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O grande desenho da Warner que é a vida real, e sua trilha sonora composta por caras estranhos

Deu no Globo online: armário cai na cabeça de pedestre em Botafogo.
Isso me faz lembrar que quero uma morte glamourosa: apenas aceito morrer com um piano ou uma bigorna na cabeça, nada menos do que isso. Com "Powerhouse", do Raymond Scott, tocando ao fundo.
* * *
Raymond Scott compôs, tocou e arranjou diversas músicas que você certamente já ouviu em desenhos do Pernalonga, Gaguinho e Patolino. "Tá maluca, Lia, música de desenho animado?".
Sim. Altos jazz. Ouça só.
É isso aí. Eu, você e a petizada agora adulta-gente-boa que cresceu vendo o Coiote Coió sendo explodido com dinamites Acme pelo Papa-Léguas, já nascemos - independente do gosto musical dos nossos pais na época - ouvindo jazz e música clássica e nem sabíamos.
Não crê? Então saca o Carl Stalling. Teu inglês está afiado? Lê isso aqui, então. Música clássica, sim. Ou você não lembra do Coelho de Sevilha?
* * *
Feche os olhos e sinta...
Faça essa experiência: abra o vídeo e deixe APENAS o áudio rolando.
E esse outro desenho do Pernalonga? Vamos lá, por favor, faça a mesma coisa - é difícil, eu sei, não ver a animação maravilhosa - afinal, trata-se de um legítimo Chuck Jones, meu deus do céu! Mas insista, resista, controle-se, desligue o monitor e ouça apenas o áudio pra entender.
E essa paródia de Buck Rogers com o Patolino? Seja forte, NÃO VEJA. Apenas ouça.
Pois hoje está mais fácil entender os comentários de 'onde foi que eu errei?' do meu pai quando eu insistia em ouvir Vanilla Ice no começo da adolescência. Fui criada pra ter um gosto musical refinadíssimo. E, claro, pra dinamitar pedreiras, correr atrás de ratos, sacanear caçadores e pintar túneis falsos em muros para enganar os outros. Ei. Peraí. De certa forma, este último item eu até faço.
* * *
Voltemos a Raymond Scott e sua 'Powerhouse', que até hoje é uma espécie de hino do Cartoon Network. Graças ao advento da internet, descobrimos que ele trabalhava no próprio laboratório do Dexter!

Powerhouse!
(peguei daqui, ó)


Raymond Scott tinha um quinteto com seis integrantes; não era exatamente apreciado pela comunidade 'jazz', já que era tão perfeccionista em suas execuções que não dava margem aos improvisos. Tão perfeccionista com sua carreira que limou empresários, equipe, e cuidava de tudo. Lá pelas tantas, limou também os músicos e foi fazer música com computador. Olha essa HQ que termina com Raymond Scott todo tiozão, de cama, fazendo música com um PCzão nos anos 80. Olha o estúdio que ele construiu. Na boa, olha isso, de 1946. E você aí, Klein, querendo começar a fazer essas coisas. Vai, vai fundo, dou a maior força. Juro.
* * *
Nerd pride
Olha a Circle Machine, a Videola (criada pra compor enquanto assistia aos filmes - como a vida hoje é FÁCIL, não? e a gente aqui reclamando que falta placa de vídeo, falta grana...), o Clavivox e o Electronium.
Tem uns arquivos de áudio na página do Electronium pra ouvir, vejam lá. E como não podia impressionar mais, o design da engenhoca é lindão.
* * *
Eu podia passar horas aqui dissertando, também, sobre Bruce Haack, e como ele também era um gênio excêntrico que fazia trocinhos eletrônicos com som e ainda por cima fazia discos infantis e experiências lúdicas com crianças, que se divertiam, experimentavam, construíam e treinavam noções de musicalidade com paradinhas eletrônicas. Mas não apenas as imagens falam por si mesmas como eu ainda não tô ganhando bolsa pra isso.
* * *
Song for a future generation
Se vale como curiosidade, tá lá na página que o Electronium agora pertence a Mark Mothersbaugh, ídolo supremo que, como se não bastasse ser do Devo e dos Wipeouters, ainda planeja restaurar o equipamento.
Felizmente, curiosamente e incrivelmente respeitavelmente, Mark Mothersbaugh também trabalha com trilha sonora de desenho animado (leia o que ele tem a dizer sobre isso aqui), e foi o responsável por colocar uma cover de BLONDIE no filme dos Rugrats...

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Comments (14)

oiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

oiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Lia:

Mas gostava de Devo e de músicas de desenhos animados, e de pessoas estranhas fazendo músicas 'didáticas' pra crianças ;)

O problema é o que as pessoas fazem quando experimentam... música CHATA não dá pra aturar!!!!

(PS: passado recente. tamo ficando velho. isso deve fazer pelo menos uns 4 anos, he he)

E eu ainda me lembro de um passado recente em que vc falou mal de "experimentalismos" Lembra?Hein Hein?
Tsc Tsc Tsc

Mas não se preocupe. Nunca é tarde! Mas,claro, não podia deixar de dar uma sacaneada, de leve :P

Lia:

Emiliano, a semana já tá no final. E agora?

Muta, sabe como é, se esses caras fazem a trilha do que a gente via... não é à toa que a gente fica *assim*! :)

E, Rick, comida não pode, mas bigornas, pianos e armários...

Rick:

Colocaram um aviso aqui no elevador do meu prédio pedindo para os condôminos não jogarem comida pela janela. :p

Muta:

Muito bom, muito bom mesmo!

Aprendi muito sobre porquê sou como sou hoje em dia, hahaha.

Legal mesmo Lia.

Inté

Muta:

Muito bom, muito bom mesmo!

Aprendi muito sobre porquê sou como sou hoje em dia, hahaha.

Legal mesmo Lia.

Inté

Publicar um post desse em pleno início de semana, quando a correria é sempre louca, é uma maldade. Tem tanta informação bacana aí e eu aqui sem tempo pra megulhar de cabeça no post. Isso não se faz!

Lia:

G-Gabriel, she-nerd com orgulho. Ultimamente mais she do que nerd, é verdade, mas até que a parte nerd ainda bate um bolão.

E, Domingos, que vídeo SURREAL!! :)

Atualiza seu blog aí, poxa! :)

Lia,

eu lia seu artigo "Nerds mandam bem" e fiquei tão impressionado com o seu conhecimento de causa que fui procurar algum jeito de me comunicar com você. Achei esse blog aqui.

Realmente queria descobrir como é que você sabia tanto sobre nerds. Depois que eu li sobre jazz e música clássica em desenhos, tudo ficou claro: você é uma she-nerd...

Lia:

3 - Klein, peço que sua irmã NÃO DESISTA. Os Beatles são inegavelmente melhores do que o Menudo, mas o que seria da liberdade de opinião e democracia se ninguém achasse o contrário?

3 comentários:

1 - nos meus sonhos mais loucos eu imagino uma coisa meio assim mesmo, eu morando num sobrado e no fundo um estúdio pra eu trabalhar. Cheio de mesas de som, computadores, guitarras, compressores e racks de efeito. Sei lá se eu chego longe assim, mas o sonho orbita por aí

2 - eu acho que eu só entendi de verdade a beleza dos desenhos do papa léguas o dia que um amigo me contou que tinha visto um episódio muito bom e eu pedi que ele me contasse como era. Ele fez uma cara que misturava raciocínio profundo e indignação e respondeu "cara, é papa-léguas... não da pra explicar!"

3 - sua história do Vanilla Ice me fez lembrar que minha irmã tentou, quando pequena, convencer meu pai de que os Menudos eram melhores que os Beatles.

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