Eu nunca fui um grande entendedor de tênis, mas acho necessário falar um pouquinho sobre o Pete Sampras. E eu nunca torci para ele, pelo contrário. Afinal, ele é norte-americano e, de birra, evito torcer para norte-americanos em competições esportivas (eles já ganham tanto, o que custa deixar um lituano ou um belga terem contato com a gloria eventualmente?). Porém, devo admitir que ele jogava muito.
Seu domínio nas quadras foi tão grande que muitos se precipitaram dizendo que o tênis estava chato. Não estava. O problema é que nem todos percebiam que aquele jogador se tratava de um dos melhores de todos os tempos (não vou falar que era o melhor porque nunca vi Bjorn Borg, Joe McEnroe, Ilie Nastase, Rod Laver, os mosqueteiros franceses e tantos outros históricos na ativa). Era mais fácil dizer que o jogo de saque-voleio estava matando o esporte e que era mais divertido ver o feminino, sem tanta força física.
Os mais apressados ainda falavam (mesmo que de forma velada) que o Sampras só vencia porque sacava forte. Bobagem. O saque do norte-americano nunca se caracterizou apenas pela velocidade, como o de Goran Ivanisevic, Richard Krajicek, Greg Rusedski ou Mark Philipoussis. Sampras sacava forte, realmente, mas havia uma enorme dose de técnica no golpe. O principal não era a força, mas o efeito que a bolinha ganhava e o local aonde ela ia. Isso que tornava seus saques tão mortais. Aliás, basta comparar os resultados de Sampras com o dos outros 4 tenistas citados para ver a diferença.
Além disso, Sampras era muito bom no jogo de tênis em si. Não tinha a paciência quase oriental de um Albert Costa (que é capaz de ficar 5 anos trocando bolinhas no saibro antes de resolver decidir o ponto). Era mais agressivo, claro. Esse era seu estilo. Mas sabia como tirar o adversário da quadra ou achar um local impensado para dar uma passada. Um exemplo ainda claro disso na minha cabeça foi o jogo de duplas de um duelo Estados Unidos x Austrália pela Copa Davis (não me lembro do ano). Naquele dia, o Sampras ganhou quase sozinho da dupla que liderava o ranking mundial (Woodford e Woodbridge).
O fato de não se sentir confortável com as trocas de bolas no fundo de quadra, típicas do saibro, criou o preconceito no Brasil de que ele não tinha tanta técnica. Afinal, o tenista brasileiro é especialista em saibro e decanta a técnica necessária para ganhar nesse piso, como se ganhar no concreto fosse coisa de trogloditas. Outra bobagem. Ele nunca ganhou em Roland Garros e admite que gostaria muito de tê-lo feito (o máximo foi uma semifinal). Isso não o descredencia, até porque um atleta não deve ser julgado apenas por ter ganhado campeonato X ou Y, mas por tudo o que fez.
Em 1997, passei um mês na Inglaterra e decidi ver um dia de competições em Wimbledon. Era rodada do feminino, mas, para minha sorte, havia chovido no dia anterior e pude ver uma partida adiada do masculino. E vi uma grande partida entre Sampras e o raçudo tcheco Petr Korda. Sampras venceu o 1º set por 6-4 (esse eu não vi, pois ocorrera no dia anterior, antes da chuva). Depois, o norte-americano repetiu o placar. Daí, o tcheco (que ganharia o Aberto da Austrália meses depois e ficaria como nº 2 do ranking mundial) venceu dois sets no tie-break. E Sampras só garantiu a vitória no 5º set.
Ao vivo, é possível ver a frieza e precisão do cara. O Korda se matava indo de um lado para o outro, com mais precisão e menos simpatia desengonçada que o Meligeni. E o norte-americano ficava na dele. Errava o primeiro saque e, ao invés de apenas colocar a bola do outro lado no segundo saque, arriscava. E conseguia um ace. E assim foi o jogo todo. Óbvio que torci para o Korda (como quase todos os ingleses), mas foi difícil não reconhecer a superioridade do norte-americano. Se não me engano, ele foi campeão naquele ano, batendo o Cedric Pioline na final.
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Aliás, eu trabalho em uma revista de construção e digo para todos os jornalistas que, porventura, lerem isso aqui. O material das quadras de tênis é CONCRETO. Não existe quadra de cimento. Esse último é um pozinho cinza (como aqueles que se compra em sacos em lojas de material de construção) extremamente alcalino. Assim, se alguém quiser jogar tênis sobre o cimento vai se expor desnecessariamente a riscos de doenças respiratórias e dermatológicas. E gastar uma grana violenta na compra de cimento.
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Ninguém falou muito nisso, mas o Pan-Americano pode ter marcado o fim da carreira de dois tenistas. Bem, que o Meligeni parou de jogar todo mundo já sabe. O que poucos noticiaram (e eu só sei disso porque estava no Chile naquele dia e não paravam de falar desse assunto na TV) é que o Marcelo Ríos também cogitava abandonar o circuito após o Pan. É o típico cara que jogou a carreira pela janela. Ele era bom, chegando à liderança do ranking mundial sem vencer nenhum torneio do Grand Slam (se não me engano, foi o primeiro da história a fazer isso). Mas não gostava de treinar, brigava com tudo quanto era treinador e desistia das partidas se perdia um ou dois sets. Aliás, se Rios realmente abandonar a carreira, vai mostrar mais uma vez que não era muito chegado em tentar virar o jogo. Ele está decadente (está na casa dos 40 ou 50 do ranking), mas é novo e pode virar. O Agassi chegou ao topo e caiu para a 124ª colocação (se não me engano). Depois, levou a carreira mais a sério e voltou à elite.
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Os chilenos pareciam, de certa forma, magoados com “el chino”. Um dos maiores atletas da história do país, o tenista não se tornou uma estrela mundial por questões puramente pessoais. Imagino que os chilenos tenham apostado muito nele e estão decepcionados. Tanto que Fernando González é 14º do ranking mundial e eles nem dão muita bola. Sabem que bom mesmo era o Ríos.
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Ah, e para deixar bem claro, não tenho vergonha de dizer que prefiro o tênis masculino do que o feminino. Não é preconceito. Acontece que as partidas do feminino não costumam ser muito equilibradas. Só isso. Quando há equilíbrio (como no duelo Capriatti-Clijsters na final de Roland Garros de 2001, acho), assisto com a maior atenção. Só como exemplo, o Sampras x Korda que vi valeu mais que a soma de Jana Novotna x Yayuki Basuki e Arantxa Sáchez-Vicario x Natalie Tauziat, jogados logo depois naquele dia que estive em Wimbledon.
Não costumo me dar ao trabalho de levar rádio ou CD player em uma viagem. Não tenho paciência de verificar a pilha toda hora, guardar em local protegido dentro da mala, carregar na rua para ficar com fonezinho... Prefiro que as caixas de som das lojas de CD e as estações de rádio do motorista da van ou do táxi ditem a trilha sonora da viagem. É mais realista. Fico com uma sensação psicológica (e provavelmente ilusória) de que estou mais próximo da cidade que visito.
Bem, nesse caso, a experiência não foi das mais felizes. A banda sonora da viagem em terras ar-rentinas e tchilenas foi bem ruinzinha. No Chile, o sofrimento foi grande porque os caras adoram uma música romântica, estilo novela mexicana em rimas e notas. E como o ritmo é lento, dá para entender perfeitamente cada verso lambuzado de açúcar.
Eu passei umas vezes em frente a uma feirinha de artesanato em Santiago e ouvia uma música melosa, com uma voz familiar. Era sempre o mesmo artista. Após passar lá umas 3 vezes, minha mulher observou: “nossa é o Alexandre Pires em espanhol!” O pior é que era mesmo.
Bem, mas o pior foi no caminho para o Valle Nevado (parece esnobe falar em estação de esqui, mas nem é tão caro assim para quem já está lá). O motorista da van decidiu colocar na (segundo o DJ) “Rádio Chile Romance, la radio del rrrrrrrrrromaaaaaaaaance”. O caminho era bonito, com um ziguezague interminável pelos Andes. Mas eu só pensava em como ia tirar aquelas músicas da cabeça.
Até que meus planos foram por água abaixo. Começou a tocar a versão en español de “P da Vida”, aquela música do Dominó. É assustadoramente igual. E foi um trabalho hercúleo tirar aquilo da cabeça. Na volta, o motorista decidiu colocar uma fita com músicas melosas em italiano. Mas eu entendo razoavelmente bem italiano, o que não ajudou na lavagem cerebral que eu planejava para o momento em que descesse do veículo.
Na Ar-rentina a coisa melhorou. Eles põem um tango bem alto para chamar turista brasileiro e reduzem o sofrimento dos pedestres. Além disso, tinha um cara que tocava Deep Purple, Eric Clapton e Pink Floyd na rua para pedir dinheiro. Ajudou bastante.
Mas a Ar-rentina também foi cenário de experiências desagradáveis. Em um Burger King havia uma festa infantil. Para animar a meninada de 6 anos, um ser desalmado colocou axé music (do nível de Boquinha da Garrafa) e Ragatanga. E as menininhas ficaram dançando. Coitadas...
Dias depois, parei para comer um "pancho" (cachorro-quente). Estava bom, mas a mulher da barraca colocou em um programa de rádio que só toca porcarias brasileras. E fiquei uns 3 dias com uma música meio funk que fala “Dá beijinho nas meninas, dá, dá, dá” passeando pelo meu cérebro.
Por isso, quando ouvi Psycho Killer, do Talking Heads, em um restaurante, senti que ainda havia salvação para meus ouvidos. Não é minha música preferida, mas, naquele momento, foi.
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Quando você fica fora do país e desencana de acompanhar as notícias, vê como muita coisa acontece em um período de 10 dias. Daí, vira uma certa neura de se atualizar. Como só sou neurótico por futebol e fórmula-1, fiquei mais tranqüilo. Não teve corrida nenhuma nesse período e, de Argentina e Chile, dá para acompanhar os resultados do Brasileirão (ESPN Internacional) e da Copa Sul-Americana (Fox Sports). Mas soube que o Schincariol, o Alcântara Machado e o Sérgio Vieira de Melo morreram. Quantidade grande de mortes para 11 dias fora.
Bem, o Palmeiras virou líder da Segundona e perdemos um de nossos principais diplomatas, mas, no fundo, tudo está igual. Percebi isso quando estava rodando os canais na TV (já aqui no Brasil) e vi a Kelly Key falando (provavelmente alguma bobagem). Pensei: “puxa ela ainda existe?” Mas é claro que ela existe. Só fiquei fora por 10 dias, ora!
O pior é que costuma ser assim. As porcarias proliferam. Quando estourou o “Bonde do Tigrão” eu estava viajando a trabalho. Voltei e tocava isso em cada esquina. Choque total. Espero que, da próxima vez que eu for para o estrangeiro, ocorram menos tragédias como a liderança do Palmeiras e a morte de gente importante. E que entidades como a Kelly Key e o LS Jack sumam sem que outras apareçam.
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Xi, falei mal do LS Jack. Será que eles vão me pegar em um aeroporto?
Período pré-viagem nos deixa com menos tempo para as coisas do que parece. Mas, para não deixar essa página parada (já ficará no limbo por 10 dias), só algumas pinceladas.
CQD
Manchetes do caderno de Dinheiro da folha de hoje (terça-feira):
“Boato e rebaixamento elevam risco e dólar.”
“Bradesco tem lucro bilionário no semestre.”
Incrível a coincidência com meu último texto. Juro para todo mundo que não fui eu quem espalhou o boato de que o Palocci seria demitido. E, mesmo que fosse, acho que só o “mercado” para acreditar. Falando em “mercado”, o lucro do Bradesco diz muita coisa a respeito das "dificuldades" de se investir no Brasil...
Salada mix
Ia comentar isso há tempos, mas sempre esquecia. Agora, o McDonald’s acabou com aquela promoção de lanches dos países e ficou meio fora de hora. Mas não desistirei.
O McDonald’s lançou sete sanduíches “étnicos”. Cada dia da semana teria um:
McArgentina (domingo): carne bovina sabor churrasco, queijo, tomate, salada mix e molho vinagrete;
McÍndia (segunda): carne de frango empanada, tomate, salada mix e molho curry;
McMarrocos (terça): hambúrguer de quibe, queijo, tomate, salada mix, relish de pepino e molho cremoso sabor limão;
McChina (quarta): hambúrguer de frango, salada mix, cebola, amendoim e molho especial;
McAustrália (quinta): hambúrguer de carne suína, queijo, tomate, salada mix, cebola grelhada ao molho shoyu e molho cremoso sabor barbecue;
McEspanha (sexta): peito de frango empanado, mix de legumes (abobrinha, cenoura e azeitona) em azeite e molho de tomate com alcaparras; e
McBrasil (sábado): hambúrguer de calabresa, queijo tipo provolone, tomate e cebola.
Vendo os ingredientes, percebemos que a tal da salada mix, segundo o McDonald’s, é um alimento típico dos dois países mais populosos do mundo (Índia e China), além de Argentina, Marrocos e Austrália. Na Espanha, é quase isso, é um mix de legumes com azeite. Ou seja, a salada mix é forte candidata alimento mais consumido no mundo!
Promoção sinistra
Olhem a promoção que o Corinthians promove para os sócio-torcedores:
“Compre já seu RG de Corintiano e ajude o Timão! Só fiel de carteirinha tem... domingo, futebol e pizza!
O Vampeta faz a pizza para você! O Timão vai levar 10 fiéis de carteirinha com direito a acompanhante para ver Flamengo x Corinthians, dia 31/08/2003 no Pizza Hut ao lado de Vampeta e outros craques do Corinthians. E tem mais, você vai comer a pizza feita pelo Vampeta! Garanta já seu RG e Participe!!”
Meu Deus!!!!!!!!!!!!!!!!!!! O Vampeta vai fazer uma pizza!!!!!!!!!!!!!! E os caras querem atrair alguém fazendo isso?
Não é brincadeira. Se estiverem duvidando, é só irem no site oficial do Corinthians.
Outra coisa: “...ao lado de Vampeta e outros craques do Corinthians”. O Corinthians tem craques??? E, se tiver, eles vão estar na pizzaria? Não deveriam estar em campo contra o Flamengo???

Alguém se habilita?