janeiro 12, 2004

Promessas para o ano

Ninguém deveria fazer promessa de Ano Novo. Pelo menos não do jeito que se costuma fazer. Afinal, as pessoas, quase sempre, usam o reveillon como incentivo para atitudes que elas deveriam ter sempre, como comer algo mais saudável, parar de fumar, manter mais contato com os amigos, fazer dieta, se dedicar mais aos estudos, fazer mais exercício, não se deixar dominar pelo trabalho, não assistir à televisão aberta de domingo, essas coisas.

Vejamos, se a pessoa precisa do uma mudança de calendário para decidir fazer isso é porque, no fundo, ou não precisa tanto, ou não quer. E, por isso mesmo, quase nenhuma promessa de Ano Novo dura até dezembro. Fazer mais exercício (o que, para mim, significa caminhar e jogar mais futebol), comer coisas mais saudáveis e trabalhar menos já estão subentendidos sempre e, se a pessoa não faz (como no meu caso), é porque não tem vergonha na cara ou força de vontade suficiente, nada a ver com Ano Novo ou não.

Por isso, acho que as promessas deveriam ser diferentes. Coisas que mostrem uma mudança conceitual. Nada de melhorar minha vida. Mas pequenas coisas que não fazem diferença, mas mostram uma mudança de atitude (mesmo que algumas sejam para pior). Por exemplo:

1) Fazer a barba com mais freqüência
Não vai fazer a mínima diferença, mas não custa nada.

2) Não mandar tantos e-mails para todo seu catálogo de endereços
Pô, tem um monte de gente que recebe esses e-mails (em geral, piadas ou correntes) e não têm nada a ver com o assunto.

3) Mudar o papel de parede do Windows
No meu caso, uso uma foto de satélite do pôr do sol na Europa. Linda, linda. Mas quero colocar uma dos Simpsons de novo. Só que sempre me esqueço. Agora, em 2004, não escapa.

4) Não chegar com sono nas reuniões
Na verdade, o sono das reuniões não tem a ver com você, mas com as reuniões. Mas é importante fazer a sua parte.

5) Parar de insistir com a rádio que só toca porcaria e ouvir mais CD
Rádios rock-pop (principalmente a 89 e a Mix) só tocam porcarias. A Kiss ainda é exceção, mas caiu bastante nos últimos tempos. Por que dar audiência para elas na esperança ingênua de pegar uma música boa? O melhor é pegar um CD e ouvir de novo. Mesmo que você já tenha enjoado (eu já enjoei das músicas da rádio também), até porque faz valer mais os R$ 30 gastos no disco.

6) Evitar contar as mesmas histórias várias vezes para as mesmas pessoas
Nem sempre dá para evitar, mas dá para tentar, né mesmo?

7) Ter consciência que seu time é uma droga e não esquentar a cabeça com futebol (essa é para palmeirenses, corintianos e todos os cariocas)
O Palmeiras continua com aquele time que só foi bem porque era na Série B. O Corinthians acha que Régis Pitbull e Marcelo Ramos vão resolver. O Flu quer reeditar a dupla Romário-Edmundo, agora na categoria masters. O Fla quer inovar trazendo africanos. E o Vasco manteve o Eurico. Ainda bem que é ano olímpico.

8) Lembrar que o celular não é um tamagoshi, você não precisa verificar a cada 15 minutos se ele está bem (não vale, óbvio, para quem usa o aparelho no trabalho)
Deixem o celular quietinho! Se acontecer alguma coisa, ele se manifesta. Para que testar as musiquinhas, olhar a cada 5 minutos se alguém deixou um recado, tratá-lo com mais carinho que um bicho de estimação?

9) Não ver o Big Brother
E não discutir, não levar a sério, não votar no site da Globo.com, não fazer nada ligado ao programa. Quem sabe se, com baixa audiência, nós não temos um 2005 mais feliz.

10) Ignorar o Galvão Bueno nas Olimpíadas
Jogo da seleção tem monopólio da Globo e fica mais difícil evitar, a não ser que liguemos o rádio. Mas, nas Olimpíadas, um monte de canal promete transmitir. Então, não custa prestigiar um pouco o pessoal da ESPN Brasil ou da Sportv (nesse último caso, quando o Galvão não aparece, claro).

*

No final de 2003, a Kiss FM (rádio de rock dos anos 60, 70 e 80) organizou mais uma versão do top 500 de “classic rock”. Os ouvintes votavam pelo site. Cheirou a picaretagem. Ou alguém votaria em “Miles Away” do Winger (uma das tantas da propaganda do cigarro Hollywood), entre as melhores de todos os tempos? Por isso, uma 11ª promessa: não levar mais a sério eleições e rankings.

Posted by at janeiro 12, 2004 12:27 PM
Comments

Olha, Miles Away até merece entrar num top 5000 do rock farofa. O problema é o naipe das pessoas que votam em listas como essa.

Posted by: Pablo at janeiro 13, 2004 10:03 PM
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