Os refrigerantes são injustiçados. Sempre que se fala sobre o que beber em um determinado lugar se fala de vinhos, cervejas ou a bebida típica local. No máximo, algum suco peculiar. E nunca se lembram dos refrigerantes. Eles têm gosto meio padronizado, é verdade, mas nem sempre é possível ou recomendável apelar para um vinho ou uma cerveja. Até porque, se a Coca-Cola e a Sprite são os McDonald's das bebidas, pode-se dizer que os refrigerantes bizarros são os pratos típicos e estranhos de cada país.
Por isso, o Keep Talking, em mais um arroubo de Fita Crepe, apresenta o guia de gaseosas do altiplano andino. Aquelas bebidas que você poderá experimentar na Bolívia, no Chile ou no Peru se não gostou de Paceña, Cristal, Cusqueña ou Pilsen Callao. Ah, as notas são de 1 a 5.

Inca Kola
Contexto: Um clássico do “trash drink” peruano. Os desavisados podem até tirar um sarro do nome do refrigerante, mas saibam que a bebida foi criada na década de 1930 e é mais popular no Peru que a Coca-Cola. Inclusive, pela incapacidade de concorrer com a Inca Kola, a Coca-Cola comprou a empresa responsável por esse refrigerante. Um bom jeito de perceber como um sabor de refrigerante é apreciado por um povo é, no supermercado, contar a quantidade de cópias fajutas que fizeram dele. E nenhuma gaseosa peruana é tão copiada quanto a Inca Kola.
Avaliação: A história é até interessante, mas não esconde o fato de a Inca Kola ser muito ruim. A cor já não é das mais convidativas, um verde amarelado (ou talvez um amarelo esverdeado) mais artificial que as versões novas do Gatorade. Pior ainda é o gosto. Um tutti-fruti meia-boca, que me fez ter saudades do tradicional Baré Cola. Nota 2.
Observação: Mesmo com o gosto ruim, é obrigatório ir ao Peru e experimentar uma Inca Kola. Como diz o próprio slogan: é “el sabor del Peru”. Tudo bem, isso é meio babaca, mas vi famílias dividindo uma garrafa de 3 litros de Inca Kola em seu almoço dominical. Sem contar que, se você, em uma lanchonete, pedir uma promoção que venha com um refrigerante junto e não disser que prefere uma Sprite ou uma Coca-Cola, receberá uma Inca.
Local da foto: cafeteria no Museu Arqueológico das ruínas de Pachacamac, na região metropolitana de Lima

Sisi
Contexto: Já que tanta gente gosta de Inca Kola e algumas empresas resolveram até fazer suas versões da bebida, resolvi testar uma dessas Inca Kolas covers. Talvez existisse a chance de eu descobrir o que os peruanos viram no refrigerante. Tentei o Sisi. Claro, em uma garrafinha pequena, que permitisse que eu bebesse tudo sem ter de sofrer muito se fosse ruim.
Avaliação: Adquiri o produto na Bolívia, mas o Sisi é made in Peru, o que expõe o fato de ser uma cópia do Inca Kola. Porém, o importante aqui é que o Sisi é horrível. Muito parecido com o Inca Kola. Terminar a garrafinha para não jogar fora não foi a melhor experiência da viagem. Nota 1.
Local da foto: quarto do hotel em La Paz
Simba
Contexto: No Burger King de La Paz, eu vi que havia um refrigerante além dos tradicionais Coca, Fanta e Sprite. Era o tal do Simba. Achei que pudesse ser mais uma versão do Inca Kola, mas pedi sem medir os riscos. Ser teimoso é fogo.
Avaliação: Até que não foi tão ruim, principalmente porque não tem nada a ver com o Inca Kola. O Simba é um refrigerante de guaraná até que razoável. Um pouco mais doce que o necessário, mas passou no teste. Nota 3.
Como tomei em fast food, a gaseosa veio em um copinho plástico de outra marca. Fica sem foto

Durazno
Contexto: Já cansado de tentar encontrar algo de bom na Inca Kola e seus congêneres, parti para outras bizarrices. A primeira foi o refrigerante de pêssego. Há várias marcas, mas comprei o Durazno (nome meio tonto, pois “durazno” é “pêssego” em espanhol). A escolha da marca não atendeu a nenhum critério científico. Era apenas a única opção disponível na barraquinha em que adquiri o produto.
Avaliação: Gratíssima surpresa. O pêssego ficou bem como bebida gaseificada. O gosto da fruta está bem marcado e satisfatório, eliminando a necessidade de aumentar a quantidade de gás para esconder o gosto ruim da bebida. Os fabricantes brasileiros deveriam pensar com mais carinho nessa fruta. Nota 5.
Local da foto: rodoviária de Oruro, Bolívia

Pap
Contexto: Um sabor que eu vinha sondando e tomando coragem para provar desde o Peru era o mamão. Já no Chile, experimentei o Pap (nome derivado da palavra “papaya”).
Avaliação: Outra boa surpresa. No Brasil, o mamão é uma fruta meio densa, boa para vitaminas. O mamão de lá é um pouco mais aguado e amarelado, além de ter um gosto um pouco mais fraco, mais adequado para ser gaseificado. Curioso é que o Pap é da mesma empresa que faz o Bilz, refrigerante ruim (apesar de muito popular no Chile) que eu experimentei ano passado. O único problema do Pap é que o gosto de mamão está meio fraco. Na verdade, leva um tempo e algumas degustações para você perceber que aquilo realmente é um refrigerante de mamão. Nota 4.
Local da foto: restaurante em San Pedro de Atacama, Chile

Hamer Papaya
Contexto: depois de uma experiência relativamente feliz com um refrigerante de mamão, me empolguei e resolvi provar outro. E agora com embalagem e nome bizarro. A cor da bebida é essa mesma da foto.
Avaliação: não foi uma boa idéia “revisitar” o mamão. O Papaya Hamer tem um gosto meio indefinido e sem personalidade. Está mais para uma versão alternativa de Inca Kola do que para uma gaseosa de papaia da forma que eu esperava. Nota 2
Local da foto: rua em Arica, Chile

Kola Escocesa
Contexto: Segundo a propaganda, a tal da Kola Escocesa é “o sabor de Arequipa”. Como a cidade tem uma merecida reputação pela gastronomia, talvez o refrigerante fosse bom. Admito que o nome para lá de inusitado também me atraiu.
Avaliação: Antes mesmo de experimentar eu já tinha algumas reservas, porque aquela cor de groselha me lembrou a Fanta Morango, uma das experiências mais infelizes da Coca-Cola nos últimos anos (só para constar, eu estou no time dos que gostam, e muito, de Fanta Uva). A impressão visual não foi desmentida pelo paladar. A Kola Escocesa é uma versão peruana da Fanta Morango. Parece Tandy (aquela antiga pasta de dente para crianças e que "tem gostinho de chiclete") líquida e gaseificada. Artificial ao extremo. Nota 1.
Local da foto: lanchonete em Arequipa, Peru

Kola Inglesa
Contexto: É engraçado pensar que uma alternativa à Kola Escocesa é a Kola Inglesa. Fiquei pensando se não haveria uma Kola Irlandesa ou Galesa (piada horrível). De qualquer forma, essa possibilidade de comparar a Kola do William Wallace com a Kola do rei Eduardo I me levou a degustar a Kola Inglesa.
Avaliação: Ruim como a seleção da Inglaterra de basquete. Na verdade, é igualzinha à Kola Escocesa, que é ruim como a equipe de tênis da Escócia que disputa a Copa Davis. Aqui deu empate entre as Kolas britânicas. Aquele 0x0 bem sonolento. Nota 1.
Local da foto: quarto do hotel em Lima

Guaraná Backus
Contexto: Por mais que pensemos apenas no deserto ou nos Andes peruanos, 58% do território do país está na Amazônia. Como a Antarctica gosta muito de dizer, o guaraná é da Amazônia. Por isso, também pode ser considerado uma fruta peruana. E eles também resolveram transformar em bebida industrializada.
Avaliação: Decepcionante. Deu saudade de Guaraná Antarctica, Brahma, Schincariol, Kuat, Taí, Convenção e até do Simba boliviano. Na verdade, esse Backus é meio estranho. Não consegui descobrir se é um suco de gosto forte ou um refrigerante com baixíssimo teor de gás. Mas é ruim de qualquer jeito. Doce e aguado demais. Sem contar que a cor dessa bebida é muito estranha para quem está acostumado a ver aquele guaraná bege (ou champanhe, como preferem alguns). Nota 2.
Local da foto: restaurante/bar Estádio Futebol Clube, em Lima
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Também vale registrar um iogurte. Não chega nem perto do nível de trash de algumas das gaseosas, mas me dei ao trabalho de comprar, beber e tirar uma foto. Então, você se dará ao trabalho de ler, hehehe.

Yogurt Bebible Linda Suiza – Lúcuma
Contexto: Cheguei a Arequipa com a recomendação de experimentar os bolos da cidade. Provei um de chocolate com lúcuma. Gostei tanto que resolvi explorar mais a fruta típica da região. A idéia era comprar uma no supermercado, mas percebi que seria difícil comê-la diretamente (tem uma casca que parece dura e estava sem faca na bagagem). Então, tentei o iogurte. A única embalagem pequenina desse produto tinha cara de vaquinha, como você pode ver na foto. Paciência. Comprei assim mesmo.
Avaliação: Não é ruim, mas o bolo do dia anterior era muito melhor. Como iogurte, a lúcuma pareceu mais leitosa que o necessário. O gosto não ficou muito definido. Esperava mais. Nota 3.
Local da foto: Plaza de Armas de Arequipa
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As cores de algumas bebidas estão distorcidas por causa da cor do cenário em que foi feita a foto.
Posted by Furnari at outubro 8, 2004 01:56 AMUm grande clássico do RS é o Guaraná Cyrilla, feito em Santa Maria. É uma grande bosta, mais parece água com açúcar, mas com certeza deve estar milhas à frente da Kola Escocesa...
Posted by: Spuldar at outubro 8, 2004 08:32 AMNem deu. As únicas que realmente valeriam a pena "importar" eu consumi no meio da viagem e não dava para ficar 10 dias carregando-as para todo canto na bagagem.
Posted by: Ubiratan at outubro 10, 2004 01:59 AMUbiratan,
Se algum peruano provasse Dolly, Convenção ou algo assim qual seria a avaliação dele?
Posted by: Dárcio at outubro 11, 2004 08:21 PMBira,
esse Simba não é uma versão boliviana do Simba brasileiro? Ou seria o contrário!?
Só sei q existe um Simba brasileiro. É bom. No mesmo naipe de Convenção.
Bruno
Posted by: Bruno at outubro 15, 2004 03:49 PMBruno, o Simba boliviano também está no mesmo nível do Guaraná Convenção! Será que são a mesma coisa??????
Dárcio, o Convenção não é ruim. É trash, mas isso dá um charme para a coisa. O Dolly também, mas eles tinham de tirar aquela propaganda com o Kléber Bambam do ar.
Posted by: Ubiratan at outubro 18, 2004 01:39 AMcaramba, quanta bebida,
Posted by: André at outubro 24, 2004 09:52 PMNão entendo como algumas pessoas podem não gostar de Fanta Uva. Na minha preferência só perde para Sprite ou as sodas em geral. A propósito, falando em refrigerantes pouco conhecidos, em Abaetetuba, a 80 quilômetros de Belém, existe o Guaraná Amazônia. Tem pouco gás e um teor de açúcar um pouco acima do recomendado, mas servido bem gelado é uma beleza.
Posted by: Wilson Cremonese at novembro 4, 2004 06:43 PMPrezado Amigo Ubiratan,
Meu nome é Igor Menezes e sou o Gerente de Comércio Exterior da Santa Claudia Bebidas e Concentrados da Amazônia Ltda, empresa sediada em Manaus (AM), envasadora de mais um "guaraná da Amazônia" só que este é de fato da Amazônia. Achei sua página bastante interessante, principalemente porque a encontrei por acaso (estou fazendo uma pesquisa de mercado).
Como você parece ser meio que um gourmet de bebidas ou um enólogo de guaraná gostaria de saber se você aceita receber algumas amostras de nossos guaranás, a fim de ter suas considerações sobre os mesmos. Não se preocupe pois não há compromisso nenhum, nem é brincadeira, só gostaria de saber sua opinião.
Aguardo seu retorno,
Igor Menezes
Posted by: Igor Menezes at novembro 25, 2004 07:19 PM