Grandes
malacos da história
Galeria
dos grandes malacos
Figuras inesquecíveis
que ajudaram a dar uma entortada no mundo
CRISTO,
Inri - OK, você já sabe que Deus é brasileiro.
Mas e o Cristo catarinense radicado em Curitiba? Pois sim, o Unigênito
Filho do Senhor, segundo sua própria definição,
nasceu na "pequenina aldeia" chamada Indaial, no interior
de Santa Catarina. Iuri Thais, ou melhor, Inri Cristo, afirma com todas
as letras que é a reencarnação de Jesus e voltou
para salvar os pecadores. Você provavelmente já viu a figura
em algum programa de TV. De vez em quando lembram que ele existe e chamam
para animar um Programa do Jô da vida. A última aparição
em rede nacional foi no programa do Marcos Mion. É aquele que
não dispensa nem a coroa de espinhos (acolchoada, claro) e clama
"Ó, P-a-i!" de um jeito inconfundível. (N.E.:
Atulizando esses dados, a última aparição foi no
Ratinho. Cristo em pessoa pedia para se livrar de uma multa de trânsito.)
Das três, uma: ou Ele é realmente
o filho de Deus; ou é doido varrido; ou deveria estar na Galeria
dos Grandes Malacos. Como um misto entre a segunda e a terceira hipótese
também é admitido, Inri merece a honraria da galeria.
Em vez de carpinteiro judeu, Jesus veio ao mundo desta vez como um verdureiro
descendente de alemães. Nascido em 1948, até os 30 anos
teve uma existência devassa. Fumava, bebia e "cometia o pecado
da fornicação, não perdia a oportunidade de desfrutar
das mulheres que me recebiam em suas alcovas", declarou Ele à
revista IstoÉ, em 1997. Em 1979, numa viagem ao Chile, o Senhor
revelou sua verdadeira identidade. Aí começou a peregrinação
pela Europa - onde foi expulso de vários países - e pelo
Brasil. Nos anos 70 invadia igrejas e promovia quebras de imagens. Depois
abriu o santo olho e viu que era mais fácil arregimentar alguns
seguidores e viver com uma graninha deles. Atualmente vive em comunhão
com o MÉPIC (Movimento Eclético Pró INRI CRISTO),
que tem confortáveis instalações na capital paranaense.
O imperdível site oficial de Inri
(www.inricristo.org.br) traz a história do Profeta e outras informações
indispensáveis ao fiel moderno. Inri dá dicas de alimentação
saudável, xinga o padre Quevedo, elogia músicas de Roberto
Carlos e defende a legalização das drogas. Como não
poderia deixar de ser, continua sendo perseguido. Além do arquiinimigo
João Paulo II, a imprensa teria um boicote urdido para impedir
que a verdade sobre o Filho de Deus fosse revelada ao povo. Pobre Inri.
A matéria da IstoÉ, por exemplo, está coalhada
de infâmias: uma delegada declarou que Inri tem vários
processos nas costas e já usou também o nome "Nostradamus".
Um deputado estadual do Paraná disse que ele tomou banho pelado
em um clube de Ponta Grossa.
Um dicionário online de novas religiões,
feito por canadenses, classifica o personagem como "típica
personalidade paranóica". Mas quem vai acreditar na precisão
da informação se os mesmos caras não sabem nem
a língua falada no Brasil e indicam o site de Inri como sendo
em espanhol? Ainda bem que existem publicações 100% independentes
como o Marca Diabo para dar o destaque que ele merece.
Giuliano Ventura