Pois é, finalmente alguém percebeu isso. Uma pesquisa (infelizmente não achei o link da notícia para colocar aqui) divulgada nesse Carnaval aponta que 57,4% dos brasileiros NÃO gostam de Carnaval. Vitória! Vitória! Hahahahahahahahahaha.
Olha, talvez esse número nem seja tão real (não sou de confiar muito em pesquisas, apesar de respeitar os procedimentos). Ou então é inflado pela parcela da população mais religiosa, que não é muito simpática a ver a liberação resultante do Carnaval. De qualquer forma, mostra que há muita gente que, como eu, odeia essa festa.
O importante mesmo é fazer com que o pessoal do marquetingue das empresas comece a pensar nessas pessoas. Lembrar que há um enorme mercado não consumidor de carnaval. Gente que não está nem aí para o axé da Bahia, o Galo da Madrugada do Recife, o desfile de escolas de samba do Rio ou o sei-lá-o-que de São Paulo.
Seria tão bom se criassem “produtos” para esse público. Viagens sem incluir noites de folia, programação decente na TV (esse ano, das emissoras abertas, apenas o SBT apostou em algo diferente, passando filmes), essas coisas.
Aí vai meu medo. Os publicitários estão entre os seres que mais estereotipam as pessoas. E aí podem tratar os 57,4% que não gostam de carnaval como bobões, travados, nerds, gente que não gosta de se divertir, religioso fervoroso, pessoas que querem um retiro ou, pior, habitantes da “ilha quadrada” (queria tanto saber quem foi o infeliz que criou essa campanha da Skol).
Mas como é começo de ano (na prática, começa nessa segunda), vou fingir que tenho alguma esperança. Lá para abril eu me toco que vai continuar tudo na mesma.
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Eu falei que a melhor coisa do Carnaval era a apuração de notas de São Paulo. Mas esse ano se superou! Nunca imaginei que ficasse tão divertido! Depois da Gaviões cair, só ficaria melhor se a Mancha Verde não subisse. Só para que elas ficassem na mesma divisão em 2005.
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E pode ficar melhor. A Dragões da Real (primeira torcida organizada do São Paulo em idade e segunda em tamanho) ganhou a 4ª Divisão. Será que teremos o trio-de-ferro do futebol paulista no samba? Vai ser engraçado.
Odeio Carnaval com todas as minhas forças. Época em que o Brasil fica entorpecido com algo que não vejo a mínima graça e todo mundo acha que é justificativa para fazer qualquer coisa. Por exemplo, Carnaval é justificativa para muita gente ouvir e dançar o pior da música brasileira, achar que “faz parte” e que, sem essa “trolha sonora”, não tem a mesma graça.
Mas tem coisa pior. O brasileiro é socialmente obrigado a gostar de Carnaval. Por aqui, você diz que não gosta de Carnaval e todo mundo olha para você de forma estranha. Dois pensamentos são básicos: “pô, você não é brasileiro, não? Não ama o país em que nasceu?” ou “como você é chato e não sabe se divertir! Deve ser daqueles caras que veste um roupão, pega um cachimbo, se enfia na biblioteca da casa e se diverte ouvindo óperas alemãs e lendo Dostoievsky no original em russo”.
E isso não é só aqui. Quando passei um mês em Londres, sempre falava para os estrangeiros colegas de escola que odiava Carnaval. Seguiam-se reações de espanto e olhares que me perguntavam “você é do Brasil mesmo ou eu ouvi errado?”. Como se eu fosse um ET. Só não fica pior porque sou meio japonês e já devem ter pensado “ah, esse daí é de colônia, deve morar em algum gueto”.
Não moro em gueto algum e nem sou tão ligado às coisas do Japão. Considero-me mais brasileiro que muita gente e odeio Carnaval. Vejam alguns dos motivos para tamanha aversão (todos não caberiam nessa página).
1) Mangueira
Odeio a Mangueira. Odeio os trocadilhos que fazem com a Mangueira. Odeio as cores da Mangueira (desde quando verde combina com rosa?). Odeio a forma como as pessoas falam da Mangueira. Simplesmente odeio! O pior é agüentar a ladainha mangueirense todo ano. O desfile empolga (estilo “atrás da verde-e-rosa só não vai quem já morreu”) todo mundo e, no final das contas, a escola fica lá pelo 10º lugar. Hahahahahaha. Bem feito!
2) Transmissões do desfile
As transmissões dos desfiles são iguais todo ano. Os comentários são os mesmos. Ninguém vai mal, todo mundo põe a Sapucaí para dançar. Quem conhece a composição de um desfile, sabe que apenas 2% das pessoas que vão para a passarela do samba são mulheres sem roupas. E as TVs só mostram essas (depois o brasileiro não sabe porque o europeu e o norte-americano acham que nosso país é uma orgia infinita). Porém, nada é pior que a Leci Brandão pedindo a bênção para as velhas guardas.
3) Bateria nota 10
Todas, ou melhor, TODAS as escolas de samba têm uma "bateria nota 10". O mais engraçado é que, na hora de apurar os votos, várias "baterias notas 10" tiram 9 ou 8. Propaganda enganosa!
4) Noticiário
Parece que o cérebro do repórter (ou do editor que faz a pauta) foi pular carnaval e o resto do corpo tem de fazer a matéria. Porque são todas horríveis. As perguntas se limitam a “tem carnaval mais animado que esse?”, “a festa tem hora para acabar?”, “canta um trechinho do samba para a gente”, entre outras babaquices-mor. Mas fica pior. Mostram uns norte-americanos (quanto mais branquela a pele e havaianas as camisas melhor) desengonçados tentando entrar no ritmo do samba. Para concluir, os chavões regionais. Eles falam que na Bahia e em Pernambuco, “o carnaval ainda não acabou” (isso quando já estamos quase em maio). Como se fosse alguma novidade. Em São Paulo, falam que “paulista também sabe sambar”. E, no Rio, se referem ao “maior espetáculo da Terra”. Tudo mentira. Mentira como a da “bateria nota 10”.
5) Papo de carnavalesco
Muita teoria, muito blá-blá-blá. Tentam justificar relações loucas entre o enredo (qualquer que seja), o Jardim do Éden (todo enredo faz essa referência) e o Brasil de hoje (está na moda parecer que tem consciência social). É só dizer que pôs aquela ala ou aquele carro alegórico porque ficava bonito. Não precisa justificar. É como crítico de cinema que gostou de algum filme cabeça-oca e tenta dar explicações pseudo-intelectuais profundas para isso. Tem uma hora que nem você, nem o repórter que está fazendo a matéria e nem o próprio carnavalesco sabe mais do que está se falando.
6) Valéria Valenssa
Começa pela grafia esdrúxula do sobrenome dela. Passa pelo fato de a imagem dela vir sempre junto do termo “Globeleza” (argh!) e da musiquinha-tema da Globo para o Carnaval. Ainda tem as pinturas ridículas sobre o corpo dela, que também já encheu o saco. E termina com essa digitalização cretina que fizeram para esse ano. Quer dizer que a Mulata Globeleza é a Lara Croft brasileira?
7) Concurso de fantasias
Desde que a Rede Manchete virou história não se vê tanto esses concursos. O que é saudável, já que suspeito que a exposição prolongada ao concurso de fantasias do Hotel Glória (com Clóvis Bornay e tudo) pode deixar seqüelas nas pessoas.
8) Rede Manchete
A Manchete já não existe mais, porém, não dá para deixar passar em branco uma emissora de TV que fazia 24 horas de Carnaval. Tinha mesa redonda para discutir os desfiles da madrugada anterior. Como os norte-americanos dizem para os nerds: “get a life!”.
9) Camarotes
É a maior reunião de gente irrelevante do mundo. Um monte de “artistas” globais que não têm a mínima intimidade com as escolas de samba, com o desfile, com a música, com nada. Só está lá para aparecer na Caras e dar entrevistas falando que é a primeira vez no desfile do Rio, mas está gostando tanto que vai voltar no próximo ano.
10) Carnaval da Bahia
Qual a graça de ver carnaval da Bahia na TV? Tenho seriíssimas dúvidas se é legal estar lá, pagando o olho da cara por um abadá para ouvir música ruim de perto. Ver pela TV, então. Fico o ano todo fugindo do Tchan, da Ivete Sangalo e da Daniela Mercury no Faustão, não é nesses 5 dias que acharei válido fazer isso. E vocês não imaginam o quanto o encontro de trios elétricos na praça Castro Alves não significa rigorosamente nada para mim.
Para não acharem que sou chato demais, abaixo vão algumas coisas que gosto do Carnaval.
1) Imperatriz Leopoldinense
Não tenho nenhuma simpatia especial por essa escola de samba. Mas todo ano é a mesma coisa: a Mangueira, a Portela, a Mocidade Independente de Padre Miguel e a escola do Little John Thirty empolgam e chegam como favoritas. Na hora de apurar, a Imperatriz ganha. E todo mundo fala que é um absurdo, que eles fazem um “carnaval de resultados” (meu Deus, eles são o Grêmio do samba carioca, hahaha), perfeito tecnicamente, mas sem energia. A Imperatriz só quer ganhar. E consegue. Tudo isso é muito legal (e ridículo também, não vou negar) porque mostra o quanto esse negócio é patético.
2) Apuração de votos em São Paulo
É a coisa mais engraçada dos 5 dias de carnaval. Primeiro que, antes da apuração, metade das escolas já perde alguns pontos por irregularidades. Daí, a Gaviões fica entre os primeiros. A cada nota baixa da escola do Bom Retiro toda aquela corintianada acusa o jurado de ser palmeirense (essa é clássica). Daí, os presidentes da Vai-Vai, da Gaviões (duas escolas de corintianos, mas se odeiam), da X-9, da Nenê e da Rosas de Ouro ficam revoltados com o resultado. Não importa quem ganhou, eles se revoltam. Fica o bafafá, gente ameaçando bater no presidente da Liga, aquelas coisas “lindjas”. E, melhor de tudo: independente de quem tenha melhores notas, só é conhecido o vencedor no SPTV, à noite. Nas horas que se seguem a apuração, escolas recuperam pontos, perdem mais pontos ou ganham pontos extras. Como no caso da Imperatriz, só mostra como é ridículo.
3) Trânsito em São Paulo
Tudo fica vazio. Se eu não consegui viajar por algum motivo (como nesse ano), dá para aproveitar e fazer todos os programas paulistanos que ficaram pendentes.
E só. Até me surpreendi por ter achado 3 coisas boas do Carnaval. Estou tolerante demais...
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Depois de colocar isso aqui o ar, me disseram que o texto tem coisas em comum com outro que rolou na internet há um tempo. O pior é que é verdade. Juro que é coincidência. Mas que fique claro que o outro é anterior a esse.
Instalei um contador de page views nesse blog e no site que mantenho sobre futebol. Além de dizer quantas pessoas perderam seu tempo diante do computador para ler as coisas que escrevo, diz também de onde é o visitante, que provedor ele usa, que horas entrou e, em alguns casos, até que palavra o sujeito colocou no Google para cair e uma dessas páginas.
Na quarta-feira à tarde, levei um susto. Veja de onde veio um visitante do Balípodo:

OK, poderia ter sido um acidente. Vai que era o Colin Powell e ele colocou “Where + is + Bin + Laden” no Yahoo e, sabe Deus por que, caiu no meu site. O problema é que, no mesmo dia, à noite, vi essas indicações:

Não era só um. Eram dois page views do Departamento de Estado norte-americano (quem sabe se não era o Rumsfeld e a Condoleezza Rice?). O mais engraçado é que, recentemente, coloquei textos sobre Alemanha Oriental, Palestina e União Soviética. Talvez eu esteja incomodando muita gente.
O pior é que esse site é hospedado nos Estados Unidos e, nessa sexta, ficou fora do ar (vocês podem ter percebido). Será que era o Canceroso sentado em um cano escuro no fundo da sala, fumando e só mandando o pessoal do servidor desligar o site?
Em 9 de fevereiro de 1963, os Beatles fizeram uma apresentação histórica no Ed Sullivan Show. Foi o primeiro passo para a banda conquistar o mercado norte-americano.

Essa é uma das coisas que eu poderia ter prometido para o 2004, mas não o fiz porque tenho sérias dúvidas se terei pique para continuar com isso. Nessa série (que fica com o auto-explicativo nome de “Filmes do Mês” enquanto não penso em nada mais criativo), vou falar rapidinho sobre os filmes que vi no mês (dã).
É uma forma de eu matar a vontade de escrever umas resenhas. Aliás, só não faço mais isso porque tenho preguiça e, em muitos casos, não em sinto apto a tanto. Fazendo desse jeito tosquinho dá, hehehe. A ordem é cronológica, pelo menos no que eu me lembro.
1) Simplesmente Amor (Love Actually)
Também conhecido como “aquele filme inglês em que o Rodrigo Santoro fala”. É uma coleção de romances bobinhos e despertou pouco entusiasmo (tirando as tietes do ator). Mas eu gostei, justamente por não encarar o filme como um romance. Para mim, “Simplesmente Amor” é um filme de Natal. Afinal, todas as histórias que compõe o filme acabam, de alguma forma, se ligando com o fato de ser Natal. Assim, a melação e “hipocrisia” (li isso em algum lugar) são mais perdoáveis. Melhor isso que aqueles filmes de crianças que quebram a descrença dos pais – provando que o Papai Noel realmente existe (básico) – e redescobrem o espírito natalino. Melhores coisas do filme: Hugh Grant, como Primeiro-Ministro do Reino Unido, dando umas cutucadas na política externa do Tony Blair e a relação do atual governo britânico com os Estados Unidos (só isso já valeria o filme), o Liam Neeson como padrasto sem jeito e ver o professor Snape, de Hogwarts, no meio de “trouxas”, como editor de uma revista.
2) 21 Gramas (21 Grams)
Já se comparou a experiência de assistir esse filme a tapas na cara, socos no estômago, chutes nos Países Baixos, facadas no ombro, chicotadas nas costas, tiros no pé, carrinhos do Márcio Nunes e outros tipos de agressão. O pior é que é verdade. O espectador fica meio chocado depois do filme. Quando as luzes se acendem, todos parecem meio desnorteados, procurando o chão. E tudo baseado na direção, no roteiro e na atuação impecável dos 3 protagonistas (Sean Penn, Benício Del Toro e Naomi Watts). Nada de cenas nojentas ou que causem aflição. Excelente.
3) A Última Noite
Esse eu vi em vídeo e, claro, isso sempre prejudica um pouco. Para quem não associou o nome à produção, “A Última Noite” é o primeiro filme do Spike Lee depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. Também é conhecido por ter um protagonista branco (Edward Norton), coisa rara na carreira do diretor. O filme homenageia Nova York, mas o faz de forma nada piegas ou ufanista. Mostra como caçar culpados não é a saída para os nova-iorquinos e coisa e tal. Não mudou minha vida, mas foram R$ 4,50 (sem contar o preço do milho para a pipoca) bem gastos para uma noite.
4) Adeus, Lenin (Good Bye, Lenin)
Fiquei chateado quando vi que “Adeus, Lenin” não estava entre os indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Merecia. O legal desse filme é que fala de política sem que o espectador perceba. Várias informações e elementos que mostram o processo de unificação alemã são apresentados sutilmente, dando base para uma comédia. Nesse aspecto, se assemelha a outras produções, como “O Filho da Noiva”, que usa como cenário a crise da classe média argentina. Espero que essa onde de filmes políticos menos declarados, mas tão informativos quanto, fique por um bom tempo.
5) Sobre Meninos e Lobos (Mystic River)
Olha, eu não gostei muito, não. Falaram um monte, filme do ano, aquelas coisas de sempre. Eu achei bonzinho. A relação dos três personagens principais (Tim Robbins, Sean Penn e Kevin Bacon) é legal e os três merecem o reconhecimento. Mas não achei nada demais a parte policial da história. Sei lá. Esperava mais.
6) Encontros e Desencontros (Lost in Translation)
Quem foi à Bienal de Arquitetura de São Paulo em 2003 deve ter visto um vídeo no estande de Tóquio. É um filme espetacular, muito bonito (o vídeo, a cidade nem tanto) e bem feito. O espectador se sente um nada perto da grandiosidade urbana da capital japonesa. Quem viu esse vídeo entende a sensação do Bill Murray e da outra mocinha (esqueci o nome) ao ficar uma semana em Tóquio. Tudo é muito diferente e grande, parece hostil. Tenho curiosidade para conhecer a cidade, mas deve ser algo muito bizarro. E, talvez, um pouco desolador. É disso que se tirou uma comédia e um filme de amizade bem interessante.
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Aliás, “Encontros e Desencontros” é um exemplo de como a tradução dos nomes de filme é cretina no Brasil. Termo chavão que não dá personalidade alguma ao filme. Sem contar que “Lost in Translation” passa bem o espírito da história.