraram o rapaz e puseram outro, da
confiança deles, no lugar. Gould levou semanas para descobrir
como os adversários antecipavam todas as decisões que
tomava.
O presidente da ferrovia Chicago, St.
Paul e Kansas, A.B. Stichney, disse que sempre defenderia seus colegas
de profissão, mas jamais descuidaria do relógio na presença
de qualquer um deles. Ele sabia do que estava falando. Esses mesmos
presidentes decidiram certa vez formar um cartel para fixar tarifas
comuns a todos, lesando os clientes em uma prática tão
ilegal quanto corriqueira. Um dos malacos abandonou a reunião
para telegrafar a tabela de preços para seu escritório,
de modo que pudesse lucrar com o prejuízo dos companheiros. O
golpe só foi descoberto porque interceptaram o telegrama. Foi
a tal história do barão que rouba barão...
Romeu Martins