outubro 28, 2003

Deutsch

Passei uns dias na Europa a trabalho. Além de fazer as matérias e tentar conhecer um pouco Alemanha, Suíça e Espanha, aproveitei para testar uma teoria: a de que o alemão era uma língua fictícia.

Ouvindo aquele mar de consoantes que é o idioma alemão no cinema e na TV, sempre achei que era impossível algum ser humano normal se comunicar daquele jeito. Quanto mais construir uma das sociedades mais desenvolvidas do mundo. Até o francês, que adora desperdiçar vogais para emitir poucos sons (“bocu” se escreve “beaucoup”), tem alguma lógica. Por isso, elaborei a teoria de que o alemão fora inventado pelo pessoal de Hollywood.

Mas como seria isso? Veja bem, nos filmes e nas séries norte-americanas, sempre que algum personagem disca ou mostra um número de telefone, o prefixo é 555. Por quê? Porque ficou combinado que nenhuma pessoa real teria tal prefixo. Assim, não haveria o risco de o George Costanza ter o mesmo telefone que um nova-iorquino qualquer, que não tem nada a ver com isso, mas receberia um sem-número de trotes.

Então, para mim, o alemão era o 555 dos filmes de holocausto. Quando os norte-americanos faziam aqueles filmes tristes da Segunda Guerra, tinham de pôr o inimigo estrangeiro falando em outra língua. Mas, para não serem sacanas com nenhum povo, eles criaram uma língua indecifrável e com jeito de autoritária, mandona e agressiva. Claro que só era usada pelos bandidões desse tipo de produção. Fazia todo sentido.

Mas eu fui para a Alemanha e Suíça (Zurique, na parte germânica do país). E lá as pessoas REALMENTE falam alemão. Era incrível, pessoas batendo papo em alemão, jovens namorando em alemão, gente sorrindo e falando alemão ao mesmo tempo, futebol narrado em alemão na TV, nomes de lugares em alemão... O mais curioso é que, depois de uns dias lá e zanzando sozinho pelas ruas, você começa a achar aquilo tudo normal. Pois é, o alemão existe e não é uma língua de bandidões. Apesar de eu continuar achando aquele amontoado de consoantes muito bizarro.

*

Mais estranho que a língua alemã foi o vôo que peguei nessa viagem. Na ida, foi um São Paulo-Munique com conexões em Recife e Lisboa. Na volta, o Barcelona-São Paulo teve conexões em Lisboa e Rio de Janeiro. Bem, já estava quase em casa quando desembarquei no Galeão. Depois de dois vôos e umas 16 horas entre aeroportos e aeronaves, queria apenas que tudo passasse o mais rápido possível. Não deu.

Como eu entrava no Brasil pelo Rio, tinha de desembarcar as malas para passar pela alfândega. Fiquei muuuuito tempo na fila da imigração, simplesmente para avisar a Polícia Federal que eu estava de volta (era importante eu mostrar isso para eles, outro dia explico o porquê). Passada essa etapa, fui pegar as malas. Demorou um século. E não era só a minha mala, era a de todo mundo. Detalhe: o vôo da TAP era o único internacional chegando naquele momento no Galeão. Parecia que o coitado do funcionário do aeroporto ia pegar uma por uma lá no “porta-malas” do avião. O pior é que as esteiras ficavam ao lado do free shop, que insistia em colocar um DVD do Bee Gees em um volume incomodamente alto. Digamos que não era desse jeito que eu queria voltar ao Brasil. Mala no carrinho, vou para a alfândega.

Outra fila enorme. E essa não anda nada. Os funcionários não estavam de prontidão e todos os passageiros tiveram de esperar eles se aprontarem. Pô, custava ser um pouquinho mais organizado? Depois de 1h40, finalmente estou na parte de “fora”. O que só serviu para me irritar mais.

Na saída, além de uns parentes com sorrisos ansiosos e uns motoristas com plaquinhas do tipo “Mr. O’Shea”, uma horda de taxista está lá, prontinha para atacar: “Táxi?, táxi?, táxi?”, eles perguntam insistentemente. Só digo não. Um tentou bater papo, disse-lhe que estava lá só fazendo conexão. Prestativo, o cara me perguntou por qual companhia eu iria. Depois, explicou-me como chegar no balcão da Varig. Beleza. Tomo meu caminho.

Mas outro chega: “táxi?” Claro que não, e também digo que estava só fazendo conexão. Daí, o indivíduo perguntou para onde eu iria. “São Paulo”. A resposta dele foi imediata: “os vôos para São Paulo saem todos do Santos Dumont. Você vai precisar de um táxi para chegar lá”. Digo que meu vôo era para São Paulo, mas sairia do Galeão e aterrissaria em Guarulhos. O babaca insiste: “Você está enganado, do Galeão não sai vôo para São Paulo. Se quiser, eu chamo um táxi”. Como eu estava esperando o elevador chegar para subir de andar e mudar de terminal, não deu para encerrar logo aquela chateação: “olha, meu vôo sai daqui. Eu tenho certeza”. “Sei não, acho que você deveria conferir isso.” O elevador chega e eu educadamente ignoro o cara.

Fiquei com raiva de mim mesmo por ter dado trela para um cara daqueles. Mas o que mais me irritou foi a sacanagem toda. O cara não teria o mínimo pudor em fazer eu perder meu vôo só para ele ganhar uns trocados no táxi. Aliás, uma pessoa mais insegura ou estabanada poderia ter caído na história do cara e ido da Ilha do Governador até o Centro do Rio.

Em suma, fiquei com raiva dessa mania brasileira de querer levar vantagem em tudo, coisa em que os taxistas do Rio de Janeiro, nas experiências que tive, demonstraram ser profissionais. Quando esse país se livrar desse costume patético, vai melhorar muito.

Tudo isso (as filas, o Bee Gees, as malas e o taxista) só não foi pior porque já tinha sofrido muito mais na ida, no aeroporto do Recife.

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Sexta-feira estou me mandando para as Oropa de novo. Talvez só atualize esse espaço depois de 10 de novembro. Mas vamos ver o que dá para fazer. Estou meio displicente com esse blog.

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outubro 16, 2003

Laszlo Papp

Morreu uma lenda do boxe e ninguém vai dar a mínima bola. Não era um Ali, um Foreman, um Patterson, um Tyson, um Marciano, um Monzón, um Sugar-Ray (Robinson ou Leonard), um Hagler ou um La Motta. Afinal, qual o apelo de um lutador do Leste Europeu que nunca arrumou encrenca na vida pessoal, não fazia graça no ringue e nem provocava o adversário antes das lutas?

De qualquer forma, Laszlo Papp fez história. Como profissional, foi hexa-campeão europeu no peso médio e ficou invicto por 29 lutas, de 1957 a 1965. E só parou por aí porque, quando foi enfrentar o norte-americano Joey Giardello pelo título mundial, teve sua licença de sair da Hungria negada pelo governo comunista (o que acabou com a carreira do boxeador).

Mas Papp foi supremo entre os amadores. Foi tri-campeão olímpico, levando o ouro em 1948 (Londres), 1952 (Helsinque) e 1956 (Melbourne). Esse recorde não foi batido até hoje. Apenas os pesos-pesados cubanos Teófilo Stevenson (entre 72 e 80) e Félix Savon (entre 92 e 2000) conseguiram igualar a marca.

Ele morreu com 77 anos. O mais triste é saber que poucos vão falar disso só porque o cara vinha de um país comunista sem tradição no boxe e era, digamos, normal demais (algo proibido no boxe de hoje).

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outubro 13, 2003

Não li. E daí?

Para mim, biografia tem de ter começo, meio e fim. Por isso, só leio esse tipo de livro quando fala sobre uma pessoa que: a) já morreu; b) já concluiu boa parte de seu ciclo, seja ele pessoal, profissional ou algum outro qualquer; ou c) terminou uma etapa importante de sua vida, o que justificaria uma obra.

Biografias que falam sobre pessoas que ainda estão no meio de sua trajetória soam como oportunismo editorial e mercadológico. Não vou generalizar e dizer que é sempre assim, mas muitas vezes é. Só isso justifica o fato de se lançar, por exemplo, um livro sobre a vida de gente como (exemplificando hipoteticamente) Gisele Bündchen, Guga ou Julian Casablancas, dos Strokes.

Essa gente toda, por mais que já tenha destaque, ainda tem muito por fazer, pelo menos em tese. Assim, uma biografia poderia ser absurdamente incompleta, pois ignoraria alguns dos principais anos da vida dessas pessoas. É o caso de quem comprou uma biografia do Arnold Schwarzenegger logo após ele terminar sua carreira como fisiculturista. Esse livro (que nem sei se existe) não teria a fase de fama hollywoodiana e, agora, sua passagem no (hahahahahaha) governo da Califórnia.

Estou falando isso para explicar porque nunca quis ler a biografia do Ronaldinho Cascão (Ronaldo – Glória e Drama no Futebol Globalizado). Quando o livro foi lançado já me cheirou a oportunismo, principalmente porque tentava (ao que tudo indica) aproveitar a empolgação pós-Copa de 2002 para vender. Pô, o cara ainda tem duas Copas pela frente, uma passagem por um super-Real Madrid, o tal recorde do Pelé para tentar quebrar etc e tal! É óbvio que essa biografia, daqui alguns anos, será falha. A não ser que ela tivesse uma proposta diferente, como falar do período entre a Copa de 98 (e a convulsão) e a de 2002 (com os dois gols na final). Aí, sim. Com esse tipo de proposta dá para ter um começo, meio e fim delineados e justificados.

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Como não tem, achei a obra fora de propósito. Se não bastasse isso, nunca morri de amores pelo atacante, a capa é perturbadora (com a careca transformada em bola, parece, na verdade, que fizeram uma lobotomia no atacante) e o nome é bem babaca, com uma razoável dose de chavão ("drama e glória") e conceitos genéricos ("futebol globalizado").

Por tudo isso, fiquei um pouco aliviado ao ler essa resenha no site Trivela. O pouco de peso na consciência pela desinformação voluntária à qual me colocava sumiu. Agora, biografia do Cascão, só quando ele encerrar a carreira.

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Bem, dei minha reclamada, mas devo dizer que não acho totalmente ruim que tais biografias existam. Por mais oportunistas que sejam, movimentam o mercado editorial e podem incentivar algumas pessoas a lerem. É só não fazer biografia do Gugu, da Hebe e do Alexandre Pires.

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O pessoal que pediu a inclusão de novos personagens sobre o trânsito paulistano pode ficar tranqüilo. Quando eu juntar mais 10, eu faço uma terceira parte da série, incluindo aí os tão pedidos japoneses. Sem o mínimo corporativismo étnico.

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outubro 01, 2003

A biodiversidade das ruas, parte 2

Aconteceu bastante coisa nos últimos tempos. Fiquei uma semana nas Oropa a trabalho (não foi tão divertido quanto soa. Afinal, city tour de duas horas em Barcelona é sacrilégio). Além disso, o Gardenal (e o Keep Talking como conseqüência) trocaram de servidor e passaram (se ainda não passam) por um período de turbulência. Por tudo isso, essa página ficou abandonada por esses 15 dias. Mas estamos de volta cumprindo com a promessa e continuando com a análise das espécies que coexistem no sistema viário paulistano.

11) Carro-edificação
Há utilitários gigantescos, que bloqueiam mais de uma pista muitas vezes e sempre ocupam duas vagas nos estacionamentos. Para piorar, esse ser viário causa todo esse transtorno espacial para transportar apenas uma pessoa (bastante endinheirada). Se todos esses trambolhos fossem substituídos por Celtas, Corsas, Palios ou Kas, haveria muito mais espaço nas ruas de São Paulo. Por isso, tenho uma proposta: ao invés do IPVA, os proprietários de tais máquinas deveriam pagar IPTU. A partir do momento que esses utilitários se mostram tão espaçosos, deixam de ser uma questão de veículo automotor, mas sim, de taxação territorial urbana. É óbvio! Eles gastam o recurso mais precioso em uma metrópole com cerca de 15 milhões de habitantes: o espaço. Se não pagarem o IPTU, passa a ser espaço improdutivo e, conseqüentemente, vira alvo dos programas de abrigo dos sem-teto.

12) Unicórnios, dragões e gnomos
Vez ou outra cruzamos com espécies fictícias. Eles não existem, nem nunca existiram, mas muita gente acredita que estão por aí. Não é o unicórnio, nem o dragão, muito menos o orc. É o Landau, o Polara e o Alfa Romeo anos 70 (aquele prateado). Podem acreditar, esses carros nunca existiram. Ou vocês acham que uma banheira, um carro da Chrysler e um da Alfa Romeo foram realmente fabricados no Brasil? Eu nunca conheci ninguém que tinha um desses veículos. E se você conheceu alguém que alegou ser proprietário de um desses carros, pode ver que tem coisa estranha na história. Na verdade, os homens têm vergonha de dizer que acreditam em seres esotéricos como gnomos e duendes. Por isso, dizem que acreditam em Landaus e Polaras e que até tinham um em casa há uns anos.

13) Cabritos
O trânsito é um ambiente extremamente masculinizado. Muitas situações são decididas como se fossem uma prova de macheza. Assim, quando você pretende mudar de faixa, um idiota dá aquela acelerada só para que você não fique na frente dele. Afinal, se você o fechar, ele se sentirá diminuído, menos macho. O curioso é que alguns que pretendem mudar de faixa também querem demonstrar virilidade e entram com tudo. Lembro-me imediatamente daqueles cabritos que dão cabeçadas um no outro para ver quem é o mais macho do rebanho.

14) Acasalando
Há uns carros pra lá de bregas com luzes de néon no fundo, dando um efeito meio nave espacial para o carro. Como é uma espécie nova, os estudiosos ainda não definiram bem o motivo de tal comportamento. Mas já sabem que é bisonho. As hipóteses mais fortes é que tal efeito visual faz parte de algum ritual de acasalamento, como os pavões com aquelas caudas imensas. Só fico imaginando que indivíduos do sexo feminino da espécie humana se atrairia por um carro com luzes de néon.

15) Velhinhos
Não vou descer muito a lenha nos indivíduos de idade avantajada porque todo mundo com mais de 18 anos tem direito a dirigir um carro. A bem da verdade, alguns não deveriam ter esse direito, como algumas das espécies analisadas nesse texto e no anterior, mas a lei é falha nesse ponto. De qualquer forma, os velhinhos atrapalham muito com aquela “velocidade” e a infinita hesitação antes de cada alteração de rumo. Mas eles não têm culpa dos efeitos da idade. Ser cretino no trânsito como a maioria dos taxistas ou dos motoboys é opção. Ser um velhinho, não. E um dia eu serei um.

16) Para onde eu vou?
Em um dia da semana, a avenida está bastante movimentada. Carros inquietos mudam de faixa, buscam uma brecha para cortar alguém, um bando de motoboys ataca e dois taxistas buzinam. No meio de tudo isso, um indivíduo está apavorado, com medo de ser devorado por aqueles monstros. É o carro da auto-escola. Primeiro que todo instrutor de direção deve ser um cara muito masoquista para entrar em um carro conduzido por um adolescente que não sabe conduzir e acha que carro é meio de atrair garotas. Mas, pior que isso, é ficar na expectativa de que aquele aprendiz se apavorará a qualquer momento e tomará um rumo inesperado, direto na lataria de seu carro.

17) Por um fio (trocadilho infame com o filme, mas não pude evitar)
Há um brinquedo no parque de diversões que simula o trânsito paulistano. Por aqui chamamos de bate-bate (não sei se não tem outro nome fora dos limites dessa cidade). Bem, é um carrinho cercado de proteção de borracha e movido à eletricidade, provida por fios no teto. A ligação é feita por hastes. A inspiração que o brinquedo teve no trânsito de São Paulo é tão grande que os veículos são cópias de um similar paulistano: o trólebus. Não que um trólebus saia batendo em todo mundo, mas é um bicho deveras incômodo e também tem aquelas hastes infernais. Ele anda devagar com medo de desconectar-se do fio. Faz curvas como um elefante preguiçoso com medo de desconectar-se do fio. E nem sempre adianta, porque vez ou outra o bicho se desconecta do fio. Daí, o motorista desce e tenta refazer a ligação. E o trânsito, não fica interrompido? Ah, isso é só um detalhe.

18) Leis da física?
Já falei do ônibus domingueiro e do ônibus noturno. Mas tem outro tipo de ônibus que merece a atenção. É o ônibus de turismo. É um ser extremamente nonsense que circula por nossas ruas. Ele pretende provar a cada momento que um elefante passa pela cabeça de uma agulha. Acompanhe o raciocínio: os principais hotéis de São Paulo ainda ficam nos Jardins, perto da avenida Paulista. Logicamente, esses ônibus devem circular por essa região para pegar seus passageiros. No entanto, as ruas em volta da Paulista estão tão superlotadas quanto cela em delegacia de bairro de periferia. Para piorar, as vias são estreitas, há carros estacionados na Zona Azul e as ladeiras são bastante generosas. Tudo para dificultar a circulação de uma coisa daquelas. Mas os ônibus insistem. Demoram 5 anos para fazer cada curva. Ocupam todas as pistas daquelas ruas. E a gente pensa que lei da física o cara quer violar para chegar a seu destino. Só não dá para cobrar IPTU (como no item 11) porque esse é um imposto municipal e um turista não pode pagá-lo.

19) Guardinha do CET
Guardinha do CET é o nome científico, mas o povo conhece vulgarmente por marronzinho ou amarelinho devido às cores de suas indumentárias. Bem, o guardinha do CET é o fiscal do Ibama nessa selva. Ele identifica os animais, ops, motoristas desordeiros, e os cataloga. Infelizmente, não atira dardos com tranqüilizantes.

20) National Geographic
Muitos repórteres (geralmente de rádio) ficam de helicóptero vendo tudo de cima e narrando o que ocorre. Dentro dessa análise zoológica, esse pessoal faz o papel dos repórteres fotográficos do National Geographic. Vão para o meio da selva, se colocam em pontos estratégicos e mostram para nós, humanos, o que ocorre em tão hostil ambiente. É só ver como a linguagem é parecida: “o fluxo das aves migratórias é mais intenso no inverno” ou “a leoa ataca impiedosamente o grupo de zebras até encontrar sua vítima” não são muito diferentes de “como toda véspera de feriado, a avenida dos Bandeirantes enfrenta trânsito intenso” ou “um caminhão em alta velocidade perdeu o controle e colidiu com outros 4 carros, causando um engavetamento na marginal Tietê”.

Bem, termino por aqui. Mas ainda há muitas outras espécies que mereciam ser analisadas, como os caminhões de entrega de refrigerante, os catadores de papelão, os caminhões-cegonha, o microcosmo dos estacionamentos de shoppings... Xi, acho que terei de fazer uma parte 3 em breve.

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