fevereiro 03, 2004

Filmes do mês – janeiro

Essa é uma das coisas que eu poderia ter prometido para o 2004, mas não o fiz porque tenho sérias dúvidas se terei pique para continuar com isso. Nessa série (que fica com o auto-explicativo nome de “Filmes do Mês” enquanto não penso em nada mais criativo), vou falar rapidinho sobre os filmes que vi no mês (dã).

É uma forma de eu matar a vontade de escrever umas resenhas. Aliás, só não faço mais isso porque tenho preguiça e, em muitos casos, não em sinto apto a tanto. Fazendo desse jeito tosquinho dá, hehehe. A ordem é cronológica, pelo menos no que eu me lembro.

1) Simplesmente Amor (Love Actually)
Também conhecido como “aquele filme inglês em que o Rodrigo Santoro fala”. É uma coleção de romances bobinhos e despertou pouco entusiasmo (tirando as tietes do ator). Mas eu gostei, justamente por não encarar o filme como um romance. Para mim, “Simplesmente Amor” é um filme de Natal. Afinal, todas as histórias que compõe o filme acabam, de alguma forma, se ligando com o fato de ser Natal. Assim, a melação e “hipocrisia” (li isso em algum lugar) são mais perdoáveis. Melhor isso que aqueles filmes de crianças que quebram a descrença dos pais – provando que o Papai Noel realmente existe (básico) – e redescobrem o espírito natalino. Melhores coisas do filme: Hugh Grant, como Primeiro-Ministro do Reino Unido, dando umas cutucadas na política externa do Tony Blair e a relação do atual governo britânico com os Estados Unidos (só isso já valeria o filme), o Liam Neeson como padrasto sem jeito e ver o professor Snape, de Hogwarts, no meio de “trouxas”, como editor de uma revista.

2) 21 Gramas (21 Grams)
Já se comparou a experiência de assistir esse filme a tapas na cara, socos no estômago, chutes nos Países Baixos, facadas no ombro, chicotadas nas costas, tiros no pé, carrinhos do Márcio Nunes e outros tipos de agressão. O pior é que é verdade. O espectador fica meio chocado depois do filme. Quando as luzes se acendem, todos parecem meio desnorteados, procurando o chão. E tudo baseado na direção, no roteiro e na atuação impecável dos 3 protagonistas (Sean Penn, Benício Del Toro e Naomi Watts). Nada de cenas nojentas ou que causem aflição. Excelente.

3) A Última Noite
Esse eu vi em vídeo e, claro, isso sempre prejudica um pouco. Para quem não associou o nome à produção, “A Última Noite” é o primeiro filme do Spike Lee depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. Também é conhecido por ter um protagonista branco (Edward Norton), coisa rara na carreira do diretor. O filme homenageia Nova York, mas o faz de forma nada piegas ou ufanista. Mostra como caçar culpados não é a saída para os nova-iorquinos e coisa e tal. Não mudou minha vida, mas foram R$ 4,50 (sem contar o preço do milho para a pipoca) bem gastos para uma noite.

4) Adeus, Lenin (Good Bye, Lenin)
Fiquei chateado quando vi que “Adeus, Lenin” não estava entre os indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Merecia. O legal desse filme é que fala de política sem que o espectador perceba. Várias informações e elementos que mostram o processo de unificação alemã são apresentados sutilmente, dando base para uma comédia. Nesse aspecto, se assemelha a outras produções, como “O Filho da Noiva”, que usa como cenário a crise da classe média argentina. Espero que essa onde de filmes políticos menos declarados, mas tão informativos quanto, fique por um bom tempo.

5) Sobre Meninos e Lobos (Mystic River)
Olha, eu não gostei muito, não. Falaram um monte, filme do ano, aquelas coisas de sempre. Eu achei bonzinho. A relação dos três personagens principais (Tim Robbins, Sean Penn e Kevin Bacon) é legal e os três merecem o reconhecimento. Mas não achei nada demais a parte policial da história. Sei lá. Esperava mais.

6) Encontros e Desencontros (Lost in Translation)
Quem foi à Bienal de Arquitetura de São Paulo em 2003 deve ter visto um vídeo no estande de Tóquio. É um filme espetacular, muito bonito (o vídeo, a cidade nem tanto) e bem feito. O espectador se sente um nada perto da grandiosidade urbana da capital japonesa. Quem viu esse vídeo entende a sensação do Bill Murray e da outra mocinha (esqueci o nome) ao ficar uma semana em Tóquio. Tudo é muito diferente e grande, parece hostil. Tenho curiosidade para conhecer a cidade, mas deve ser algo muito bizarro. E, talvez, um pouco desolador. É disso que se tirou uma comédia e um filme de amizade bem interessante.

*

Aliás, “Encontros e Desencontros” é um exemplo de como a tradução dos nomes de filme é cretina no Brasil. Termo chavão que não dá personalidade alguma ao filme. Sem contar que “Lost in Translation” passa bem o espírito da história.

Posted by at fevereiro 3, 2004 12:19 PM
Comments

Porra, você só vê filme cabeça!!! Vai ver uns filmes mais dementes (tipo Todo Mundo Em Pânico) para a gente saber o que você achou!!! :P

Posted by: Rodrigo at fevereiro 4, 2004 01:38 PM

Bira, é engraçado como o filme "Love actually" (e não "actually love" como tu escreveste) é encarado de maneiras diferentes em dois países diferentes como Portugal e o Brasil, aqui é apelidado de "o filme em que a Lúcia Moniz diz uma frases e ainda por cima em Português!!!!"

Eu gostei do filme, mas achei que o povo português foi caricaturado de uma forma muito negativa... o que se há-de fazer... as Portuguesas hão-de ser sempre gordas e com pelos nas ventas!

Posted by: Teresa at fevereiro 9, 2004 02:17 PM

Esqueci-me de uma coisa, aqui o filme a última noite chama-se a última hora. Mais um problema de tradução.

Posted by: Teresa at fevereiro 9, 2004 02:20 PM

Teresa, obrigado pelo toque. Já corrigi o nome do filme lá. Mas não reclame da forma como os ingleses estereotiparam os portugueses. Se o filme fosse brasileiro, haveria uma boa chance de a imagem do português ser mais caricata ainda. De qualquer forma, fiquei curioso para saber como o Colin Firth aprendeu uma língua em 3 semanas. Ainda mais uma língua complicada como o português.

Posted by: Ubiratan at fevereiro 9, 2004 03:32 PM

É verdade também fiquei surpreendida, até que não falou mal!

Posted by: Teresa at fevereiro 12, 2004 11:37 AM
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