<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?>
<rss version="2.0">
   <channel>
      <title>Lounge</title>
      <link>http://www.gardenal.org/lounge/</link>
      <description></description>
      <language>pt</language>
      <copyright>Copyright 2008</copyright>
      <lastBuildDate>Sat, 04 Oct 2008 01:13:35 -0300</lastBuildDate>
      <generator>http://www.sixapart.com/movabletype/</generator>
      <docs>http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss</docs> 

      
      <item>
         <title>O táxi preto</title>
         <description><![CDATA[O post sobre 'Mamma Mia' vem aí. O problema é que algumas funções acadêmico-familiares precisam necessariamente vir na frente, então o texto está saindo a passos de cágado. O que não me impede de descobrir coisas muito, muito, muito legais, como as Black Cab Sessions, e dividir com vocês.

As <a href="http://www.blackcabsessions.com/" target="blank">Black Cab Sessions</a> funcionam assim: uma produtora roda a cidade a bordo de um táxi preto contendo um câmera, um motorista e um engenheiro de som.

The Kooks, Death Cab For Cutie, The Raveonettes, Bon Iver, Daniel Johnston, Hot Club de Paris... esse povo todo já passou pelo banco do carona - e muito mais. Todos cantando e tocando num esquema intimista. Muito intimista. Afinal, quantas pessoas cabem num banco de trás de um táxi?

Brian Wilson vale por vários.

<object width="426" height="260"><param name="movie" value="http://www.blackcabsessions.com/flash/videoplayer.swf?videoPath=1221815842"></param><embed src="http://www.blackcabsessions.com/flash/videoplayer.swf?videoPath=1221815842" type="application/x-shockwave-flash" width="426" height="260"></embed></object>

Tenham um bom fim-de-semana. :)]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/lounge/2008/10/o_taxi_preto.html</link>
         <guid>http://www.gardenal.org/lounge/2008/10/o_taxi_preto.html</guid>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">música</category>
        
        
         <pubDate>Sat, 04 Oct 2008 01:13:35 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>50 anos de bossa nova? Eu vou é comemorar os 20 anos de &apos;Eu vou tirar você deste lugar&apos;.</title>
         <description><![CDATA[<img src="http://www.gardenal.org/lounge/imagens/crush_orkut.jpg" height="124" width="100" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px"> Peraí só um minutinho. Eu ia falar de Mamma Mia, mas esse especial Caetano e Roberto cantam Tom Jobim tem me lembrado tanto do show 'Eu vou tirar você deste lugar', o lendário encontro dos caras da Casseta Popular com os sujeitos do Planeta Diário no antológico Jazzmania, que este ano completa 20 anos.

* * *

<i>"Abril de 1988. O Brasil era um deserto de homens e idéias. Subitamente, porém, fez-se a luz. Os nove rapazes de Liverpool (John, Yoko, Ringo, Peter, Paul, Mary, Crosby, Stills, Nash, Young, Sullivan e Massadas) se reúnem para fazer o lendário show 'Eu vou tirar você deste lugar'. Daí em diante, nada os deteria."</i>

Nesta época, Cláudio Manoel se chamava Claude Mañel, Reinaldo era Reinaldo Planeta e era apenas o baixista da banda, Emanoel Jacobina fazia parte do grupo sob a alcunha de Mané Jacó e Murilo Chebabi ainda não era o <a href="http://www.muchebabi.com.br" target="blank">Mu Chebabi</a>, mas usava mullet. Eu tinha dez anos e vi essa vhs repetidas vezes, decorei todas as falas e piadas (como vocês podem perceber, lendo os posts mais recentes, o videocassete formou meu caráter nessa época - se pro bem ou pro mal, aí não posso dizer). Eu lia a revista, lia o jornal, não entendia chongas mas achava o máximo a coluna 'Pergunte ao Buda'. Minha relação com eles é mais ou menos a mesma que eu tinha com <a href="http://www.mood.com.br/3a13/penca.asp" target="blank">João Penca e Seus Miquinhos Amestrados</a>, e posso aproveitar que cresci e fiquei amiga pra cobrar uns meses de análise. Na boa, esses caras fizeram um estrago. Um estrago do bem, verdade, mas um estrago.

* * *

Não achei a sensacional performance de Hubert Aranha cantando 'Garota de Ipanema', quer dizer, fazendo o Paulo Francis cantando 'Garota de Ipanema'. Também não achei a galera cantando 'Nietzsche' (que começa com o 'pá-pá-pá-riruá-riruá' e termina com o petardo 'Eu gosto é de b***taaaa'). Quanto vocês me dão pra perder um tempão ripando o dvd e colocando os melhores momentos do show no Youtube, hein? Hein? Vamos negociar isso aí (yeah, passei a vhs pra DVD, é hora de homenagear antes que chegue 2009 e eu perca a efeméride).

* * *

No Youtube tem 'Eu tô tristão' e 'Mãe é mãe', que se você tem mais ou menos a minha idade, já deve ter até enjoado de ouvir. Fique com uma mais alternativa, o 'Rap do Vagabundo', também conhecido como 'Eu faço vídeo!'. 

<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/exgVsmK5tAo&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/exgVsmK5tAo&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object>
<i>porque vagabundo é a putaqueopariu</i>

Uma filmagem precária, edição tosca e muitas celebridades na platéia. Verdade, nascia o embrião de um programa de sucesso. Mas, acima de tudo, nascia um clássico.

Você viu?]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/lounge/2008/09/50_anos_de_bossa_nova_eu_vou_e.html</link>
         <guid>http://www.gardenal.org/lounge/2008/09/50_anos_de_bossa_nova_eu_vou_e.html</guid>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">clássicos</category>
        
        
         <pubDate>Mon, 29 Sep 2008 11:41:22 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Olivia</title>
         <description><![CDATA[60 anos, hein?

E daí que TODOS os clipes de 'Physical' estão com <i>'embedding disabled by request'</i>, o que quer dizer que você pode ver no Youtube, mas alguém não quer o vídeo se espalhe por aí - por algum motivo que <a href="http://www.youtube.com/watch?v=6vZS8MWEzdQ" target="blank">desconheço</a>. Claro, se você tem um mínimo de familiaridade com html, você burla isso fácil, fácil; mas eu não tava a fim. Se o mundo está dificultando, pra que bater cabeça, não é mesmo?

Sempre existirá 'Xanadu'. Pronuncia-se 'Zanadu'. São oito minutos (versão extended, güenta aí) de puro deleite visual, patins, cabelos com permanente, modelitos anos 70 e Electric Light Orchestra.

<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/i6uChtN8YcU&hl=en&fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/i6uChtN8YcU&hl=en&fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object>

Abertura do <i>Fantástico</i> perde. Não, não: qualquer coisa perde! 

Feliz aniversário, Olivia Newton-John!

* * *
Dependendo da sua capacidade de ler nas entrelinhas, esse papo sobre família, sobre filmes clássicos e sobre anos 70 só pode querer dizer UMA coisa: sim, depois de anunciar <i>Mamma Mia</i>, o famigerado 'musical do ABBA', há alguns meses, fico aliviada do ser humano não ter limites. No próximo post, leitor, aprenda <i>como nasce um filme cult</i>.
]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/lounge/2008/09/olivia.html</link>
         <guid>http://www.gardenal.org/lounge/2008/09/olivia.html</guid>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">YouTube</category>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">cinema</category>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">clássicos</category>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">dança</category>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">didi mocó</category>
        
        
         <pubDate>Fri, 26 Sep 2008 01:14:38 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Plantas, fiquem longe. Longe!</title>
         <description><![CDATA[Eu sempre deixo passar a data. Este ano, com a ajuda do <a href="http://www.rememberthemilk.com/" target="blank">Remember the Milk</a>, posso, enfim, homenagear um dos meus filmes favoritos de todos os tempos, aquele que vi mais de vinte vezes em 1988 - toda vez que eu chegava na casa do meu pai, pedia pra assistir novamente. As marcas que 'A Pequena Loja dos Horrores', o musical que empregou metade do elenco de Saturday Night Live, deixaram na pequena menina barrigudinha de óculos de aro vermelho que, aos dez anos de idade, contava a mesma piada oito vezes e escrevia paródias de músicas e declarações de amor para um homem fictício chamado Luke Skywalker, foram indeléveis.

Pense na protagonista vestida de oncinha, namorando o topetudo bad boy, mas que se acaba se casando com o nerd do bairro.

Pense nas cantoras Crystal, Chiffon e Ronnette, e em como elas definiram parte do meu gosto musical com seu visual e as harmonias vocais para trio feminino.

Olhe para Lia Amancio hoje, totalmente <i>revamped</i>, mas sem negar suas origens.

Lembre-se que no vigésimo-terceiro dia do mês de setembro, no início de uma década não muito longe da nossa, a raça humana se deparou com uma ameaça mortal à sua existência.

Eu sempre quis citar este monólogo no dia 23/09! Agora, graças à web 2.0 e das tecnologias de reprodução digital, posso até dividir com vocês a experiência da abertura do filme!

<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/SVsgpTaBhSY&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/SVsgpTaBhSY&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object>

Pra quem não lembra ou não viu, naquele dia Seymour Krelborne, funcionário de uma floricultura, passou em frente a uma loja de plantas e levou (por um dólar e noventa e cinco cents) um vegetalzinho que apelidou carinhosamente de Audrey II, em homenagem à sua amada. O problema é que a plantinha se alimentava de sangue, e as pequenas gotinhas de seus dedos não eram suficientes para alimentá-la à medida que crescia - então os habitantes de Skid Row, bairro central de uma cidade que poderia ser a sua, começaram a desaparecer... 

Até hoje não sei se o filme era bom porque eu tinha dez anos, ou se era bom mesmo. Até tenho o dvd, mas não tenho coragem de conferir... mas acho que o clássico número do dentista, interpretado por um jovem Steve Martin, não vai fazer mal algum:

<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/bOtMizMQ6oM&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/bOtMizMQ6oM&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object>

E hoje, apenas hoje, mantenham distância de vegetais suspeitos, oquei? Regue as plantas, mas não dêem nenhum tipo de comida pra elas. Por mim. Por você. Pela humanidade.


(se isso tudo é um blábláblá sem sentido porque é ÓBVIO que você já decorou todas as falas e repete 'My life is a living hell!' junto com Mr. Mushnick, ou 'Yes, doctor!' com Audrey e ainda viu a versão no teatro, com Eduardo Dusek no papel do dentista, acho que tu vai curtir <a href="http://www.youtube.com/watch?v=a_sLFkllrUc" target="blank">isso</a>)]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/lounge/2008/09/plantas_fiquem_longe_longe.html</link>
         <guid>http://www.gardenal.org/lounge/2008/09/plantas_fiquem_longe_longe.html</guid>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">cinema</category>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">nostalgia</category>
        
        
         <pubDate>Tue, 23 Sep 2008 02:34:22 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Família, êê, família, á...</title>
         <description><![CDATA[<img src="http://www.gardenal.org/lounge/imagens/crush_orkut.jpg" height="124" width="100" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px">'Brothers and Sisters' é uma série de ficção. É óbvio que os dramas e romances da família Walker passam longe do que conhecemos por 'dramas e romances do mundo real'. Das vidas do mundo real. O que faz 'Brothers and Sisters' ser tão cativante são as pequenas coisas, os pequenos diálogos e a grande coisa que existe por trás das tramas dos episódios e das falas: você pode não ir pra guerra, você pode não ser gay, você pode não ser uma assessora política, você pode não ter uma mãe como Nora Walker - mas uma família? Isso eu sei que você tem. Que seja apenas sua mãe, sua avó, seu pai, um tio. Que não tenha o mesmo sangue, mas divida o sobrenome e/ou o teto nos primeiros anos de vida. Você veio de algum lugar.

<b>Janta junto todo dia, nunca perde essa mania</b>

No meu caso, em especial, não me identifico tanto com o núcleo central familiar. Diferente da família "matriarca, cinco filhos e agregados", me acostumei desde cedo a ter duas casas - mas nunca, nunca, nunca "dois pais e duas mães", embora tenha tido dois responsáveis legais e seus cônjugues, totalizando quatro pessoas que cuidaram de mim (ainda cuidam) e me amaram (e ainda amam) incondicionalmente. Ao meu núcleo familiar principal, devo tudo o que consegui até agora - nada material (ainda), mas tenho certeza de que eles criaram uma mulher responsável, educada, inteligente e com um caráter digno de orgulho. A eles, e aos filhos que eles tiveram depois de mim e que merecem os mesmos adjetivos que acabo de mencionar (além de lindos, cara, lindos), devo todo o meu amor. Devo? Não, não, não devo. Simplesmente é assim. É incondicional.

Pausa: os vocais de apoio ensaiam um 'Family affair', até que Madonna, mais diva do que nunca, entra com 'Keep it together', aquela música que acho que só eu gostava:

<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Jpu61KZeDUY&hl=pt-br&fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/Jpu61KZeDUY&hl=pt-br&fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object>

O que me conquistou em 'Brothers and Sisters' não foram os jantares, apesar dos almoços de domingo na casa da minha avó. Definitivamente não foram os exageros de roteiro naqueles momentos de <i>ostensiva</i> união familiar. Não foram os assuntos sobre os quais não se deve falar - na série, a negação de Nora à possibilidade de seu filho não voltar da guerra; na minha ou na sua família, essa negação pode ser a respeito de qualquer assunto, vinda de qualquer membro, e teremos reações parecidas ou completamente diferente das retratadas na série: mas a negação está lá, não negue. Não foram os encontros em que o núcleo se expande, e você se lembra não da sua mãe e de seus irmãos, mas da família de onze filhos da sua avó; das festas de família, dos primos de segundo grau no aniversário da bisa, geral caindo na piscina, alguém bêbado e/ou sem noção, trenzinho no salão e 'Macarena' no som; dos entreveros por dinheiro, de como tudo vem à tona depois do enterro do avô, de alguém que disse o que não devia, das crises - e de como tudo passa, menos a família. Família é incondicional.

Porque tem isso, né? Você pode perder contato com um amigo, e nem lembrar mais que ele existe depois de anos. A mulher da sua vida, daqui a dez anos, pode ser ex-mulher e você pode não querer vê-la nem pintada de ouro depois. Ex-professores, ex-chefes, tanta gente transitória - mas não existe ex-mãe, se você me entende. E por mais que suas relações sejam conturbadas ou até mesmo inexistentes, eles podem nem estar lá para diálogo, conciliação ou o que quer que seja - mas, tanto na presença como na ausência, a existência dessas pessoas é peça fundamental da <i>sua</i> existência, da maneira como você foi criado, do seu processo de subjetivação. A existência da família é tão certa como a da morte - então por que negar? Por que lutar contra? E, a partir do momento em que você aceita-os como a base do que você é, por que não torná-los <i>realmente</i> uma base?

<b>Família, família, cachorro, gato, galinha...</b>

Cada um tem seus motivos, seu histórico, sua relação com sua família. Por mim, só posso dizer que, mais do que meu ponto de apoio, mais do que a entidade que eu sei que sempre estará lá se tudo der errado (e me orgulho de poder ir cada vez mais longe, sabendo que <i>não</i> sou apoiada incondicionalmente, mas sempre sob a condição de tomar decisões aparentemente sensatas e responsáveis), mais do que o único dispositivo de controle que realmente tem controle, não pela lei, mas pelo discurso, que sempre me pareceu sensato e, definitivamente, bilateral e aberto a propostas e discussões, mesmo que às vezes existam momentos ruins ou divergências de pontos de vista, são as pessoas que eu amo - não por dever, gratidão ou neurose, mas... mas... não tem motivo. Porque é assim e pronto. 

Então hoje, depois da Maratona 'Brothers and Sisters' no Universal Channel, percebi que o que me conquistou na série foi o amor incondicional que existe ali, apesar das intrigas, dos problemas, das discussões, das picuinhas e das coisas que dão errado. Da série mostrar uma família anormal, verdade, mas que tem a instituição <i>família</i> como peça fundamental na construção dos caráteres. Como eu, a família é sempre o <i>lugar</i> pra onde você pode voltar, se precisar. E se você respeita e ama a sua como eu respeito e amo a minha, ainda vai chorar vendo um episódio de 'Brothers and Sisters'...

* * *

Uma coisa engraçada: o 'Portocarrero', meu nome do meio, nunca teve nada a ver com a tradicional família Portocarrero: meu bisavô era Goldsmith, e resolveu se chamar Portocarrero porque <i>achou legal</i>. Daí cê vê...


* * *

Um pequeno spoiler do final da segunda temporada, mas como já está há tempos no site oficial da série, acho que você pode saber: Rebecca não é uma Walker. Adivinha...?

<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/53W3lwQTtuQ&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/53W3lwQTtuQ&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object>

* * *

<b>Top 5 músicas familiares</b>

Titãs - Família
Madonna - Keep it together
Sister Sledge - We are family
The Cranberries - Ode to my family (apesar de que eu acho Cranberries chato pra dedéu)
e falta uma, ajuda aí.]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/lounge/2008/09/familia_ee_familia_a.html</link>
         <guid>http://www.gardenal.org/lounge/2008/09/familia_ee_familia_a.html</guid>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">coisas bonitas</category>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">tv</category>
        
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#tag">familia</category>
        
         <pubDate>Mon, 22 Sep 2008 02:06:26 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Amiga dançarina e dona de casa...</title>
         <description><![CDATA[<img src="http://www.gardenal.org/lounge/imagens/crush_orkut.jpg" height="124" width="100" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px">Ok. Passou a prova, e já consegui atualizar, pelo menos, os sites de dança: <a href="http://mulheresnosalao.blogspot.com/" target="blank">Mulheres no Salão</a> ganhou uma dica preciosa para o soltinho, e no <a href="http://lindyrio.blogspot.com/" target="blank">Lindy Rio</a>, um sapato de dança vintage e maravilhoso, e um <a href="http://lindyrio.blogspot.com/2008/09/wcs-em-botafogo.html" target="blank">curso de West Coast Swing</a> abrindo - já não era sem tempo! - no Rio de Janeiro!

E por que já não era sem tempo?

Porque lindy hop é lindo, é legal, é o máximo, mas parou no tempo. Eu amo, meus amigos amam, mas o troço só pega entre amantes do jazz e de cultura <i>retrô</i>, em geral. Pega pra quem vive dança de salão e tem uma curiosidade genuína de saber como tudo começou, quem foi o avô do soltinho... mas a gente é minoria, né?

O West Coast Swing é uma espécie de <i>lindy hop moderno</i>. As bases vêm do swing daquela época, mas a) as músicas são mais atuais e mais pop e b) os movimentos não estão restritos ao que se dançava naquela época. O WCS incorpora danças um pouco mais modernas também, sem perder as características principais do swing. Resumindo: é mais atual e pode ser dançado com música pop. Rezo todo dia, acendo velas e subo escadas de joelhos pro WCS pegar por aqui.

Sente só Myles e Tessa, campeões mundiais de WCS, dançando:

<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/cmFLWkcGgVY&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/cmFLWkcGgVY&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object>

Saiba mais sobre West Coast Swing <a href="http://lindyrio.blogspot.com/2008/04/lindy-hop-x-west-coast-swing.html" target="blank">nesse post</a> que preparei com carinho, recheado de vídeos pra você ver. Sim. Meu outro blog é uma Ferrari, quer dizer, é um site de dança.

E não vem me dizer "ah, eu nunca vou conseguir fazer isso, Lia", porque <i>até eu</i>, com um ano de dança de salão, já faço isso (não bonito e classudo assim, é verdade, mas isso vem com o tempo, dedicação e freqüentando bailes e práticas, né?).

Acredite no seu potencial. Tenha fé. Não desista. Você consegue.

* * *

Ah, tu não dá a mínima pra dança?

Então se liga, amiga dona de casa:

- <a href="http://www.reckitt.com.br/site/pt/produtos/marca_389.asp" target="blank">Vanish</a> realmente tira manchas.

- <a href="http://www.dove.com.br/produto.aspx?produtoId=91" target="blank">Dove Summer Tone</a> realmente garante uma cor saudável para a pele (e hidrata!).

- <a href="http://www.niasi.com/biocolor_fluid.php" target="blank">Biocolor Fluidgel</a> realmente cobre cabelos brancos com perfeição (e dá brilho!).

- O Intercontinental tem os melhores preços.

- O <a href="http://videolog.uol.com.br/" target="blank">Videolog.tv</a> é muito mais user-friendly do que o Youtube, o player é muito melhor e menos invasivo, e ainda suporta vídeos em alta definição.

- Meu provedor (pfff, não merece nem link!) aumentou minha velocidade pra 2MB e me faz navegar a 2k.

Post patrocinado? ADORARIA, mas não tou ganhando um centavo com a propaganda gratuita, a não ser a parte da dança, que é um teaser do <a href="http://swinginrio.blogspot.com/" target="blank">Swing in Rio</a>, que sou eu que estou produzindo mesmo, então tá tudo em casa.]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/lounge/2008/09/amiga_dona_de_casa.html</link>
         <guid>http://www.gardenal.org/lounge/2008/09/amiga_dona_de_casa.html</guid>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">dança</category>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">dicas</category>
        
        
         <pubDate>Sat, 20 Sep 2008 14:24:21 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Mau humor (não o da TPM, mas o das piadas que deviam ser banidas) e bom design</title>
         <description><![CDATA[<img src="http://www.gardenal.org/lounge/imagens/crush_orkut.jpg" height="124" width="100" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px">Vendo a chamada do quadro do programa do Faustão onde o público escolhe um humorista (que provavelmente vai ganhar um quadro no Zorra Total, não vejo outro futuro para o infeliz na emissora), quase retomo a fé na humanidade quando vi que um dos concorrentes fazia <i>stand-up comedy</i>, prática tradicional entre os gregos e povos antigos, mas recém-descoberta no Brasil (pelas pessoas normais, claro. Tenho amigos que já conheciam a modalidade há muito mais tempo). Acho muito legal quando veículos de comunicação tão populares mostram que coisas <i>legais</i> existem.

Perdi a fé rapidinho, quando vi que o júri popular deu a continuidade no programa a um... humorista? É isso mesmo? Com um personagem <i>porteiro nordestino</i>.

Certas piadas deviam ser passíveis de processo - pela falta de graça mesmo. Como as que envolvem pavês ou trocadilhos imbecis com meu nome ("Lia? Não lê mais?", "Lia, e também escrevia?"), que ouço desde os quatro anos e não acredito que alguém ainda tenha coragem de proferir. No mesmo quadro - vale explicar que vivo numa sociedade que estimula a multiplicidade de estímulos visuais e auditivos para (incrível, não?) tornar possível a <i>concentração</i> (experimenta ler um texto no silêncio absoluto e dispersar a mente de dois em dois parágrafos, e experimenta realizar a mesma tarefa com uma tv baixinho te fazendo companhia, ligada em um canal que não te interessa - você dispersa olhando pra tv, vê que não gostou e volta para o que estava fazendo, em vez de divagar por horas e horas) - bem, no mesmo quadro alguém falou em 'rosca' naquele sentido chulo que você sabe qual é, e eu quase morri de desgosto.

Não exatamente pela piada ruim, mas por me lembrar que é disso que o <i>júri popular</i> gosta.

* * *

Falando de design e arte, <a href="http://yiyinglu.com/" target="blank">Yiying Lu</a> teve a honra de criar a famosa fail whale, a baleia que ultimamente não tem dado as caras, mas atormenta os usuários do twitter cada vez que o serviço apresenta inconstâncias. Belíssimas ilustrações, jobs de direção de arte e outros trabalhos inspiradores, como a série <a href="http://yiyinglu.com/sc/fun/animals-on-the-underground" target="blank">Animais no metrô</a>. visite.

* * *

Falando de design e arte e mostrando que o Japão definitivamente não é só esquisitice, a <a href="http://pingmag.jp/" target="blank">PingMag</a> é parada obrigatória, colírio para os olhos, referências até não poder mais. Como assim tu não conhece? Chega lá!!]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/lounge/2008/09/mau_humor_nao_o_da_tpm_mas_o_d.html</link>
         <guid>http://www.gardenal.org/lounge/2008/09/mau_humor_nao_o_da_tpm_mas_o_d.html</guid>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">arte</category>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">tv</category>
        
        
         <pubDate>Sun, 14 Sep 2008 23:16:32 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Uma metodologia para o estudo (??) da bizarra tv japonesa</title>
         <description><![CDATA[<img src="http://www.gardenal.org/lounge/imagens/crush_orkut.jpg" height="124" width="100" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px">Passei um ano sem entender o que aquele livro sobre a história da sexualidade fazia entre tantos textos sobre cinema, filosofia, olhar, memória, cibercultura. Claro! Óbvio! O tema é o de menos, mas a metodologia (hipótese, análise histórica, estudo do discurso) é fundamental.

Então resolvi testar o método de Foucault aqui, em Lounge, com um assunto um pouco mais simples. Vamos ver se eu consigo utilizar o conceito direito. <i>Relevem</i>.

A <a href="http://www.weshow.com/my/group/JapaneseTV" target="blank">TV Japonesa</a> é uma das coisas mais surreais já feitas por seres humanos. O país das <a href="http://images.google.com.br/images?q=ganguro+girls&btnG=Pesquisar+imagens&um=1&hl=pt-BR&rlz=1G1GGLQ_ENZZ268&sa=2" target="blank">Ganguro girls</a>, <a href="http://images.google.com.br/images?q=gothic+lolitas&btnG=Pesquisar+imagens&um=1&hl=pt-BR&rlz=1G1GGLQ_ENZZ268&sa=2" target="blank">Gothic lolitas</a>, onde uma dança como <a href="http://www.weshow.com/my/group/Para_Para" target="blank">Para Para</a> faz o maior sucesso, onde a TV produz coisas como Dancing Sushi People...

<embed width='448' height='365' src='http://www.spike.com/efp' quality='high' bgcolor='000000' name='efp' align='middle' type='application/x-shockwave-flash' pluginspage='http://www.macromedia.com/go/getflashplayer' flashvars='flvbaseclip=2820129&'> </embed> <br /> <a href='http://www.spike.com/video/dancing-sushi-people/2820129'>Dancing Sushi People</a>

Existem duas hipóteses para isso acontecer:

Uma, que talvez faça algum sentido, tem a ver com o sistema de escrita dos japoneses. No ocidente, com a escrita da esquerda para a direita, onde o significado das palavras é dado por combinações lineares de 26 letras mais alguns sinais gráficos, tudo geralmente organizado por sílabas mais ou menos predefinidas, onde o 'q' sempre vem com um 'u' depois, é tudo muito previsível e <i>matemático</i>, por assim dizer. É uma escrita racional, que só faz sentido com a soma dos caracteres. Já os japoneses têm suas palavras formadas por <i>desenhos</i> - em vez de somar caracteres e decodificar as palavras com base nessas combinações, as palavras lá são conceitos visuais - e, pra gente, são BEM abstratos. Afinal, ninguém diz que aquele desenho representa 'amor', 'vulcão' ou 'família'. De qualquer forma, uma vez que você entende isso, não tem necessidade do processo linear da esquerda para a direita: é bater o olho e reconhecer de imediato a figura. Isso pode levar a uma capacidade de <i>abstração</i> e de lidar comconceitos, ao invés de fórmulas, muito maior do que a nossa.

A outra hipótese é a Hipótese Kure Kure Takora.

Quem faz televisão no Japão provavelmente assistiu a mais 'Kure Kure Takora' na infância do que deveria. 

'Kure Kure Takora' é um programa infantil dos anos 60/70 - um desses fabulosos programas com bonecos grandes, coloridos e fazendo comédia pastelão. As diferenças desse para todos os outros programas infantis feitos no planeta até hoje são:

- O sistema não-linear de leitura e codificação de sinais escritos do povo que produziu isso;

- Alguma coisa estranha na água do Monte Fuji.

* * *

Acho importante que você tenha uma base teórica para começar a entender 'Kure Kure Takora', que em português quer dizer 'Polvo me dá me dá' e consiste exatamente isso: num polvo que quer tudo pra agora e não poupa esforços, junto com seus amigos (uma morsa, uma raposa e um <i>freaking</i> amendoim gigante), para conseguir - muitas vezes, o polvo quer apenas recuperar seu brinquedo. Outras, ele quer apenas torrar a paciência dos guardas.

Para começar a entender, <a href="http://blog.wfmu.org/freeform/2006/03/gimme_gimme_oct.html" target="blank">o artigo da WFMU</a> é um excelente começo. Eu disse 'começo' - a continuação do artigo está <a href="http://blog.wfmu.org/freeform/2006/03/gimme_gimme_mor.html" target="blank">aqui</a>. O discurso de apologia às drogas, às armas e ao desacato às autoridades é praticamente o <i>tema</i> do programa, e é válido no sentido de que o discurso excessivo também pode ser uma forma de controle - quanto mais polvo doidão de flit, mais a sociedade varre o tema para debaixo do tapete, provocando, assim, certas perversões culturais, como Oshirikajiri Mushi (um VÍRUS que CANTA)... 

<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/mhJ0YOSmcx8&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/mhJ0YOSmcx8&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br>Oshirikajiri Mushi. Sinta medo.

Agora analise os fatos: a saga do polvo pidão tem pelo menos 715 amigos no site de relacionamentos <a href="http://www.myspace.com/kurekuretakora" target="blank">Myspace</a>. Entre eles, as 5-6-7-8's.

Faça como elas. Como <a href="http://www.marcelobirck.com" target="blank">Marcelo Birck</a> e como o <a href="http://33e45.blogspot.com/" target="blank">Rodrigo Kothe</a>. Primeiro, leia <a href="http://www.relaqsa.net/toba/Kure.Kure.Takora.COMPLETE.DVDRip.XviD.TOBA.txt" target="blank">a bibliografia mais ELUCIDATIVA</a> que você já leu sobre qualquer assunto no universo. Calhou de ser sobre 'Kure kure Takora'. Em seguida, <a href="http://kurekuretakora.blogspot.com/" target="blank">assista aos episódios</a>.

<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/aQr9NFG0lm4&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/aQr9NFG0lm4&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object>

Mas ver pelo <a href="http://kurekuretakora.blogspot.com/" target="blank">blog</a> talvez faça mais sentido, já que eles dão uma espécie de sinopse para que você entenda ALGUMA COISA.

Se a lavagem cerebral tiver surtido efeito, <a href="http://thepiratebay.org/torrent/3502145/Kure.Kure.Takora.COMPLETE.DVDRip.XviD-TOBA" target="blank">enfie o pé no Torrent</a>.

* * *

Desculpaê, Michel Foucault, onde quer que você esteja - mas é que eu precisava de um pretexto, só unzinho, pra falar besteira. Tenho pensado e feito muita coisa séria. Foi mal aí...

* * *

Se o estimado leitor se animar, cada link desses leva a vários outros vídeos relacionados - um mais estranho que o outro...
]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/lounge/2008/09/uma_metodologia_para_o_estudo.html</link>
         <guid>http://www.gardenal.org/lounge/2008/09/uma_metodologia_para_o_estudo.html</guid>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">YouTube</category>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">didi mocó</category>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">improváveis</category>
        
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#tag">japanese TV weird kure takora ganguro gothic lolitas</category>
        
         <pubDate>Tue, 09 Sep 2008 02:13:30 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Dos filmes vistos, parte 2</title>
         <description><![CDATA[<img src="http://www.gardenal.org/lounge/imagens/crush_orkut.jpg" height="124" width="100" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px">Nossa! Quanto tempo longe do meu bloguinho do coração! Mas é tanta coisa, são tantas reflexões sobre Deleuze, sobre memória, sobre folksonomia, Foucault... questões práticas do dia-a-dia como "arrumar uma API que me dê o que quero para automatizar um processo que, se for manual, vai levar semanas", ou "existe algum ótimo site <i>japonês</i> na linha do <a href="http://www.gamespot.com" target="blank">Gamespot.com</a>?". 

Mas uma mulher precavida sempre tem um plano: um post escrito antecipadamente, post-calhau, pros dias em que assunto não falta, mas tempo para desenvolvê-los é escasso. Continuemos, pois, a saga dos <a href="http://www.gardenal.org/lounge/2008/08/vida_de_freelahome_office_esta.html" target="blank">filmes não vistos</a>, ou filmes recentemente vistos. Agora fico devendo 'Cada um com seu cinema', que parece que vai render um livro, tantas foram as reflexões suscitadas pelos filmes de curtíssima-metragem, metalinguagem no último. Por enquanto fiquem com...

<b>Kung Fu Panda</b>
Tal qual 'Babe, o porquinho atrapalhado' (lembra? Era um porco que queria ser pastor de ovelhas!), é uma história de superação animal - mas com cenas eletrizantes de kung fu, cenas emocionantes envolvendo tartarugas (desde 'Procurando Nemo' que esses animais me fazem chorar! Sério!! Saudades da Claudinha!) e em nenhum momento a paternidade de um panda por um pato é questionada, o que faz o filme ser GENIAL DE VERDADE. Via torrent. Recomendo muito.

<b>Ó paí, ó!</b>
Já estava na casa do meu pai mesmo, embutida do espírito baiano (papai trouxe umas músicas <i>locais</i> de sua viagem recente), e em dia dos pais não se nega programa sugerido pelo velho, né? E tome Lázaro Ramos cantando, num semi-musical (só mesmo vendo o filme pra entender o 'semi') com jeito de propaganda da secretaria de turismo de Salvador, que ainda tem a) uma tragédia previsível e b) um personagem barra-pesada (Wagner Moura não convence) sem conclusão (mas que serve para mostrar como as pessoas no Pelourinho preferem o amor e a arte ao uso de drogas! Uau!).
Se vale a pena? Vixe mainha! Vale sim, meu rei. Fotografia bonita e, apesar do clima irritante de musical incompleto, a trilha é bacana e os personagens têm carisma. Com destaque pra evangélica dona Joana, interpretada por Luciana Souza. Lázaro Ramos é o protagonista, mas interpretar Roque é fácil, quero ver fazer todas as nuances de Dona Joana. Assista. Por ela.

E tem a sessão Curta Universitário, né?

Pode torcer o nariz, dizer que não gosta de curta, que acha curta universitário o fim da picada porque os caras AINDA não sabem fazer cinema, pode falar o que quiser, mas 'Kaiju Eiga' é um clássico absoluto na categoria: 

<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/MEdgKFE52So&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/MEdgKFE52So&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object>

* * *
Prometo nunca mais deixar vocês sem notícias por tanto tempo, oquei?

Com muito amor no coração,
Lia]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/lounge/2008/09/dos_filmes_vistos_parte_2.html</link>
         <guid>http://www.gardenal.org/lounge/2008/09/dos_filmes_vistos_parte_2.html</guid>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">cinema</category>
        
        
         <pubDate>Fri, 05 Sep 2008 02:48:27 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Grátis, nesse blog, algumas boas memórias</title>
         <description><![CDATA[<img src="http://www.gardenal.org/lounge/imagens/crush_orkut.jpg" height="124" width="100" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px">Chris Anderson costuma ser digno do meu respeito e admiração - não bastasse editar a <a href="http://www.wired.com" target="blank">Wired</a>, a revista que eu quero ser quando crescer, Anderson apareceu com o genial 'A Cauda Longa', uma excelente análise do mercado de nicho, e escreveu o ótimo artigo <a href="http://www.wired.com/techbiz/it/magazine/16-03/ff_free">'Free! Why $0.00 is the future of business'</a>, um <i>teaser</i> de seu próximo livro. Neste artigo, Chris Anderson mostra que, às vezes, o melhor caminho para alavancar um negócio pode ser <i>dar coisas de graça</i>.

Dar brindes e amostras, por exemplo, não é apenas um ato de bondade de um fabricante, mas a plena confiança em que o consumidor vai gostar do produto e vai comprar. Dar músicas inteiras, principalmente nos casos em que o artista não ia conseguir lucrar muito com a venda, é ótimo para divulgar um trabalho - e garantir, por exemplo, um show lotado de fãs. Dar um artigo ou livro pode transformar o autor referência bibliográfica, trazendo reconhecimento e abrindo outras possibilidades - convites para conferências, palestras, pessoas interessadas nos seus outros trabalhos, que podem até ser vendidos. É mais do que gentileza. É outra forma de fazer negócios. Há ainda que perceber o duplo sentido da palavra "Free", que pode ser 'grátis' ou 'livre'. Pensemos o presente como 'livre', então: ele se espalha, viraliza, as pessoas comentam, pegam uns dos outros em redes, fazem propaganda, fazem com que seu trabalho seja conhecido na China, com que seu produto atinja lugares que você jamais imaginou. Controlar, pra quê? Ganha mais quem consegue usar o descontrole a seu favor, transformando essa característica do 'livre' em seu aliado.

(claro, cada caso é um caso. mas há casos. você sabe.)

Essa é a conversa do dia, mas a prática é antiga, antiga! Vamos tentar rastrear o fenômeno? Sei que em 1968, a MAD começou a distribuir compactos encartados na revista. Sei porque 'It's a gas' é uma daquelas músicas toscas que adoro, e você pode ouvi-la <a href="http://www.wfmu.org/MACrec/mad.html" target="blank">aqui</a>. Aposto que nos anos 50 existiam discos promocionais com artistas diferentes de uma mesma gravadora. Aposto que as primeiras vendas por catálogo dos primeiros anos do século XX tinham alguma espécie de promoção (aposto, não: eu TENHO um catálogo da Sears de 1907!). A própria Wired... lembra da edição de fins de 2004, que vinha com um cd recheado de artistas do porte dos Beastie Boys, David Byrne, Le Tigre, The Rapture, Cornelius, Dj Dolores e até Gilberto Gil, que participou do projeto como músico e dando uma entrevista que mostrava - como Ministro da Cultura que o Brasil estava por dentro das questões relativas a cultura digital? Guardo a revista até hoje. As faixas estavam liberadas também pra remix, olha que beleza! Pela primeira vez, ouvi falar do <a href="http://creativecommons.org/wired/" target="blank">Creative Commons</a>, e se você pensa que vou entrar nesse assunto aqui, está enganado: o que lembro mesmo foi da maneira como Gil conduzia um assunto tão interessante no Brasil, a Wired deu o maior destaque e aqui mesmo a coisa demorou a engrenar. Mas eu lembro. Aquela edição da Wired foi um marco. 

O que quero é ativar sua memória afetiva relacionada a esses presentes inesperados que vieram junto com o produto 'principal'. Aquela banda pela qual você se apaixonou porque ganhou um disco encartado num jornal (a NME era mestra em fazer isso!!! E como era difícil achar aqui!). Eu sei que você lembra disso.

Ou daquele conto que veio encartado naquela revista em 1994 e, anos antes de você saber da existência de um homem chamado Marshall McLuhan, você sabia de ciborgues e de um homem chamado William Gibson - e se você leu <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Johnny_Mnemonic" target="blank">Johnny Mnemonic</a> a tempo de se apaixonar pelo conto e achar o filme meia-bomba, você não achou a menor graça na trilogia 'Matrix', que conseguiu desonrar tanto a cibercultura como as filosofias orientais.

Ou ainda - chegamos exatamente onde eu queria, toda essa conversa de 'nova economia' só pra te fazer lembrar <i>disso</i>! Ha, ha! - a mesma revista já operava com essa política e, em 1994, te deu <i>aquela</i> fita que, quase 15 anos depois, serve de amostragem do teu gosto musical ainda hoje. Foi em 1994 que você viu o clipe espetacular de 'Sabotage', dos Beastie Boys. 

<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/H4PN7Xbexq4&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/H4PN7Xbexq4&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object>

Que você pirou no primeiro grande sucesso do Blur, muito antes da rixa com o Oasis atravessar o Atlântico. Que você, que já gostava de Pixies, botou a Kim Deal no seu top 10 baixistas, mesmo ela fazendo umas linhas meio bebelol e nem se comparando ao <a href="http://www.primusville.com/home/home.html" target="blank">Les Claypool</a> ou ao <a href="http://www.fnm.com/" target="blank">Billy Gould</a>, seus top 10 baixistas na época.

Se em 1994 a fitinha da General não saía do teu walkman e você agradece a <i>free culture</i> - seja no sentido de cultura livre ou no sentido de 'cultura do grátis' - até hoje por isso, por expandir seus horizontes musicais, bem-vindo ao clube.

<p align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/liaamancio/2810384876/" title="Fita da General por liaamancio, no Flickr"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3223/2810384876_a9a77d2d13_m.jpg" width="240" height="240" alt="Fita da General" /></a><br><i>Que foi? A arte é minha também.</i></p>

Aproveite que você está em pleno ano de 2008 e refaça esta seleção musical. A playlist tá aí em cima. Faça-se esse favor.

* * *

E você? Onde foi que a cultura do <i>grátis</i> acertou em cheio contigo? 

* * *

Eu também quero ser a General, não a patente militar, mas a revista, quando crescer.]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/lounge/2008/08/gratis_nesse_blog_algumas_boas.html</link>
         <guid>http://www.gardenal.org/lounge/2008/08/gratis_nesse_blog_algumas_boas.html</guid>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">análises</category>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">grátis</category>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">música</category>
        
        
         <pubDate>Sat, 30 Aug 2008 01:35:02 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Com amor, muito carinho</title>
         <description><![CDATA[<img src="http://www.gardenal.org/lounge/imagens/crush_orkut.jpg" height="124" width="100" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px"><i>Customer care</i> não é só o atendimento ao cliente: é o <i>carinho</i>. Umas coisas simples, mas que fazem uma diferença danada. Um exemplo?

Por onde olho, lá está Fábio Seixas falando do Camiseteria: seja em revista, em site, em evento, o <a href="http://www.camiseteria.com/" target="blank">Camiseteria</a> está lá fazendo o maior sucesso. Por algumas vezes, cogitei caprichar nas ilustrações e mandar pra lá também, mas a promoção 'compre uma camiseta (por sinal, todas em promoção) e concorra a um Wii Fit' me pareceu bonita, e as chances de ganhar triplicam se você gravar um vídeo re-bo-lan-do, de camisa da griffe, e mandar pra lá.

Não gravei o vídeo, até porque eu sei que rebolo <i>mermo</i> - mas reeditei o Charleston agora em versão <i>vintage</i>, olha só:
<p align="center"><object width='320' height='240'><param name='movie' value='http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?id_video=360661&amp;relacionados=S&amp;default=N&amp;cor_fundo=000000&amp;swf=1&amp;width=320&amp;height=240'></param><embed  align='middle' allowFullScreen='true' type='application/x-shockwave-flash' quality='high' src='http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?id_video=360661&amp;relacionados=S&amp;default=N&amp;cor_fundo=000000&amp;swf=1&amp;width=320&amp;height=240' width='320' height='240'></embed></object></p>
Esse vídeo não é pro Camiseteria, óbvio. Não tou rebolando e nem usando a griffe. Aliás, acho que a <a href="http://twitter.com/thaisaragao" target="blank">Thaís Aragão</a> vai reconhecer a camiseta: sim, eu ainda visto a banda da Thaís no peito. Ah, bons tempos aqueles, de fanzineira!

Voltando ao assunto, como eu já tinha me apaixonado por um modelo, vamos lá. Vamos conferir. Vamos ver o hype de perto.

Então você descobre que a camisa vem rápido, muito rápido. Que a malha é ótima, nem precisa passar. Que a embalagem é personalizada. Que vem balinhas Camiseteria dentro. Que o Fabio é um cara super acessível. Isso além do fato do site ter exatamente o produto que as pessoas querem, porque elas que produzem e escolhem e bla bla bla web 2.0 bla bla bla user-generated content bla bla bla mídias sociais e comunidades. Claro que isso determina o sucesso do site - mas o produto que parece que foi feito sob medida pra você (e foi mesmo, mas você tem a <i>sensação</i>. porque às vezes o produto é feito sob medida e você nem repara)... isso é genial.

<i>ISSO</i>, amigos, é <i>customer care</i>. O resto é tapinha nas costas.

* * *

Outros exemplos em breve. Aqui. Em Lounge. Porque sim, eles existem - e te tratam feito rainha (ou rei, questão de gênero).

* * *

<b>DA SÉRIE 'SPAMS BIZARROS QUE RECEBO':</b>

<i>"Lia Amancio, você foi alvo de uma macumba online. A macumba foi feita com o intuito de trazer a pessoa amada. Se esta é uma macumba indesejada, e você deseja desfazer essa macumba, entre no site MacumbaOnline.com</i>

Como não tinha executável no link e, se tiver qualquer coisinha suspeita, o site não abre aqui, fui lá na curiosidade, ver qual era. Dá pra fazer macumba pra tudo. Texto engraçadinho. Muito fofo, mas não merece o link aqui não - baita cara de 'site para coletar e-mails para fazer mailings alheios'.

Enfim.

Trabalho on-line por trabalho on-line, acho <a href="http://www.pinstruck.com/" target="blank">mais bonitinho</a> - mas confesso que nunca tentei.

Vudu é pra jacu.

* * *

Claro, você sabe de onde o título deste post <a href="http://whiplash.net/materias/demos/001962-graforreiaxilarmonica.html" target="blank">veio</a>, não sabe?

Com amor, muito carinho,
L.]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/lounge/2008/08/com_amor_muito_carinho.html</link>
         <guid>http://www.gardenal.org/lounge/2008/08/com_amor_muito_carinho.html</guid>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">etiqueta e boas maneiras</category>
        
        
         <pubDate>Wed, 27 Aug 2008 17:42:54 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>O estranho mundo das tags</title>
         <description><![CDATA[<img src="http://www.gardenal.org/lounge/imagens/crush_orkut.jpg" height="124" width="100" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px">Antigamente, a produção intelectual e artística acontecia para, só então, ser organizada, arquivada e catalogada. É curioso pensar que, hoje em dia, quadros, esculturas e demais obras que requerem suporte físico ainda são catalogadas pelo modelo 'clássico', mas textos nascidos direto no computador, assim como fotos e filmes gravados em suportes digitais, todos já nascem em suas respectivas pastas, nomeadas de acordo com a data, com o título do projeto, organizadas em subpastas por volumes.

Mais estranho ainda é perceber que essa mesma produção intelectual costuma já ser catalogada no próprio ato de sua publicação, antes mesmo de um profissional analisar qual o setor mais adequado para a armazenagem. Assim, os critérios subjetivos do próprio autor (de suas suas convicções artísticas ao interesse em pageviews, vai saber os motivos!) se sobrepõem ao que seu trabalho <i>realmente</i> é, onde ele realmente deveria ser armazenado e que tags deveriam realmente ser usadas para maior relevância de pesquisa em mecanismos de buscas - o importante é o pageview ou o tempo que o leitor fica no teu site e a taxa de rejeição, afinal?

Será que todo portal de compartilhamento de produção intelectual não deveria ter uma espécie de conselho editorial para ajudar os autores a não aloprar nas tags ou na classificação equivocada? Os próprios usuários da comunidade não poderiam ajudar? A liberdade de publicação <i>precisa mesmo</i> ser tão irrestrita? É anarquia ou marketing mal feito? E será que é mal feito mesmo? Até onde é importante o armazenamento correto de uma obra intelectual/informação, ou simplesmente <i>estar lá</i> importa mais? Sei que existem portais e sites com formas diferentes de lidar com esse assunto, ahem, delicado. Sei que ainda estou tentando entender se isso é bom ou ruim, e em que isso implicará num futuro onde boa parte da produção intelectual estará hospedada e compartilhada na web.

Mas e você? O que me diz?

<i>(ah, eu tinha cansado de ser inteligente, queria ser só bonita e gostosa, mas não consigo! não consigo! o cérebro teima em trabalhar a mil por hora...)</i>]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/lounge/2008/08/o_estranho_mundo_das_tags.html</link>
         <guid>http://www.gardenal.org/lounge/2008/08/o_estranho_mundo_das_tags.html</guid>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">arte</category>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">ciência e tecnologia</category>
        
        
         <pubDate>Fri, 22 Aug 2008 16:21:53 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Conteúdo de qualidade, cinema de qualidade</title>
         <description><![CDATA[<img src="http://www.gardenal.org/lounge/imagens/crush_orkut.jpg" height="124" width="100" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px">Várias pessoas já falaram do <a href="http://www.yahooposts.com/" target="blank">Yahoo!Posts</a>, mas acho que ninguém tocou num ponto muito importante: não é apenas uma questão de 'o portal seleciona os melhores textos de uma penca de blogs e publica os melhores'. Até porque, veja bem, eu tou lá também e ainda não fui publicada (re, re, re). Mas acho que esse tipo de iniciativa ajuda a <i>melhorar</i> a qualidade do que é escrito por aí. 

Tou errada? Mas, partindo do princípio que o teu texto vai ganhar chamada na home do Yahoo com a mesma importância de texto de site de notícias, você vai ficar publicando "querido diário, hoje eu assisti 'A Encarnação do Demônio', novo filme do Zé do Caixão, e estou até agora de cara com o filmaço" ou vai se puxar para escrever textos com alguma relevância de conteúdo, sabendo que assim terá seu texto indicado e cair novamente na home do portal?

Se você for inteligente, você vai na segunda opção.

Se você for Lia Amancio...

* * *

<b>A ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO</b>
<i>(contém um ou outro spoiler, mas não compromete. juro)</i>

O texto que segue é tão imparcial como o de alguém que, embora respeite a história do artista e do personagem, já tenha visto alguns filmes e encarado como 'ok, tive minha cota de filme cult', não exatamente <i>adora</i> Zé do Caixão. E, no entanto, passei o filme inteiro com um estranho sorriso de satisfação, e saí do Arteplex com a sensação de que não preciso entrar numa sala de cinema tão cedo. Pra você ver...

<a href="http://www.flickr.com/photos/liaamancio/2783573611/" title="Josefel Zanatas por liaamancio, no Flickr"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3096/2783573611_3930b9b960_m.jpg" width="207" height="240" alt="Josefel Zanatas" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 10px 10px 0px"/></a>

Josefel Zanatas passou décadas de sua vida procurando a mulher perfeita para gerar o filho perfeito. Depois de 40 anos encarcerado, Zanatas sai pelas ruas de São Paulo disposto a levar a cabo sua procura, iniciada nos anos 60 - mas o mundo está <i>praticamieeennnnte</i> mudado: a polícia consegue ser mais truculenta e sem noção do que ele; as pessoas estão claramente mais perdidas e paranóicas com estranhos do que há 40 anos atrás. Você, eu não sei - mas eu senti <i>pena</i> do coveiro tentando se adaptar ao cruel e bizarro ano de 2008 (2007, vá lá, o filme foi produzido ano passado). Felizmente, ele consegue. Mas é preocupante ver um homem que um dia já foi tão impiedoso, chorando de medo de pesadelos e alucinações do passado.

<b>"EU IMAGINEI QUE FOSSE VOLTAR PARA O RAMO FUNERÁRIO, MAS NÃO DESTE JEITO"</b>

O que, para o espectador, é ótimo: as cenas de flashback e as referências aos filmes anteriores são na medida certa para não serem a principal tônica deste filme e, ainda assim, situar quem está chegando agora. Além do mais, se 2007 é cruel com <a href="http://www2.uol.com.br/zedocaixao/" target="blank">Zé do Caixão</a>, 2007 permite a Mojica não poupar recursos para filmar todas as bizarrices que queria e mais um pouco: só mesmo nos dias de hoje para você <i>costurar a boca</i> de alguém ou <i>suspender</i> pessoas com ganchos de açougue sem precisar ao menos abusar de maquiagem e caracterização.

<b>"UMA CARTOLA, UMA CAPA, E UMAS P*** UNHAS DESSE TAMANHO. ANOTA AÍ: UNHAS DESSE TAMANHO!"</b>

Aliás, 'A Encarnação do Demônio' é primoroso neste sentido: um filme de baixo orçamento (o crédito do edital da Ancine entrega) que em nenhum momento é <i>tosco</i>. Porque hoje a gente vê os filmes de 40 anos atrás e acha toscos, verdade, mas é a época, gente. Sim, haja sangue neste filme, splatter de primeira linha, mas nada soa falso, exagerado, inverossímil. Hoje, José Mojica Marins é tão querido e respeitado como lenda viva que todo mundo que participou de seu filme o fez sabendo que faria algo <i>importante</i>. Quem melhor para vestir os escravos de Zé do Caixão, hoje em dia, do que Alexandre Herchcovich? Quem melhor para criar a ambientação sonora de uma São Paulo caótica do que André Abujamra? Zé Celso está - e eu tenho birra com certas 'gentes de teatro' - perfeito, o cenário 'intra-uterino' é perfeito, a fotografia no parque de diversões é perfeita, Milhem Cortaz está excelente, Jece Valadão (em seu último filme) está ótimo, a direção de arte arrebenta (palavra de produtora de arte! Alguém sacou as moedas nos olhos das tias, o que significa dentro da simbologia das personagens? Hã? Hã?), o roteiro de Dennison Ramalho é bem amarrado e, sim, surpreende.

Surpreende mas não te assusta, não te assusta mas te faz sentir - não medo, mas desconforto por aquele senhor de setenta e poucos anos não se encaixar na sociedade, não se encaixar nas crenças tão diversificadas deste país, não se encaixar com as autoridades, não se encaixar no céu, no inferno e nem no purgatório; por esse mesmo senhor, tratado como um <i>outsider</i> em seu próprio mundo, achar conforto, devoção e lealdade na noite, entre os <i>freaks</i>, e pensar que isso é a vida real (a metáfora do culto ao personagem terá sido intencional?); por esse mesmo senhor, o único que ainda <i>teatraliza</i> sua interpretação, mesmo entre Luis Melo e Zé Celso Martinez Corrêa (que parecem suaves como Meg Ryan), ter o dobro da idade dessa galera e ainda ser capaz de <i>barbarizar</i> - seja com as torturas impostas pelo personagem, seja também na vida real, com o filme elegantemente (juro!) nojento. E por mais gratuitamente sádico que Zé do Caixão seja, por mais surreal que seja sua missão, quando <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL640823-7086,00.html" target="blank">Mojica diz que a saga chegou ao fim</a>, você fica triste porque simpatizou com o tiozinho das unhas enormes, que só queria fazer um filho perfeito para dar continuidade à linhagem.

Se ele conseguiu?

Se Woody Allen ou Renato Aragão... bem, <i>veja o filme</i>. Se não pra ver aquele senhor tocando o terror, barbarizando geral e pegando as mulheres mais gostosas de São Paulo, pra ter uma aula de como se faz cinema de verdade (ouviu, né, Christopher Nolan? Sentiu quem é o verdadeiro Dark Knight? Toma!).

* * *
<p align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/liaamancio/2784423196/" title="A Encarnação do Demônio... por liaamancio, no Flickr"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3026/2784423196_9bfe8946d0_m.jpg" width="178" height="240" alt="A Encarnação do Demônio..." /></a><br><i>Diz aí que papai não<br>era os córnios do<br>jovem Mojica, diz</i></p>]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/lounge/2008/08/conteudo_de_qualidade_cinema_d.html</link>
         <guid>http://www.gardenal.org/lounge/2008/08/conteudo_de_qualidade_cinema_d.html</guid>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">cinema</category>
        
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#tag">cinema movies &quot;zé do caixão&quot; resenha</category>
        
         <pubDate>Thu, 21 Aug 2008 13:00:42 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Dos filmes vistos e não vistos</title>
         <description><![CDATA[<img src="http://www.gardenal.org/lounge/imagens/crush_orkut.jpg" height="124" width="100" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px">Vida de freela/home office está longe de ser desregrada, mas é fato que existem regras próprias a seguir - e ai de você se não respeitar alguma delas: o risco de furar os limites do que é casa e do que é trabalho é enorme. No entanto, você esbarra com alguns problemas:

- VOCÊ faz seus horários, desde que cumpra todas as metas. FATO. Quem quiser tua disponibilidade de 9h às 18h, que assine tua carteira e te dê vale-refeição. Porque...
-...porque você trabalha de casa; almoçando na rua, se sua intenção é se alimentar decentemente, você vai gastar pelo menos R$10 por dia, ou R$220 reais por mês. É uma opção, mas se R$220 é mais de um décimo do que você ganha, não pode. Então você almoça em casa, o que requer ir ao mercado ou à feira, fazer almoço, o que já come pelo menos três horas e meia do seu dia (supondo que sua alimentação não consista de miojo). De 10h às 19h, teu expediente já foi pro saco.
- Para ganhar um pouco mais, você pode ter mais uns dois clientes, mas a tal disponibilidade para o cliente 'principal' fica comprometida. SFA. Ou você, ou ele.

* * *

Com três trabalhos diferentes, sendo que um te exige disponibilidade em horário comercial, a que horas você vai ao cinema?

Então ou você se cadastra no <a href="http://www.moviemobz.com/" target="blank">MovieMobz</a> e vê uns filmes alternativos em horários alternativos, ou apela para os torrents (no meu caso, apelei para a minha mãe, já que nerdice está no sangue e ela já baixou tudo).

O MovieMobz eu tou descobrindo agora. A idéia é genial: o grande lance das salas de projeção com sistema digital é que você não precisa ter o ROLO de fita, ali, e alguém operando. Fica muito mais fácil <i>passar</i> filmes. Do outro lado, existem uns horários ingratos em que as salas ficam vazias. O <a href="http://www.moviemobz.com/" target="blank">MovieMobz</a> junta o cadastro das salas e dos cinéfilos dispostos a encarar algum filme em horários alternativos, um sistema em que você vota no que quer ver na sala e o ingresso beeeeem mais barato (afinal, o custo de projeção é baixo e aquele horário estaria vazio mesmo!). Tem tudo para bombar. Acabei de fazer meu cadastro. Vai lá dar uma olhada, vai.

* * *

Só que o MovieMobz é feito de cinéfilo para cinéfilo (leia-se "filmes cult, filmes brasileiros, filmes europeus, filmes clássicos, filmes restaurados, etc"), então tem uns filmes que só procurando de maneiras <i>alternativas</i>. Apelei pro uTorrent, pra mediateca da mamãe, pra videoteca de papai e até mesmo pra sala de cinema (duas semanas depois da estréia, claro). O que rolou nas últimas semanas foi o seguinte:

<b>Vestida para Casar</b>

Depois de ver Patrick 'namorada de aluguel' Dempsey pagar de dama de honra em 'O melhor amigo da noiva' no cinema (eu estava passando na frente da sala e tinha exatamente duas horas livres antes da aula! Não fazia sentido ir pra casa! Juro!), de ver 'O casamento do meu melhor amigo' numa sessão da tarde do Universal Channel e de comprar o dvd de 'Casamento Grego' (tava baratinho, locadora já tinha fechado, me identifiquei com o plot da balzaca solteirona com uma família curiosa), eu estou pronta para acreditar novamente no amor. Infelizmente, a história da obcecada por casamentos que perde o 'homem perfeito' para a irmã mais nova meio retardada e acaba se envolvendo com o colunista de casamentos de quem é leitora voraz me fez acreditar na violência e na psicopatia novamente.

Então consegui <i>mobilizar a diretoria</i> e, entrona no meio dum monte de feras, ocupamos uma fileira do Arteplex para...

<b>Batman, o Cavaleiro das Trevas</b>

Até hoje peço desculpas ao Miranda, ao Kassin, ao Flu e ao Muzak por ter pilhado o povo de ir ao cinema ver aquela bomba.

Claro, não é uma bomba completa - salva-se Heath Ledger e seu Coringa espetacular (se é que ele se salvou de alguma coisa), salva-se o irreconhecível Gary Oldman na pele de Gordon (muito parecido com o capitão Stottlemeyer, da série 'Monk'), Michael Caine e Morgan Freeman estão excelentes, a trama em torno de Harvey Dent é muito bem construída, então qual é o problema? O problema é que o <i>nome</i> do filme é 'O Cavaleiro das Trevas', e toda vez que o personagem-título aparece e abre a boca pra falar, é impossível segurar o riso. Não acredito
que seja um problema do Christian Bale, mas da direção - então não dá pra respeitar um diretor que faz o personagem-título se sujeitar a isso. E antes fosse só isso: uma desnecessária viagem a Hong Kong e <i>monólogos finais</i> (desde quando vilões têm <i>tempo</i> de se explicar diante de um personagem que é claramente um psicopata que veste uma capa e orelhas de morcego pra dar porrada em geral porque nunca superou o trauma da perda dos pais? E Gordon olhando pro horizonte e dizendo "Ele... é... um cavaleiro das trevas!"). 

Christopher Nolan devia voltar para a faculdade de cinema. Ah, ele estudou Letras? Ótimo. Que tal, agora, aprender cinema?

* * *

Breve, muito breve, aqui mesmo:

- Licença para casar
- Kung Fu Panda
- Ó paí, ó!
- 2 Dias em Paris
- Clone Wars
- Encarnação do Demônio

* * *
Fiquem com essa linda <i>refilmagem</i> de Batman e Coringa na cena do interrogatório e entendam o que eu quis dizer...

<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/kyMMQJ9tzWY&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/kyMMQJ9tzWY&hl=en&fs=1&color1=0xe1600f&color2=0xfebd01" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object>]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/lounge/2008/08/vida_de_freelahome_office_esta.html</link>
         <guid>http://www.gardenal.org/lounge/2008/08/vida_de_freelahome_office_esta.html</guid>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">cinema</category>
        
        
         <pubDate>Tue, 19 Aug 2008 14:28:07 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>Quando a nerdice e a música se encontram para um bem comum</title>
         <description><![CDATA[<img src="http://www.gardenal.org/lounge/imagens/crush_orkut.jpg" height="124" width="100" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px">Em <a href="http://www.cnn.com/2008/TECH/07/25/roadtrips.biofuel.kickoff/index.html" target="blank">recente matéria sobre biocombustível na CNN</a>, Robert del Bueno, comerciante de biocombustível em Atlanta, nos EUA, fala sobre a importância de um simples galão de combustível. <a href="http://www.archive.org/details/Biodiesel" target="blank">Neste vídeo</a>, Bueno aparece reciclando gordura para fazer diesel.

Simples, fácil, e ainda outro dia descobri lá na Lucia Freitas um <a href="http://www.ladybugbrazil.com/2008/07/25/coleta-de-oleo-no-rio-de-janeiro/" target="blank">serviço de coleta de óleo velho</a> aqui mesmo, no Rio de Janeiro, que tem exatamente esse fim: a reciclagem de gordura não aproveitada para a produção de biocombustível - sem poluir esgotos, sem precisar retirar óleo de novas fontes.

Soa interessante?

Bem, o que soa mais interessante é que Robert del Bueno era conhecido aqui em casa como Coco The Electronic Monkey Wizard <i>(gracias, Speedy!)</i>, baixista do <a href="http://www.astroman.com/" target="blank">Man... or Astroman?</a>, banda de surf music com temática de filmes B, que tirava uma onda de 'homens que vieram do espaço e, na verdade, <a href="http://www.touchandgorecords.com/bands/band.php?id=53" target="blank">já tem 3000 discos lançados</a> - mas como a humanidade não está preparada, vamos lançando um a um'.

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="Coco the Electronic Monkey" src="http://www.gardenal.org/lounge/imagens/coco1.jpg" width="250" height="200" class="mt-image-center" style="float: center; margin: 0 0 20px 20px;"/></span>

A humanidade ainda não estava preparada para tantas inovações (como <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Man_or_Astro-man%3F" target="blank">os projetos de clonagem</a>), e a banda se retirou. Mas Coco está aí, preparando a humanidade para algo <i>maior</i>.

* * *

A humanidade também não estava preparada para a genialidade musical de Neusinha Brizola.
Infelizmente.]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/lounge/2008/08/quando_a_nerdice_e_a_musica_se.html</link>
         <guid>http://www.gardenal.org/lounge/2008/08/quando_a_nerdice_e_a_musica_se.html</guid>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">ciência e tecnologia</category>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">improváveis</category>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">música</category>
        
          <category domain="http://www.sixapart.com/ns/types#category">tree-hugging</category>
        
        
         <pubDate>Fri, 15 Aug 2008 17:56:26 -0300</pubDate>
      </item>
      
   </channel>
</rss>
