Minha ausência não é ressaca de carnaval, hehehe. Nem dor de cabeça por essa campanha ridícula do Corinthians, porque eu não esperava nada mesmo e estou, por enquanto, conseguindo abstrair. Infatti, ho molto lavoro da fare e non trovo tempo per scrivere qualcosa in questo sito.
Então, com uma semana de atraso, vai o pequeno relatório dos filmes de fevereiro. Como já faz um tempo, há detalhes que eu acabei me esquecendo (foi mal aí). É uma lista pequena porque, ao contrário do que ocorreu em janeiro, fevereiro não foi um mês com tantos filmes bons em cartaz. Fazer o quê?
1) Confissões de uma Mente Perigosa (Confessions of a Dangerous Mind)
Na verdade, esse filme eu vi em vídeo em janeiro, mas me esqueci de colocar no texto de janeiro. Estava meio cansado no dia em que vi essa produção e isso pode ter afetado minha opinião. De qualquer forma, o filme não é ruim, mas está longe de ser bom. Tem umas coisas legaizinhas, mas parece que nunca começa direito. Falta alguma coisa.
2) Mestre dos Mares – O lado mais distante do mundo (Master and Commander – the far side of the world)
Bom e bem feito, mas não vai ficar para a história. Vale a pena pela ótima atuação do Russell Crowe e cenas de batalhas navais muito bonitas. Deu a sensação de ser bem realista (não vou falar que é realista porque, afinal, nunca estive em uma expedição da marinha britânica do século XVIII). Por fim, é estranho ver o hobbit Pippin como tripulante em um navio setecentista.
3) Peixe Grande (Big Fish)
Para quem é ou em breve será pai (o que NÃO é o meu caso ainda) é um excelente programa. Sensível, bonito e divertido, o filme pode ser visto perfeitamente por uma criança – que terá uma interpretação própria da história, mas, dentro do contexto, é até capaz de ser a mais correta. O estilo de Tim Burton – com lendas, personagens estranhos e a Helena Bonham Carter – se encaixou perfeitamente com o enredo, o que apaga a má imagem deixada por ele após a nova versão de “O Planeta dos Macacos” (com o perdão do tracadalho, um mico de filme). Só não gostei mais de “Peixe Grande” porque uma garota deslumbrada ficava dando escândalo a cada cena, gritando quando o Danny DeVitto aparecia ou quando o Ewan McGregor fazia alguma careta. Argh!
4) Invasões Bárbaras (Les invasions barbares)
O filme é ótimo, mas falou-se tanto dele que eu esperava mais. A bem da verdade, eu não sei direito o que queria do filme e acho que nunca teria as expectativas atendidas. Bem feito para mim. Quem mandou esperar tanto tempo para ver um filme e só o fazer quando todo mundo já cansou de comentá-lo? O engraçado é que vi “Invasões Bárbaras” logo depois de “Peixe Grande”, e ambos são marcantes ao mostrar a relação pai-filho. Por uns dias confundia as histórias, o que é uma façanha mental minha, já que um não tem nada a ver com o outro.
5) Extermínio (28 Days Later)
Para quem não gosta de muitas cenas fortes, esse filme não é dos mais agradáveis. Quem faz muitas perguntas chatas para checar os mínimos detalhes de uma ficção científica (algo como “mas como é que isso acontece?”) pode ficar com interrogações no ar. Ainda assim, é um filme bem legal, pois mostra (de forma simples, é verdade) como o homem age na maioria das vezes em benefício próprio e como anda difícil conviver nesse mundo. Sem contar que é interessante ver uma ficção científica que se passa na Inglaterra. Ah, para variar, o nome do filme em português não faz muito sentido.
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Para ver o “Invasões Bárbaras”, voltei ao Espaço Unibancool. Lembrei-me da época da faculdade, quando eu tinha tempo para ir ao cinema no meio da tarde e, com a carteirinha de estudante, pagava apenas R$ 2 de quarta-feira. E, logo depois, lembrei-me de como aquelas salas são desconfortáveis e de visibilidade ruim. Não sei como tem tanta gente que gosta de ir lá, mesmo quando o filme está em outras salas.
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Hehehe

Olá,
Nossa, faz um bom tempo que nào apareço por aqui, mas o que quero te dizer é que não gostei do Mestre dos Mares porque notei que nas cenas de batalhas o número de figurantes aumentava muito, e mesmo com tantos mortos a tripulação nào diminuiu substancialmente... não sei se sou muito cri-cri ou se reparo um pouco além da conta. Ah é isso pronto falei, se cuida em breve passo aqui de novo.
Abraço.
Caro Ubirajara,
Tempos atrás você escreveu alguma coisa a respeito dos títulos dos filmes traduzidos (quando traduzidos) para o mercado nacional. Não me lembro a que conclusão você chegou (se é que chegou a alguma!!!). Tenho cá as minhas dúvidas: por que alguns são traduzidos outros não?; por que uns são traduzidos literalmente (mesmo não fazendo sentido algum)?; por que alguns são traduzidos, mas não literalmente, isto é, há uma valorização do sentido?; por quê??? Já que você é um especialista no assunto, além de ser jornalista, acredito que seria a pessoal ideal para dirimir essa dúvida cruel...
Ahn! cuidado com a grafia de DOSTOIÉVSKI, aliás passei o carnaval lendo esse clássico... é anormal???!!!...
OJKlótzs
Posted by: Olavo J. Klótzs at março 16, 2004 11:45 AMOlavo,
eu não tenho nada contra quem lê Dostoievsky no Carnaval. Só acho que muita gente vê isso como coisa típica de pessoas que não sabem se divertir. Aliás, é contra esse tipo de gente que eu estava reclamando. A grafia de Dostoiévski varia de acordo com o padrão usado para passar do cirílico para nosso alfabeto. Como, no Brasil, o normal é passar os nomes russos com final "vsky" com "Y", achei mais coerente manter isso em Dostoievsky. O uso do acento é aportuguesação, a mesma usada em Lênin e Stálin.
Quanto aos nomes de filme, só quis mostrar os padrões usados. E as distribuidoras buscam títulos que considerem mais atraentes para o público, por mais idiotas que sejam. Porque elas acham uns nomes melhores que outros é algo que deve ser perguntado a esse pessoal das distribuidoras, não a mim. E eu não sou nem nunca pareci ser especialista em cinema. Aliás, já deixei isso claro aqui algumas vezes.
Posted by: Ubiratan at março 16, 2004 09:12 PMUbirajara, você se engana. Existe uma regra para a transliteração do "cirílico" (russo) para o português (disse português, pois para o inglês é outra a regra). A letra final da palavra DOSTOIÉVSKI no alfabeto cirílico é representada pelo "i" em nosso idioma (no inglês se usa o "y" nesse caso, mas como estamos no Brasil...). De certo que a acentuação é um recurso que nós utilizamos para ajudar na pronúncia dessa e de outras palavras de idiomas que utilizam o alfabeto eslavo.
OJKlótzs.
Olavo, a transliteração não é uma regra, mas uma convenção. E não há apenas uma (a que você cita é uma bastante comum e até é a usada pela Folha, mas não é a única). Tanto que se vê vários nomes com duas grafias, como "Brezhnev" e "Brejnév". Nenhuma das duas está errada. Acho que o importante é ter parâmetros minimamente coerentes. Prefiro o "y" e a retirada do acento porque os russos, quando escrevem seus próprios nomes em nosso alfabeto, não usam "i" no final ou acentos.
Posted by: Ubiratan at março 19, 2004 02:14 AMUbirajara, regra ou convenção, utilizo a tabela de correspondências utilizada pelo curso de russo da USP. Quer melhor referência? Se encontrar alguma coisa traduzida do DOSTOIÉVSKI para o português com o tal "y", fuja!!!
OJKlótzs.
OK Olavo. Prometo prestar atenção nisso da próxima vez.
Posted by: Ubiratan at março 19, 2004 02:14 PM