abril 16, 2004

Lêidi Dai

Tô com tanto trabalho que prometo escrever coisas aqui e acabo não cumprindo em tempo hábil. O pior é que, quando paro para fazê-lo, já nem me lembro direito sobre o que escreveria. Bem, eu ia comentar alguma coisa sobre a transmissão da etapa carioca do Mundial de Ginástica, acho que era isso.

Não sou especialista na modalidade (longe disso), mas, por dever profissional, fui obrigado e estudar um pouco o assunto. Sem contar que foi uma coisa tão estapafúrdia que até um tomate descascado perceberia que quase toda a equipe da Globo estava perdida em rede nacional.

Sem saber o que falar, a transmissão insistiu no oba-oba. A coitada da comentarista era a única pessoa que parecia saber mais ou menos o que acontecia. O narrador, quando se limitava a descrever o que via, também não comprometia. De resto, era difícil agüentar tanto ufanismo.

Ninguém parou para falar que o nível técnico do torneio não foi dos melhores. Russos e romenos, entre alguns outros europeus, não estiveram no Rio para se preparar para o Campeonato Europeu de ginástica. Dar essa informação não desmerece algumas das conquistas brasileiras e é obrigação do jornalista. Mas preferem ficar quieto e inflamar o público, que já espera um batalhão de medalhas em Atenas. E, como bem disse o treinador da seleção Oleg Ostapenko, só a Daiane dos Santos tem chances. O Diego Hypólito, aliás, nem irá à Grécia competir, o que foi falado rapidinho, quase como se fosse um segredo.

E chegou a vez da Daiane dos Santos. Pelo pouco que entendo de ginástica, ela realmente é boa e os títulos que ela conquistou são importantes de fato, não torneios engana-trouxas. No entanto, ninguém lembrou ou quis lembrar que ela não é uma ginasta completa, pois só consegue ser competitiva no solo e no salto sobre o cavalo. Nesse aspecto, até a Daniele Hypólito é melhor.

Tudo bem, ficar só reclamando é babaquice, porque, perto do que o Brasil tinha há 5 anos, já está bom demais. O que também não justifica a falta de informação da transmissão. A apresentação da Daiane no solo foi boa, mas não justificou o ataque histérico de tanta gente, incluindo os jornalistas (não só os da Globo, quase todos os que fizeram alguma reportagem lá no Riocentro).

Logo após a rotina da ginasta, um repórter foi entrevistá-la ao vivo. Era evidente a falta de saber o que falar do cara. Insistiu em perguntas no estilo “e aí?”, “como é sentir o calor da torcida?”, “e aí?” (de novo!), “esperando o ouro?” e, para completar a trilogia, mais um “e aí?”. Foram dois minutos assim, até sair a nota dela, mais baixa que na fase de classificação, fato salientado pela própria Daiane.

Faltam quatro meses para as Olimpíadas. Serão quatro meses ovacionando a Daiane e criando uma expectativa enorme sobre ela. A gaúcha até é favorita, mas não é esse ouro certo que começam a pintar. Seria tão bom, para ela, se o futebol masculino tivesse uma vaga em Atenas... Pelo menos, captaria parte das atenções e da pressão pelo ouro.

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Só como lembrete, o Dream Team norte-americano só não perdeu o ouro no basquete em 2000 porque a Lituânia errou um arremesso no último segundo, o Sergei Bubka não passou da primeira fase no salto com vara em 1992 e o glorioso Baloubet du Rouet refugou no concurso de saltos em Sydney. Vai que a Daiane perde. Impossível não é.

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Desculpem-me se não dei o nome de ninguém no texto, mas, realmente, esqueci quem eram os jornalistas.

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Filmes de março. Salvo engano foi só o Paixão de Cristo, que eu já disse o que achei aqui. Se houve outro filme, acumula para abril. Falta tempo, falta tempo...

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Uma matéria do UOL (não achei o link) disse que a moda da playboyzada é ir para a balada com camisas de futebol. Quem me conhece sabe que sou precursor nessa arte (o que causava constrangimentos na época, mas eu fiquei irredutível até hoje). Por isso, não aceito que digam que faço isso pela moda! É algo ideológico! Gastar R$ 60 em camisa de futebol para coleção e não usar é um crime. Sem contar que é uma forma de homenagar times bizarros como o Vitória de Pernambuco ou o Bandeirante de Birigüi. Mas devo admitir que estou transtornado com a idéia de que posso estar andando na moda...

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Se há algum leitor do Balípodo passeando por aqui, peço desculpas pela falta de periodicidade da atualização. Semana que vem volta ao normal. Acho.

Posted by Furnari at abril 16, 2004 06:18 PM
Comments

Perfeito!!!, Ubiratan.
Concordo plenamente com o que diz a respeito da ginástica (principalmente sobre o ufanismo dos jornalistas brasileiros). Sou leigo também, mas o que me deixa sempre encafifado é o critério de notas utilizado pelo júri: 9,88889997; 9,999999; alguns 10 (poucos)... como eles conseguem esse nível de precisão????!!!! A Globo (e outros que estão fora dela - Luciano do Valle, por exemplo) é referência em ufanismo, confesso que muitas vezes até torço para o Brasil perder para ver a cara de bunda deles (de alguns atletas e dos jornalistas)...

Camisas de clubes, só compro em camelô... royalte zero!!!!
OJ Klótzs

Posted by: Olavo J Klótzs at abril 20, 2004 12:33 PM

... mais uma coisinha: por trás de uma pergunta idiota de um jornalista esportivo idiota sempre haverá um esportista idiota. Se esses caras (sempre subservientes à midia) dessem um chega pra lá nesses jornalistas eles calariam a boca e deixariam de fazer perguntas imbecis... Mas esses esportistas gostam de marketing e não têm coragem de mandar esses jornalistas às favas...

OJK

Posted by: Olavo J Klótzs at abril 20, 2004 12:37 PM

Olavo,

1) eu já parei de tentar entender nota de ginástica (ou de qualquer esporte de nota). O menina vai lá, cai toda torta e leva nota melhor que a otra que "pousou" direitinho. mas eu não entendo nada e vou ficar quieto antes de falar mais bobagem;

2) às vezes, eu até tento torcer a favor. Mas meu coração manda eu torcer contra. Ainda mais quando o Galvão narra. É impressionante...

3) o jornalista esportivo está despreparado e faz pergunta imbecil. O esportista se desacostuma a ser entrevistado de verdade e só dá resposta imbecil. E todos ficam felizes e imbecis. Certo tava o Piquet (naquela época, agora é pai babão do filhinho piloto): perguntou imbecilidade, não merece ouvir resposta.

Posted by: Ubiratan at abril 22, 2004 04:37 PM

Ah, já estava esquecendo:

4) já passei um pouco da fase de gastar dinheiro pesado em camisa de futebol. Até compro oficial, mas só as foras de linha no saldão do fabricante, por 30 ou 40% do preço da loja. Ninguém nunca me convencerá que o preço jsuto para uma camisa do Corinthians ou da seleção brasileira (a Nike abusa) é R$ 120 (ou algo por aí).

Posted by: Ubiratan at abril 22, 2004 04:40 PM

Diga-se de passagem, mais infame que o clima ufanista na cobertura da Sportv, só mesmo a execrável letra que fizeram para o "Brasileirinho" do Waldir Azevedo, e que foi executada (em todas as conotações possíveis da palavra) na cerimônia de encerramento da Copa do Mundo de ginástica do Rio.

Posted by: Inagaki at maio 3, 2004 10:38 PM

Cara se eu fosse voce parava de escrever tanta besteira, não acredito que ainda tem babaca que te lê... E NAO VENHA ME CRITICAR PQ VC DEVE SER UM ZE DA NET, ENQUANTO EU SOU FORMANDO EM JORNALISMO NA USP...

Posted by: Pharknon at maio 14, 2004 11:36 PM

Caro sr. Formando da USP,

1) em nenhum momento eu citei o nome de ninguém. Se você se sentiu ofendido, deve ter seus motivos.

2) se você é tão bom assim por ser fomando da USP, deveria ter uma postura mais inteligente ao receber críticas. Mesmo que fosse a de ignorar o crítico. Partir para a briga com argumentos baixos é feio...

3) se você é tão bom assim por ser formando da USP, deveria verificar quem são as pessoas antes de julgá-las. Se você põe um comentário como "civil", pode falar o que quiser. Mas, no momento que vem se gabando por ser estudante de jornalismo da ECA, deveria tomar mais cuidado.

Ass.: Zé da Net

Posted by: Ubiratan at maio 15, 2004 02:42 PM
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