junho 22, 2003

Engates

Podem vir com tochas e me jogarem na fogueira da inquisição porque eu não mudarei de opinião. Eu sei que um monte de gente de bem usa isso, mas eu ODEIO engates de carros. Os considero um (pequeno) sinal do quanto a sociedade brasileira é formada por indivíduos egoístas, que só pensam no benefício próprio, simplesmente esquecendo que interagimos com outras pessoas.

Em tese, um engate instalado na traseira de um carro serve para transportar alguma coisa, como um trailer ou um carrinho que vá de reboque. Quem coloca engate com esse propósito pode ficar tranqüilo, porque está livre de minha ira. Os problemas são os que usam por razões diferentes da apresentada acima. Em geral, quem instala a famigerada peça quer evitar danos no carro. São esses os que considero egoístas de marca maior. Por quê?

O princípio de quem usa um engate para evitar amassados em seu pára-choque é o seguinte: “se eu tiver uma colisão de traseira com alguém, o engate protege meu pára-choque”. O que a pessoa não pensa - e aí mora o egoísmo - é na seqüência do pensamento. Vejamos: “(...) o engate protege meu pára-choque” ... e destrói o pára-choque dianteiro do outro cara. Eureka! O seu pára-choque está intacto, mas o do indivíduo de trás pode quebrar bem no meio, no ponto de impacto com a peça metálica. Adaptando do que dizem os instaladores de engate: "o engate evita pequenas colisões na traseira de seu carro... mas não evita uma colisão na dianteira do outro".

O defensor do engate pode argumentar que quem abalroa por trás é o culpado da colisão. Esse é (segundo a lei) um país livre e ele tem o direito de argumentar o que quiser, mas está errado nesse caso. Se o da frente frear bruscamente sem razão aparente, pode ser considerado culpado. Se o da frente deixar o carro descer de ré em uma ladeira e bater atrás, é culpado. Se o da frente estiver manobrando de ré e não prestar atenção no retrovisor, é culpado. Se o da frente não estiver com as lanternas traseiras em dia, também pode ser culpado.

Então, não tem desculpa. Quem põe engate só pensa em preservar seu precioso pára-choque, pouco se lixando com os demais motoristas que o rodeiam. Ah, antes que venham com mais uma. Os que usam pára-choque pintado podem comprar um engate para salvaguardar o tal pára-choque, já que um risco tem um conserto dispendioso. Mas é só ir para a rua que você verá uma horda de carros com engates e pára-choques tradicionais, pretos.

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Se alguém instala um engate por motivos estéticos, não é egoísta. É uma pessoa de senso estético duvidoso para carros.

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Como eu disse no primeiro parágrafo, eu sei que há gente de bem que usa engate. Por isso, saibam que eu não deixarei de falar de ninguém por usar engate. Afinal, todo mundo tem seus pecados.

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Eu sabia que isso aconteceria um dia. A bem da verdade, estava até demorando, pois (quase) tudo tem a primeira vez. Hoje, depois de uns 50 jogos de futebol presenciados no estádio, vi... meu primeiro 0x0.

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junho 16, 2003

BNDES, preciso falar com você

Acompanhar a evolução ou involução da cotação do dólar já virou até diversão para quem não investe os tubos na Bolsa, nem trabalha em importação e/ou exportação. É como, em uma festa junina, escolher a casinha em que o coelho vai entrar ou, vendo o programa do Bozo, apostar em algum cavalinho (que eu me lembre, sempre ganhava o malhado).

Essa banalização vem, em parte, do fato de já consideramos normal o patamar entre R$ 2,80 e 3,10. Não paramos para pensar que, há um ano e alguns meses, comprávamos um dólar com cerca de R$ 2. Claro, depois do susto dos R$ 4, qualquer coisa abaixo disso já parece lucro.

Mas hoje eu voltei à dura realidade: entrei em uma loja de CDs para ver se tinha alguma coisa legal (meu aniversário foi esses dias e me dei o direito de gastar um pouco mais em alguma inutilidade). Admito que me senti estranho na loja. Faz um tempo danado que eu não compro CDs. E isso não é conseqüência do Napster e seus filhotes, já que não costumo baixar MP3 em casa. É culpa do dólar.

Desde que a moeda norte-americana passou o R$ 1,60 o preço dos CDs explodiu. Não vou discutir a lógica disso, apenas lamentar o fato. Antes da desvalorização do real, era possível, mesmo em shoppings, encontrar discos a menos de R$ 20. Na Galeria do Rock, então, comprava-se por até R$ 10. Eu fazia a festa.

Hoje, vi um duplo em promoção, de R$ 67 para R$ 50, e pensei: “puxa, são R$ 25 por disco, nada mal”. Segundos depois percebi a bobagem que passou pela minha mente. É uma absurdo estar com R$ 100 na mão e levar apenas 4 CDs. Isso se os álbuns estiverem em oferta, porque é possível encontrar alguns (nacionais) a quase R$ 40. Certamente, meu hábito de comprar discos foi o mais afetado pela variação cambial.

Com a inflação dos últimos 6 meses, até que o aumento dos CDs não parece tão grave. Mas vale salientar que esses preços já são praticados bem antes disso. E é por isso que eu parei de comprar CDs. Só completei minha coleção do R.E.M. porque amigos do trabalho me deram de aniversário o item que faltava (eu não tinha coragem de comprar o "Reveal" a cerca de R$ 30). Outras coleções que eu montava estagnaram e não me arrisco experimentar bandas novas, a não ser que eu tenha certeza do que vou comprar ou que o BNDES resolva financiar a juros baixos e pagamento em longo prazo. Como eu ando com pouca certeza sobre a qualidade de bandas e o BNDES ainda não considerou minha proposta de empréstimo...

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As editoras é que devem ter gostado dessa história. Desde que abandonei as lojas de CD, tenho gastado meu dinheiro em livros e revistas. Também estão meio carinhos, mas é mais fácil achar algo a um preço justo.

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Para quem não sabe, tenho acompanhado in loco todos os jogos do Palmeiras pela Segunda Divisão em São Paulo. Estou meio que cumprindo uma promessa feita nas últimas rodadas do Brasileirão do ano passado e me deleitando com a humilhação verde. Bem, ontem, no Palmeiras x Mogi Mirim, a torcida gritava os nomes dos jogadores do time de 93 (comemorando 10º aniversário do término da estiagem de títulos). Durante os “e-ô, e-ô, Evair é um terror” e “au-au-au, Edmundo é um animal”, o time atual entrou em campo. Um torcedor ao meu lado logo emendou: “os caras ficam com a equipe de 93 na cabeça, mas olha a nossa realidade em campo”. Hahahahahahaha

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Para os de memória fraca, o Palmeiras que ganhou de 4x0 do Corinthians na final de 93 era Sérgio; Mazinho, Antônio Carlos, Tonhão e Roberto Carlos; César Sampaio, Daniel Frasson, Edílson (Jean Carlo) e Zinho; Edmundo e Evair (Alexandre Rosa), com Vanderlei Luxemburgo de técnico. A equipe que goleou o Mogi Mirim por 5x0 na Série B foi formada por Marcos; Alessandro, Leonardo, Alceu e Lúcio; Marcinho, Adãozinho, Fábio Gomes (Magrão) e Diego Souza (Pedrinho); Thiago Gentil (Muñoz) e Vágner “Love”. Técnico Jair Picerni.

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junho 10, 2003

Faculdades

Quem já concluiu o curso universitário pode nem ter percebido, mas domingo último foi dia de Provão. Fiquei um pouco inteirado do assunto conversando com os estagiários da redação. É incrível como certas coisas não mudam! No meu Provão (um dos primeiros para jornalismo, se não foi o primeiro), espalharam a lenda que a nota sairia no diploma. É uma mentira que perdura até hoje, quando já se discute a extinção desse mecanismo de avaliação.

Isso sem falar no boicote. Eu mesmo não sou um grande fã do Provão. Não o entreguei em branco por falta de capacidade dos alunos da minha faculdade para organizar decentemente alguma ação de desobediência civil pacífica. Mesmo assim, não me esforcei para ir bem. Há os que argumentam que instituições como a PUC (para quem não sabe, onde estudei) não precisam de uma boa nota do MEC para ter crédito diante dos estudantes, mas faculdades menos conhecidas teriam mais condições de mostrar um bom trabalho.

Discordo. Em boa parte dos cursos, a faculdade mostra sua qualidade no corpo docente, na infra-estrutura e, principalmente, nos profissionais que ela forma. Ganhar credibilidade é algo demorado, mas, como a educação universitária virou negócio, o que importa é o lucro rápido. O que acaba acontecendo? Algumas instituições fazem revisão preparatória para o Provão. Assim, os alunos podem nem ser tão bons para trabalhar nas carreiras para as quais estudam, mas estão tinindo para uma prova escrita sobre seu curso. É uma espécie de doping educacional.

Acredito que existam formas mais adequadas de melhorar o nível dos cursos universitários. A primeira é acompanhar as ações da instituição e ver que exemplo que ela dá para a sociedade. Ontem, uma universidade aqui de São Paulo deu o título de professora honoris causa para a apresentadora Hebe Camargo. Meu Deus!!!!!!!!!!! É motivo para cassar sumariamente o registro da instituição! Aceitaria se a homenagem fosse para o Sílvio Santos, para o Gugu... até para o Celso Portiolli. Mas para a Hebe não dá!

Depois tem gente que não sabe porque esse país não vai para frente.

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Até pensei em colocar uma foto da (argh) Hebe recebendo o “diploma”. Mas não ia sujar meu blog com imagem tão nefasta.

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junho 05, 2003

Tem alguém aí?

Para mim, um bairro bom para morar é aquele que não me obriga a pegar um carro para ir à padaria, à farmácia (apesar de eu não ser hipocondríaco), à locadora de vídeo e à banca de jornal. Se for possível ir a pé até algum centro comercial (shopping ou rua de comércio), melhor ainda.

Acho que pegar um carro, tirar da garagem, estacionar e voltar só para fazer tarefas simples como essas é demais. Por isso, sempre gostei de morar em bairros centrais, mesmo que densamente povoados. Bem, é meu caso atual. Mas ser um pouco sovina e não se dispor a atravessar a cidade para fazer pequenas coisas tem suas desvantagens.

É o caso da locadora. A 2001 está ao alcance, mas não subo uma ladeira e pago R$ 6 para ficar um dia com uma fita (quer dizer, são 48h, mas eu assistirei o filme apenas uma vez e nas primeiras 24h, podem ter certeza). Por isso, vou em uma menor, perto da minha casa, que cobra R$ 3,50. É bem ruinzinha. Não tem quase nada, tanto que não foram poucas as vezes em que voltei pensando se na TV não teria nada mais interessante.

Indo aos finalmente, fui lá com minha mulher essa semana. Tínhamos quase certeza que só assistiríamos a um filme inédito se pegassemos um do Stallone ou o Ultimate X. Claro que estávamos certos. Não havia nada interessante e novo.

Resolvemos vasculhar as prateleiras de catálogos. Só as obviedades de sempre. Mas não esmorecemos, pois estávamos decididos a pegar algo legal, por mais repetido que fosse o filme.

Saímos de lá com o De Volta para o Futuro. Acho que foi uma das coisas mais acertadas que fiz no último mês. Como valeu a pena reencontrar Biff Tannen (Thomas F. Wilson), Marty (Michael J. Fox) e George McFly (Crispin Glover) e o Doutor Emmett Brown (Christopher Lloyd)! É bom rever o Biff batendo na testa dos McFly perguntando se havia algo dentro da cabeça deles, Marty lutando para unir os pais nos anos 50, o cãozinho Einstein... Bem não vou cortar o barato de quem quiser fazer o mesmo que eu e minha esposa.

De qualquer forma, percebi como um filme realmente divertido nunca perde a graça. Ah, e tive mais uma vez a sensação de ter sido enganado pelos cortes da Globo, que assassina as produções para encaixá-las nas 2 horas da Seção da Tarde.

Bem, quando devolvi a fita, procurei o De Volta para o Futuro 2, já na esperança de emendar a trilogia do Zemeckis. Mas o atendente da locadora me disse que eles não têm a segunda parte. Eles só compraram uma cópia e a deixaram na outra unidade. Acho que terei de pegar o carro e me curvar à Blockbuster...

De Volta para o Futuro.jpg

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Um detalhe que eu nunca tinha percebido: um dos irmãos da Lorraine (a mãe do Marty, interpretada por Lea Thompson) nos anos 50 é interpretado por Jason Hervey, o mesmo que, alguns anos depois, faria o Wayne Arnold, irmão pentelho do Kevin nos Anos Incríveis.

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No jogo de hoje (Santos x Medellín), o Diego deu uma entrada criminosa em um jogador do Medellín e levou um amarelo. O Galvão não viu a entrada, achou que o cartão fosse por reclamação e disse durante o resto do jogo que o juiz paraguaio estava de perseguição com o meia santista. O pior é que os outros comentaristas (Casagrande e Arnaldo César Coelho) foram na onda. Pô, custa prestar atenção no que acontece em campo?

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Ainda sobre o jogo de hoje. O Galvão Bueno ficou enchendo o saco porque o goleiro colombiano González era atrapalhado, mesmo sendo socialmente privilegiado e tendo feito faculdade. Não foram poucas as vezes em que se ouviu frases como "de que adianta falar inglês e holandês se não sabe sair do gol?". Quer dizer que o Galvão diz que o jogador de futebol pode ser burro, contanto que saiba jogar? Vai nessa. Se ele (Galvão) fosse um pouco menos ridículo, saberia o quanto a inteligência ajuda na vida e carreira de um atleta.

Posted by at 02:06 AM | Comments (1)