Das coisas bonitas que acontecem pra quem repara nelas...
Enquanto a banda de jazz tocava, um ou outro casal se arriscava na pista de dança. Um casalzinho de crianças tentava emular os passos, Maria Antonieta tirava alguém pra dançar (sem muito sucesso), e umas cem ou cento e dez pessoas olhavam sentadas. Na que seria a última música, um blues tão gostoso, o improvável aconteceu - e um a um, ou dois a dois, as figuras foram subindo ao tablado para nos fazer companhia (é, eu era uma das que se arriscavam na pista de dança). Um mímico que dançava como rapper. Uma dançarina de can-can. Uma família inteira de lenço na cabeça. Senhoras francesas maquiadas de verde e amarelo. Bernard Finnes desceu do palco e se juntou aos franceses, brasileiros (et un québécois!), e a gente não sabia mais quem vinha de onde. Os olhos do meu partner (que há tempos não socializava com seus conterrâneos) brilhavam. De alguma forma, era como se Jean-Pierre Jeunet dirigisse a cena, à maneira de Emir Kusturica. Só estando lá para a entender a beleza daquele momento tão incomum.
A dança é onde duas pessoas de línguas diferentes se entendem - se um guia e o outro se deixa guiar, nem importa muito que você não saiba dançar este ou aquele ritmo.
A música une.
E quem comemorou a queda da Bastilha hoje, 14 juillet, au Fort de Copacabana, a tout compris.


