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Vale a pena ler de novo - Guerra, Paz e Pombos

Guerra, paz e pombos - Agora você também tem motivos pra odiar
(originalmente publicado no Zine Vanilli)

Não há melhor maneira de começar o dia com um cocô de pombo acertando sua blusa nova, já do lado do seu trabalho ou faculdade ou compromisso inadiável, quando a possibilidade de voltar em casa para trocar e largar a blusa ‘batizada’ na máquina de lavar simplesmente não existe.

Então você se lembra de quando era apenas uma criança e gostava de desenhar coisas bonitas:

- Tia, o que eu faço pra representar o ano novo?

- Desenha uma pombinha branca. É o símbolo da paz.

PAZ? Meu cu.

Uma rápida pesquisa no Google me dá 1.460 resultados para o termo “pomba branca”, assim mesmo, em português: assoociações religiosas, contos de Natal, cultos milenares orientais, histórias infantis, religiões afro-brasileiras e até presepada de publicitário fazendo um marketingzinho pessoal básico. “Pigeon blanc”, “White dove” – todos, de todas raças e credos, são unânimes em associar este animal com a paz – e nós, crias de grandes centros urbanos, estamos acostumados a conviver com esses ratos de asas: quem não se lembra de, pequenininho, dar milho aos pombos em alguma praça e sair correndo com medo da aglomeração de centenas dessas criaturas arrulhantes que voam histericamente atrás de um agradinho para o estômago?

Sim, pombos são chatos e não têm senso de direção algum – voam na sua direção, entram na sua frente, cagam de cima, podendo te acertar. Como se não bastasse essa praga urbana, nós, humanos, ainda incentivamos a superpopulação desse bicho escroto dando comidinha e propiciando um ambiente agradável para suas vidinhas inúteis. Inúteis sim: pombos, aves urbanas que se tornaram, não têm predadores naturais – assim, eles não apenas são inúteis para a cadeia alimentar, como se multiplicam cada vez mais. Por se alimentarem de lixo (sim, lixo que você joga), não eliminarem as toxinas propriamente de seus corpinhos rotundos e andarem em qualquer buraco (sim, já que você dá comida e lixo pra eles, eles estão aí, procurando abrigo), os pombos transmitem doenças para os humanos. São elas a criptococose, um fungo transmitido pelo ar, espalhado pelas fezes secas do bicho e que pode levar à pneumonia; histoplasmose, outro fungo; a bactéria da selmonelose, que causa dores, náuseas, febre, diarréia e pode até matar por desidratação; toxoplasmose e piolhos – alguns estudos chegam a relacionar pelo menos 50 doenças ao símbolo mundial da paz – mas você não liga, não é? Você mora num apartamento com esterilizador de ar, você vai para o trabalho de carro, você recebe tíquete-alimentação e não precisa catar lixo e andar no meio dos pombos. Você tem boa saúde e sabe que precisa estar muito debilitado para pegar qualquer doença dessas. Você dá milho e pedacinhos de pão pra eles e não paga um saco de pipoca de um real pro moleque que está com fome na esquina (eu sei, você não dá porque isso é assistencialismo barato que não vai tirar o garoto da rua, o garoto deveria estar na escola pública a essa hora e a mãe dele deveria receber assistência psicológica, mas isso foge das suas competências – e, por causa disso, você joga o resto do seu sanduíche para os pombos passarem em cima e os pobres comerem).

Aí você vê que o bicho é pior do que rato, porque te acerta de cima. Pra piorar, as estatísticas sobre a reprodução destes monstrinhos são terríveis: pombos começam a se reproduzir a partir dos sete meses de vida – sendo que vivem, em média, 15 anos, produzem 5 ninhadas por ano e, a cada ninhada, nascem dois filhotes. Quer dizer que em 14 anos de vida útil de uma pomba (se é que se pode chamar pombo de útil), em média, ela produz 140 filhotes!! E a gente aqui, incentivando, dando comidinha..

Como pode que eles se tornaram o símbolo da paz se, sozinhos, os pombos são responsáveis por pelo menos três das sete pragas que assolaram o Egito e agora assolam o mundo moderno (são elas: piolhos, peste e saraivada, que no Egito era de granizo, mas a gente convive diariamente com as revoadas de pombos e chuvas de cocô de pombo por todos os cantos)?

Bem, isso é culpa da mesma Igreja Católica que quer que você acredite num homem que nasceu de uma virgem, que divulga a historinha do homem que salvou todas as espécies animais de um dilúvio, colocando casais de todas as espécies existentes na Terra num barco por 40 dias e 40 noites enquanto chovia torrencialmente e tudo era inundado.

Vamos supor que isso seja verdade. Noé foi malandro e mandou logo uma pomba pra fora, pra descobrir se o dilúvio havia terminado – e, surpresa, a singela pombinha branca voltou com um ramo de oliveira, mostrando a todos que o mundo estava a salvo do aguaceiro. Provavelmente era ela que estava contaminando os outros bichos da arca, tinha mais é que correr o risco mesmo. Aí eu fico pensando se a pomba tivesse morrido, como tudo seria muito pior e elas seriam as mártires do mundo católico, tão respeitadas como as vacas indianas – aí então iniciativas como a da Prefeitura de Paris, de autorizar pessoas a matar pombos para o bem estar social e equilibrar o ecossistema urbano, não seriam nem cogitadas.

Pois é, sabia que os franceses autorizaram a população a matar pombos pra vender no açougue? O Ibama, no entanto, está atrasadíssimo nesta questão: pombos brasileiros são considerados animais domésticos (!!!), e ações que provoquem a morte ou danos físicos aos pombos são consideradas crime inafiançável e podem dar 5 anos de cadeia. 5 ANOS! Por tentar salvar a espécie humana de um desastre ecológico! Que grande absurdo!

Então agora que você já entende a cultura urbana do pombo, já sabe por que você alimenta pombos, porque existem tantas pessoas doentes na rua e, principal, já sabe que boa parte do que você acreditou por tanto tempo é mentira, está na hora de dar um basta nisso. Se preocupar com a Amazônia é legal, mas fazer algo pela cidade onde você mora é melhor ainda, incita a cidadania e, a médio prazo, produz cidadãos mais educados e conscientes – deste jeito, acredito que a Amazônia será salva do mesmo jeito; então, amigos, não deixemos que essas aves mal educadas se multipliquem. Podemos vedar os cantinhos onde eles se aninham, objetos para impedir que se estabeleçam em peitorais de janelas, parar de jogar lixo na rua, transformar o ambiente urbano em um lugar hostil, até desencapar fios de alta tensão está valendo (hum, ok, melhor não). Desde que eles voltem para seu habitat natural ou que morram, está ótimo – e quanto mais guerreiros nesta cruzada anti-pombos eu conseguir arregimentar, melhor. Pra mim, acabar com a infestação deste animal na minha vida é mais que uma questão de saúde – é uma questão de honra.

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Comments (9)

Paulo Antonio:

Olha aqui. Lugar de bicho do mato é no mato. Quem foi o primeiro imundo, delinqüente que inventou essa de pombo doméstico? Se fosse doméstico eu poderia matar pra comer. Ué, eu não mato galinha pra comer? Claro que mato. E galinha é domestica? Claro que é. Então pombo é doméstico? Sim. Então eu posso comer pombo? Claro que posso. Então eu posso matar pombo? Nesse caso, posso. Então qual é o problema de matar pombo? Nenhum.O IBAMA não falou que ele é doméstico? pelo jeito o pombo é doméstico, o IBAMA é quem é do mato...aí, paciência, né?

Biju:

Gostei, de alguns coméntarios mas alguns não os pombosfazem parte da nossa onde não a paz eles não ficam revoltam-se e vào. Por isso tenha uma criacao de pombos em casa para ver se existe paz na sua casa ou não

Lima:

Procurem no google ok cleaner....a serio

célia:

quanta raiva embutida neste post...super população de pombos é produto de desequilíbrio ecológico...hoje saímos para matar pombos, quem sabe amanhã as gaaças, as andorinhas , os bem-te-vis??? e que fique só o homem convivendo com sua própria sujeira, que não é pouca.

Anonymous:

Seria mais fácil acabar com as aglomerações humanos que com as pragas que esta traz... Desequilíbrio ecológico não é culpa dos pombos...

Bettina:

Tomei a liberdade de divulgar o link na minha página do orkut por alguns dias, para que as pessoas possam saber que não sou a única indignada por ter que conviver com esses bichinhos tontos e nojentos em pleno centro da cidade, todos os dias.

Monaliza:

Há quatro anos estou dizendo o mesmo que vc e na mesma campanha. Pombo é uma praga protegida por lei. O bom é que as pessoas estão começando a tomar consciência, mas ainda falta muita atitude.

Eu ODEIO pombo! Lá em casa costumava a ter. Pra me livrar deles, eu tinha que ficar caçando essas pragas com uma rede de pesca, correndo pelo quintal; é mole?!

Houve um tempo no qual eu pensava ter inventado o termo 'ratos alados'...

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