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I Rio Swing Fest

Tem uma coisa muito legal acontecendo no Rio de Janeiro nesse momento.

Swing jazz nunca esteve na moda por aqui, já que não existe nada mais longe da nossa cultura do que esse som - embora a bossa nova tenha bebido na fonte do jazz; embora a cultura negra e as danças de rua sempre tenham existido e, tanto aqui como lá fora, sejam muito mais interessantes que os lances criados pelos brancos (que normalmente perdem no quesito 'originalidade' e 'swing').

Moda não é, nunca foi e provavelmente nunca vai ser, já que, além de tudo, a época do swing jazz já passou faz tempo, e nem era aqui no Brasil - mas em todo lugar sempre tem um povo que curte as coisas mais improváveis, graças a deus...

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Como se não bastasse o som, tem também a dança. Nos anos 20, nos Estados Unidos, se dançava charleston - e se você pensa que era dancinha comportada de povo conservador na época da sua bisavó, está redondamente enganado: o charleston é selvagem. Você sua mais dançando charleston do que em 3 sessões puxadas de academia. Não tou brincando, é um jogo de pé complicadíssimo, de deixar madrinha da bateria de escola de samba no chinelo!

Depois a dança evoluiu pro balboa, pro shag, pro lindy hop, e foi assim até meados dos anos 50, quando surgiu o rock'n'roll. O lindy hop continuou a ser dançado (foi o Lennart que falou!), mas do mesmo jeito que as harmonias foram se simplificando, também foi a dança (essa eu tou deduzindo). Os pais e avós ficavam chocados com os movimentos sexies e selvagens (he he), que nada mais eram do que movimentos para acompanhar as baterias marcadas e que, com a formação reduzida dos grupos de música, apareciam mais.

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Então a dança deu uma sumida, mas sem perder alguns focos de resistência aqui e ali. E aqui no Brasil, o que acontecia?

Dançado nos salões de dança, o lindy hop não deve ter sido muito bem compreendido, porque chegou de uma forma bem simplificada - a Maldição do Soltinho!!

(entenda a Maldição do Soltinho: o que não é bolero nem samba nem salsa pode ser dançado com a marcação '123 123', gira prum lado, gira pro outro - mas a pouca variedade de passos dá pouquíssima margem pro improviso e, assim, pra diversão de não saber o que teu parceiro vai fazer, então se vira, ri, faz outra coisa e ri mais um pouco e continua dançando).

Tá bom, eu vou mostrar:

Por aqui, o lindy hop nunca deixou de ser ensinado, mas como modalidade de dança de salão. Bailes com 200 pessoas dançando e você, amante da boa música e, de certa forma, da cultura retrô nunca ficou sabendo - porque dança de salão, como você bem sabe, é tão panelinha quanto o fabuloso mundinho do rock. Além do mais, por ser uma modalidade de dança de salão, você pode até sair pra dançar lindy hop, mas vai ter que engolir montes de salsa, samba e forró - e ai do infeliz que não gosta de nada disso: vai tomar chá-de-cadeira a noite inteira!

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Então tem uma galera fazendo um movimento pra que a coisa flua independente do salão: coloca uma banda pra tocar, dá exclusividade ao ritmo, e mesmo quem só gosta da música vai poder curtir, tomar uma cerveja com os amigos... e vai morrer de inveja de quem sabe dançar?

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Pois é, eu acho que vocês não estão sabendo do Rio Swing Fest, porque eu passei a semana passada sem computador, e as semanas passadas trabalhando 26h/dia. Mas como vai ter também no fim-de-semana que vem, deixa eu te contar: ontem teve um pusta baile no Cais Cultural, ali na Praça Mauá, com o show do Cristiano Crochemore Blues Trio. O lugar é ótimo (e tem transporte para tudo o que é canto!), o som dos caras é ótimo, e quem é de dança dançou, quem é de música curtiu. Quem é de dança também curtiu... e quem é de música pode aprender a dançar.

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Se você perdeu, às 4as feiras a banda bate cartão no Shennanigans, aquele pub dos dardos na praça General Osório (não confundir com o Irish Pub, mas atenção: freqüente o Irish Pub também que o lugar é ótimo).

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O Lennart Westerlund, sueco gente boa que está na cidade e comemora aniversário quase juntinho comigo, está dando uma série de aulas e workshops para iniciantes. O homem é fera, quando eu nasci ele já estava dançando. Hoje tem, mas você não vai ler isso a tempo. Tudo bem, fim-de-semana que vem (dias 15, 16 e 17) a diversão continua:

- Aula de iniciantes sexta-feira às 19h no Centro de Artes Nós da Dança, em Copacabana, com prática depois
- Aula para iniciantes sábado às 14h no Nós da Dança - big apple, charleston e fundamentos do lindy hop
- À noite, no Cais Cultural, baile com o Cisco Trio, que se você freqüenta esse blog e aprendeu a gostar do Canastra, vai curtir porque a formação é praticamente a mesma, só que em versão pocket.
- E domingo as aulas continuam na Casa de Dança Carlinhos de Jesus e, se fizer sol, na praia de Ipanema.

Toma. Se diverte aí. Quer ver o que mais esse pessoal anda aprontando? Toma, se diverte mais ainda aí.

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E não é só isso!

Toda terceira sexta-feira do mês tem um aulão de ritmos americanos (lindy hop e rock'n'roll), seguido de prática na Academia Ponto de Encontro, Rua Gonçalves Dias 16, Centro, das 21:00 às 23:00.

-- vale a pena vir para os 15 minutos de aula, para entender a dinâmica da coisa e para fazer contato com o Mauro e a Adriana, que dão aulas e organizam laguns bailes por aí, mas se você não é minimamente iniciado em dança de salão e/ou lindy hop, não é muito divertido. Se você vem só pra curtir o som, também não é, já que o foco são os standards que você tem em casa, e sempre vaza uma salsa da sala do lado. Mas o aulão vale a pena, já te dá uma boa base pra freqüentar os próximos bailes.

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Todo último domingo do mês tem baile de lindy hop no Ginga Carioca, na Rua Djalma Ulrich 154, 2° andar, em Copacabana. Começa às 20h e vai até meia noite.

-- Se você não dança, não vai sair dançando, já que não tem aula para iniciantes. Em compensação, se você apenas curte o som e fazer uma social, o lugar é ótimo e os djs também são pesquisadores de música, o que é garantia de ouvir uns lances de jazz que tu nunca ouviu antes. Aí quem sabe você se anima a fazer aulas lá no Ginga Carioca mesmo.

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E tem o Bailinho do Rodrigo Penna, né? Sempre rola uma rodada de Frank Sinatra e Nina Simone pra galera.

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É isso. Lindy hop, antes de ser uma dança de salão, era uma dança de rua, dançada em qualquer lugar onde toque swing jazz - que é um som tão gostoso que é um pecado ficar restrito à panelinha de dança de salão.

Acho difícil a moda pegar aqui, 70 anos depois (tudo bem que as coisas chegam com um certo atraso, mas ainda assim...); mas, mesmo fora de moda, tudo isso continua muito divertido, não acha?

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