Por que, no cinema nacional, há tanta comédia que retrata as confusões e reflexões amorosas de jovens independentes da classe média-alta carioca representados por atores e atrizes globais? Pensando rápido, me lembrei de “Pequeno Dicionário Amoroso”, “Avassaladoras” e o ainda em cartaz “Sexo, Amor & Traição”. “Os Normais” está mais ou menos dentro desse perfil, mas não completamente. Ainda assim, tenho certeza que teve muita produção que eu esqueci e não estou com paciência de pesquisar agora.
Fica óbvio que são tentativas de repetir a “Comédia da Vida Privada”. Mulheres teorizando sobre homens, homens teorizando sobre mulheres, casais se atrapalhando na hora da conquista e diálogos cheios de jogos de palavras. Porém, as produções cinematográficas são muito mais fracas e repetitivas, além de menos surpreendentes, que a série criada pelo Luís Fernando Veríssimo.
O pior é que, no cinema nacional, esse tipo de comédia se tornou uma referência. Como se o Brasil (e o humor brasileiro) se limitasse ao Rio de Janeiro e a jovens bonitinhos e de vida emocional não tão resolvida tentando encontrar sua cara-metade. Ainda temos outros modelos, como o “Auto da Compadecida” e “Lisbela e o Prisioneiro”, mas as “comédias da classe média-alta carioca” já parecem exercer um certo domínio. Inclusive nas bilheterias (claro, concorrer com galãs e mocinhas globais é covardia).
Que fique claro que o problema não é o Rio de Janeiro em si. É verdade que irrita o domínio cultural dos cariocas sobre o resto do país – como irrita o domínio econômico paulista e o de comediantes cearenses – e um filme como “O Homem que Copiava” (que se passa em Porto Alegre) merece crédito, mesmo mantendo os globais de praxe no elenco.
O que incomoda é a repetição de história. Não agüento mais saber que boa parte das comédias brasileiras tem a cena de duas mulheres fazendo jogging no Leblon, conversando sobre os homens. E um homem dando dicas de conquista para o amigo em algum boteco com mesa de bilhar. Será que é só na vida amorosa que se encontra situações engraçadas? Será que não se tira piada alguma das relações de trabalho, do convívio entre pais e filhos ou de qualquer outra coisa?
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No cinema norte-americano há zilhões de comédias românticas iguaizinhas. Mas a indústria cinematográfica da terra do Dale Hersh é muito mais prolífica que a nossa e há zilhões de filmes de qualquer gênero por lá. O Brasil, pela pequena quantidade de filmes produzidos, deveria evitar repetições de fórmulas.
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E não venham me falar que o cinema nacional precisa de dinheiro e, por isso, parte para fórmulas mais comerciais. Achar que não se pode inovar e atrair público é se render à própria falta de criatividade.
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Na última semana morreu a holandesa Fanny Blankers-Koen. Ninguém aqui no Brasil falou muito sobre isso, mas qualquer mulher que pratica atletismo de forma profissional deve muito a ela. Aliás, se as pessoas tivessem uma mente menos fechada, ela seria um ícone do movimento feminista em todo o mundo (acho que é em alguns lugares, a bem da verdade). Ela não rasgou sutiã, tampouco falou de sexo abertamente. Ela simplesmente mostrou que as mulheres eram tão capazes quanto os homens.

Excelente seu post sobre os filminhos cariocas, Bira! Tô contigo e não abro.
Posted by: Vivi at fevereiro 1, 2004 09:01 AMSem contar, Bira, as séries televisivas. Como o próprio "Os Normais" e a "Sexo Frágil", que segue a mesmíssima linha...
Posted by: Bruno at fevereiro 2, 2004 08:51 AM