« Música, ritmo e chocolates! | Main | a bOia »

A memória olfativa dos cafés (ou "à memória olfativa dos cafés")

Vivendo e aprendendo com os mestres: Adão Iturrusgarai, cartunista e figura querida, me ensinou tempos atrás que café se guarda na geladeira. Um tempo depois, re-aprendi essa - desta vez, conselho de profissional. Aprendi a identificar, pelo odor e paladar, um bom café - e a respeitar meu gosto pessoal, se eu preferir um cappuccino com gosto de bala, por exemplo. Não gosto mais de café com açúcar, tomo cafés comuns apenas pela necessidade de cafeína inerente à profissão, não, você não está entendendo, realmente não consigo mais tomar café com açúcar, tentei outro dia e não passei muito bem depois.

Já havia aprendido que café era bebida de preto velho, que café no copo de vidro tomado na cozinha era muito melhor, que café combina com cigarro - e, apesar de ser não-fumante, concordo, concordo e concordo que a combinação café e cigarros dá samba (e deu até filme, e que filme!), que espresso é com s, que chafé não é tão ruim e que a paixão é antiga, aos nove ou dez anos minha bebida preferida na hora do lanche na casa de dona Inah era o clássico café com água e açúcar, acompanhado das torradinhas mais perfeitas já produzidas por um ser humano, besuntadas de margarina. A pequena Lia já sabia das coisas!

O que ninguém me ensinou e aprendi sozinha, ontem, foi a misturar, finalmente, o valor da memória olfativa - que me remete às melhores lembranças com cheiros tão díspares quanto patchouli, filtro solar e disco de vinil novo, e até mesmo com sinestesias aparentemente sem sentido de ventos em ruas e épocas do ano que lembram cheiros e remetem a épocas que, também aparentemente, não se associam ao presente (mas lá, naquele cantinho da memória, volto aos quatorze anos em Niterói ou aos oito vendo os golfinhos de Miami pela primeira vez). - com o cheiro do café.

O café, um Rumba do Cerrado Mineiro, vendido no Armazém do Café.

O cheiro, de café gourmet.

A sensação, vê se você se lembra da última vez que te aconteceu: antes de se perceber apaixonado, o cheiro da tua pessoa especial estava impregnado no travesseiro. E naqueles dois dias, depois que tua cara-metade (ainda que só por uma noite) foi embora, você se recusou a botar a roupa de cama pra lavar.

A vontade era de não botar em geladeira coisíssima nenhuma, e dormir agarradinha com ele, acordar enroscada e bem-disposta, apesar de quase não ter dormido (café, né? faz isso com a gente).

Mais uma cafungada e me apaixono.

TrackBack

TrackBack URL for this entry:
http://www.gardenal.org/sistema/mt-tb.cgi/9120

About

This page contains a single entry from the blog posted on março 25, 2008 12:35 AM.

The previous post in this blog was Música, ritmo e chocolates!.

The next post in this blog is a bOia.

Many more can be found on the main index page or by looking through the archives.