Tô com tanto trabalho que prometo escrever coisas aqui e acabo não cumprindo em tempo hábil. O pior é que, quando paro para fazê-lo, já nem me lembro direito sobre o que escreveria. Bem, eu ia comentar alguma coisa sobre a transmissão da etapa carioca do Mundial de Ginástica, acho que era isso.
Não sou especialista na modalidade (longe disso), mas, por dever profissional, fui obrigado e estudar um pouco o assunto. Sem contar que foi uma coisa tão estapafúrdia que até um tomate descascado perceberia que quase toda a equipe da Globo estava perdida em rede nacional.
Sem saber o que falar, a transmissão insistiu no oba-oba. A coitada da comentarista era a única pessoa que parecia saber mais ou menos o que acontecia. O narrador, quando se limitava a descrever o que via, também não comprometia. De resto, era difícil agüentar tanto ufanismo.
Ninguém parou para falar que o nível técnico do torneio não foi dos melhores. Russos e romenos, entre alguns outros europeus, não estiveram no Rio para se preparar para o Campeonato Europeu de ginástica. Dar essa informação não desmerece algumas das conquistas brasileiras e é obrigação do jornalista. Mas preferem ficar quieto e inflamar o público, que já espera um batalhão de medalhas em Atenas. E, como bem disse o treinador da seleção Oleg Ostapenko, só a Daiane dos Santos tem chances. O Diego Hypólito, aliás, nem irá à Grécia competir, o que foi falado rapidinho, quase como se fosse um segredo.
E chegou a vez da Daiane dos Santos. Pelo pouco que entendo de ginástica, ela realmente é boa e os títulos que ela conquistou são importantes de fato, não torneios engana-trouxas. No entanto, ninguém lembrou ou quis lembrar que ela não é uma ginasta completa, pois só consegue ser competitiva no solo e no salto sobre o cavalo. Nesse aspecto, até a Daniele Hypólito é melhor.
Tudo bem, ficar só reclamando é babaquice, porque, perto do que o Brasil tinha há 5 anos, já está bom demais. O que também não justifica a falta de informação da transmissão. A apresentação da Daiane no solo foi boa, mas não justificou o ataque histérico de tanta gente, incluindo os jornalistas (não só os da Globo, quase todos os que fizeram alguma reportagem lá no Riocentro).
Logo após a rotina da ginasta, um repórter foi entrevistá-la ao vivo. Era evidente a falta de saber o que falar do cara. Insistiu em perguntas no estilo “e aí?”, “como é sentir o calor da torcida?”, “e aí?” (de novo!), “esperando o ouro?” e, para completar a trilogia, mais um “e aí?”. Foram dois minutos assim, até sair a nota dela, mais baixa que na fase de classificação, fato salientado pela própria Daiane.
Faltam quatro meses para as Olimpíadas. Serão quatro meses ovacionando a Daiane e criando uma expectativa enorme sobre ela. A gaúcha até é favorita, mas não é esse ouro certo que começam a pintar. Seria tão bom, para ela, se o futebol masculino tivesse uma vaga em Atenas... Pelo menos, captaria parte das atenções e da pressão pelo ouro.
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Só como lembrete, o Dream Team norte-americano só não perdeu o ouro no basquete em 2000 porque a Lituânia errou um arremesso no último segundo, o Sergei Bubka não passou da primeira fase no salto com vara em 1992 e o glorioso Baloubet du Rouet refugou no concurso de saltos em Sydney. Vai que a Daiane perde. Impossível não é.
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Desculpem-me se não dei o nome de ninguém no texto, mas, realmente, esqueci quem eram os jornalistas.
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Filmes de março. Salvo engano foi só o Paixão de Cristo, que eu já disse o que achei aqui. Se houve outro filme, acumula para abril. Falta tempo, falta tempo...
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Uma matéria do UOL (não achei o link) disse que a moda da playboyzada é ir para a balada com camisas de futebol. Quem me conhece sabe que sou precursor nessa arte (o que causava constrangimentos na época, mas eu fiquei irredutível até hoje). Por isso, não aceito que digam que faço isso pela moda! É algo ideológico! Gastar R$ 60 em camisa de futebol para coleção e não usar é um crime. Sem contar que é uma forma de homenagar times bizarros como o Vitória de Pernambuco ou o Bandeirante de Birigüi. Mas devo admitir que estou transtornado com a idéia de que posso estar andando na moda...
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Se há algum leitor do Balípodo passeando por aqui, peço desculpas pela falta de periodicidade da atualização. Semana que vem volta ao normal. Acho.
No perfil da coluna da direita, eu prometi um dia explicar porque eu gosto do Verona, um timinho safado da Itália com fama de ter torcida neonazista e que só apanha. Esse trecho do perfil foi retirado na mudança de layout, mas resolvi cumprir a tal promessa.
Sempre fui fanático por Fórmula-1. Em 85, tinha 6 anos e alguns meses e acordava todo domingo de manhã para assistir às corridas. É óbvio que não era todo domingo que tinha corrida, mas eu ainda não aprendera os detalhes de um calendário automobilístico. Assim, ligava a TV e, automaticamente, colocava na Globo. Sem nenhuma corrida programada, a emissora preenchia sua programação das manhãs de domingo com o Campeonato Italiano (tocava "Rockin' Like a Hurricane" do Scorpions na vinheta de abertura, que horror!).
O primeiro jogo que vi foi um Verona x Roma, em Verona. Meio por curiosidade, decidi deixar a TV lá. Podia ser divertido. Para aumentar o interesse, botei na cabeça que iria torcer para o time que ganhasse. Com um gol do dinamarquês Elkjaer, os vênetos ganharam. Acabei me envolvendo com o time azul. Coloquei (só naquele ano) a Fórmula-1 de lado e acompanhei o resto do campeonato. Comecei bem, pois o Verona foi campeão.
O problema é que eu tenho mania de virar um fanático pelas coisas. E fiquei fanático pelo Hellas Verona (nome correto do clube). Mas torcer pelos gialloblù não é a coisa mais confortável do mundo. O time foi campeão em 85, mas é pequeno. Nas temporadas seguintes (transmitidas pela Bandeirantes) o time andou no grupo intermediário. Era ruim, mas dava para levar. Até que, na temporada 89/90, viu a Série B com uma proximidade desagradável. Na penúltima rodada, o Verona bateu o super-Milan por 2x1, de virada (gols de Sottomayor e Pellegrini, me lembro até hoje). Pulei feito criança (afinal, eu era uma criança) por uns 15 minutos. Na minha visão, ter forças para tirar o título do Milan era um sinal de que o Cesena não seria obstáculo na última rodada. Ingenuidade. O Cesena ganhou e rebaixou o Verona.
Foi triste. Sem internet, era difícil ter notícias da segundona italiana. Comecei a freqüentar bancas de jornal que vendiam a Guerin Sportivo (principal revista italiana de futebol). Era ridículo. A cada 15 dias eu ia na banca, pegava a revista, folheava só para ver a classifica e ia embora. Não tinha dinheiro para comprar sempre.
Bem, o Verona ficou brincando de subir e descer de divisão por vários anos. Nesse meio tempo, tive um baque: descobri que havia neonazistas na torcida. Confrontei minha ideologia política, mas segui com o Verona. Acredito que não deveria desistir do time por causa de uns idiotas.
Em 2002, casei-me e fui passar a lua-de-mel na Itália. Claro, dei uma passadinha em Verona (não só pelo time, a cidade é linda e realmente merece uma visita). Antes da viagem, olhei a tabela do campeonato italiano e se haveria jogo do Verona nos dias em que eu estivesse lá (seria bem em um fim-de-semana). E estava lá: "23 de março – Chievo x Verona".
Delírio total. Não só eu realizaria o sonho de ver meu time ao vivo, como seria no clássico da cidade. Um dia antes, eu e minha mulher passamos no estádio para comprarmos nossos ingressos. O Chievo era mandante e tinha a maior parte das bancadas para si. Como eles têm uma torcida menor, acabaram sobrando alguns ingressos (a parte do Hellas, claro, estava esgotada). E desses alguns é que achei os meus dois.
Como a rivalidade de ambos nem é tão forte, não tive problemas. Comprei uma camisa e um cachecol do Hellas e entrei no estádio. A visibilidade era horrível (fiquei atrás do gol). Estava no meio de torcedores do Chievo, mas pude vibrar quando o grande da cidade saiu na frente. Mas o Verona foi recuando, permitindo um crescimento do outro time. Como bom torcedor do Hellas Verona, já estava acostumado a derrotas. E não foi diferente naquele dia: 2x1 Chievo, de virada.
Voltando para o hotel, passei em um supermercado. No caixa, um homem viu meu cachecol gialloblù e perguntou-me sobre o clássico veronês. Contei-lhe que o Chievo vencera de virada. Quando me viro, a esposa do italiano se mostra surpresa com a curiosidade do marido. “Você é daqui mas nem gosta desses times. Você não prefere o Milan?” Argh! Blasfêmia! O sujeito é de Verona e torce para o Milan? Eu que vivo em São Paulo me mato para ter alguma informação e o indivíduo desdenha!
Como birra do destino com o milanista de Verona, encontrei, em uma banca de jornal de Milão, um vídeo com todos os gols da gloriosa temporada 84-85. Nem acreditei. Sem sequer pensar se o padrão europeu pegaria em meu VHS brasileiro, comprei as fitas. Assim, voltei para casa com 2 ingressos, dois programas do jogo, várias fotos, camisa e cachecol oficiais do Hellas Verona e duas fitas de vídeo.
No final da temporada, o time foi novamene rebaixado. Agora, corre até o risco de cair para a terceira divisão. E nunca mudarei. Prefiro os pernas-de-pau de Verona que o Ronaldo no Real Madrid.
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Só para vocês respeitarem um pouco mais esse timinho (tudo bem não precisa. Nem eu mesmo respeito). No ano do milagre (1984-85, claro), o Verona bateu o Napoli por 3x1 na estréia do Maradona em Campeonatos Italianos. Naquela mesma temporada, a Juventus se sagrou campeã européia, o Zico estava na Udinese, o Sócrates na Fiorentina, o Rummenigge na Internazionale e o Falcão na Roma. Não faltavam concorrentes fortes.
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Outro dia, estava vendo nos meus arquivos futebolísticos e descobri que torço pelo Verona há mais tempo que para o Corinthians (essa história é mais curta, mas fica para outro dia).
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Comemorei dois anos de casado em março. De presente, minha querida patroa me deu uma réplica da camisa do Verona de 1985. A foto dela está uns 3 textos abaixo (ahá, agora você entendeu o que é aquilo, né?).
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Queria falar que a forma como a imprensa está babando para a Daiane dos Santos é ridícula. Vi a final da etapa carioca da Copa do Mundo de ginástica artística no domingo de manhã (dormi no sofá logo depois da Fórmula 1 e acordei no meio do Esporte Espetacular). Nem o Galvão Bueno fala tanta bobagem quanto algumas das pessoas que lá estavam. Mais explicações em alguns dias.
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Elas quase me deram um prêmio no final do ano passado. O mínimo que eu podia fazer para retribuir é deixar esse selo aqui para quem quiser votar nelas na fase final do iBest (até que enfim! Ô prêmio enrolão!). Eu já fiz minha parte.