Eu sempre deixo passar a data. Este ano, com a ajuda do Remember the Milk, posso, enfim, homenagear um dos meus filmes favoritos de todos os tempos, aquele que vi mais de vinte vezes em 1988 - toda vez que eu chegava na casa do meu pai, pedia pra assistir novamente. As marcas que 'A Pequena Loja dos Horrores', o musical que empregou metade do elenco de Saturday Night Live, deixaram na pequena menina barrigudinha de óculos de aro vermelho que, aos dez anos de idade, contava a mesma piada oito vezes e escrevia paródias de músicas e declarações de amor para um homem fictício chamado Luke Skywalker, foram indeléveis.
Pense na protagonista vestida de oncinha, namorando o topetudo bad boy, mas que se acaba se casando com o nerd do bairro.
Pense nas cantoras Crystal, Chiffon e Ronnette, e em como elas definiram parte do meu gosto musical com seu visual e as harmonias vocais para trio feminino.
Olhe para Lia Amancio hoje, totalmente revamped, mas sem negar suas origens.
Lembre-se que no vigésimo-terceiro dia do mês de setembro, no início de uma década não muito longe da nossa, a raça humana se deparou com uma ameaça mortal à sua existência.
Eu sempre quis citar este monólogo no dia 23/09! Agora, graças à web 2.0 e das tecnologias de reprodução digital, posso até dividir com vocês a experiência da abertura do filme!
Pra quem não lembra ou não viu, naquele dia Seymour Krelborne, funcionário de uma floricultura, passou em frente a uma loja de plantas e levou (por um dólar e noventa e cinco cents) um vegetalzinho que apelidou carinhosamente de Audrey II, em homenagem à sua amada. O problema é que a plantinha se alimentava de sangue, e as pequenas gotinhas de seus dedos não eram suficientes para alimentá-la à medida que crescia - então os habitantes de Skid Row, bairro central de uma cidade que poderia ser a sua, começaram a desaparecer...
Até hoje não sei se o filme era bom porque eu tinha dez anos, ou se era bom mesmo. Até tenho o dvd, mas não tenho coragem de conferir... mas acho que o clássico número do dentista, interpretado por um jovem Steve Martin, não vai fazer mal algum:
E hoje, apenas hoje, mantenham distância de vegetais suspeitos, oquei? Regue as plantas, mas não dêem nenhum tipo de comida pra elas. Por mim. Por você. Pela humanidade.
(se isso tudo é um blábláblá sem sentido porque é ÓBVIO que você já decorou todas as falas e repete 'My life is a living hell!' junto com Mr. Mushnick, ou 'Yes, doctor!' com Audrey e ainda viu a versão no teatro, com Eduardo Dusek no papel do dentista, acho que tu vai curtir isso)