E lá fomos eu e Jack hoje tomar um café e falar sobre papos acadêmicos, web 2.0, design, cauda longa e todos esses assuntos que nos interessam - ele como profissional de TI e eu como pesquisadora de comunicação e cultura (por mais que esteja produtora no momento, não nego as origens e a paixão).
Caímos, invariavelmente, no papo da distribuição de música em arquivos digitais x distribuição de música em suporte físico (eu só sei falar sobre isso mesmo, e sobre dança, mais dança e café). O cd não vai acabar, vide os MILHÕES de cds que ainda são vendidos no esquema "autopirataria": qualquer um pode montar uma fábrica de discos mais ou menos caseira e vender seu produto sem uma gravadora como intermediário. E isso é bom se você fizer isso com a sua própria música, e não com a música alheia. Isso é bom se seu público não está em massa na internet, e sim indo aos shows. É só ligar naqueles programas de forró que passam sábado de manhã na tevê aberta e ver fulano, o príncipe do [teclado/acordeão/reco-reco], que você nunca ouviu falar mas todo mundo no [insira localidade remota] conhece, recebendo disco de platina pelo primeiro milhão de discos vendidos. Enquanto isso, um tantão assim de músicos e gravadoras com acesso total a todas as ferramentas de difusão de multimídia on-line chorando as pitangas porque "o mercado fonográfico acabou". Se pensarmos 'fonográfico' as in 'fonógrafo', acabou mesmo - mas um novo mercado está aí, só começando.
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De qualquer forma, se a indústria quisesse mesmo acabar com a pirataria e a distribuição não-autorizada de mp3 (por que não autorizar, aproveitar o potencial de 'espalhamento' de um arquivo e usar isso a favor, para fins de divulgação, hein?) - o que acredito ser uma má idéia, senão o que seria da indústria de cds e dvds virgens sem os filmes e mp3 pra gravar? Ou alguém enche um dvd inteiro só com arquivos .txt? -, investiria na produção dos impirateáveis (afinal, quem vai ter uma prensa de LPs na garagem??) discos de vinil - que só porque a Rolling Stone gringa escreveu e O Globo traduziu está todo mundo falando, mas que a Rolling Stone BR deu primeiro, e fui eu que escrevi - tá ligado que as Rolling Stones traduzem e/ou adaptam as matérias pro mercado local, né?
(e obrigada, mil vezes obrigada, Pablo, por ter me dado ouvidos e encarado a pauta - posso tirar uma onda de trendwatcher agora?)
:)