Peguei o caso no meio do caminho, já que tudo aconteceu enquanto eu estava viajando. Ainda assim, não deu para evitar a notícia do assassinato dos dois estudantes que foram seqüestrados em Taboão. Bem, é lamentável qualquer morte, independente das circunstâncias e de quem tenha sido a(s) vítima(s).
Mas uma coisa que me irrita é essa mania de parte da imprensa transformar qualquer coisa em matéria comportamental. Bem, eles mentiram para os pais para poderem passar o fim-de-semana juntos. Zilhões de namorados fazem isso todo dia. Só que esses dois, quando voltaram para a casa, foram assaltados e, depois, seqüestrados. O que o fato de eles mentirem para os pais tem a ver com isso?
Tá certo, se eles obedecessem aos pais, não estariam ali naquele momento. O que não significa que os criminosos não pegariam outras pessoas pelo caminho. O casal apenas teve o azar de estar no lugar errado na hora errada. Se não fosse os desobedientes, seriam outras pessoas, que talvez obedecessem aos pais. Por isso, o problema não foi de comportamento adolescente (apesar de algumas imprudências por parte do casal), mas de violência urbana. É isso o que deve ser discutido (eternamente se for necessário, pois o problema é sério).
Mas parte da imprensa não vê assim, já que matéria comportamental vende revista e dá audiência na TV. Daí, um caso de violência urbana vira problema de conflito pais e filhos. E o foco real da discussão novamente se perde.
Desejo, de verdade, que nenhuma revista semanal saia esse fim de semana com alguma capa do tipo “O que fazer para melhorar a comunicação com seu filho?”, com os subtítulos: “Caso de estudantes em São Paulo coloca em voga a discussão de até onde os pais devem controlar o que fazem seus filhos. Especialistas dizem blá-blá-blá. Como saber onde termina o controle e começa o cerceamento da liberdade”.
Mais importante é seguir na tentativa de descobrir meios de diminuir a violência urbana o Brasil. É assim que novos casos como o desse casal não se repetirão.
Posted by at novembro 13, 2003 09:49 PMBira,
tarde demais. A Revista da Folha vai sair com uma reportagem cujo tema é... "Como criar filhos em meio à violência urbana".
Se tem ou não a ver, eu não sei, mas é um grande coincidência com o assunto preferido do (pouco sensacionalista) Datena nos últimos dias.
Abraço,
Bruno
Foi assim também com aquele garoto que fugiu de casa pra virar guerrilheiro e resolvem então questionar se a internet faz bem ou não, se os pais devem controlar o que os filhos acessam...
Posted by: Misson at novembro 15, 2003 06:51 PMRealmente o fato de eles terem mentido não justifica o assassinato. A frase mais comum que ouvi após o ocorrido foi de que se o casal não mentisse, não estariam mortos. Em parte é verdade, pois os pais teriam sentido a falta deles logo no primeiro dia do desaparecimento. Mas está bem claro que o assassino não os matou por serem mentirosos, mas sim pelo fato de ser completamente maluco. Como a primeira história gera ainda mais história, a lógica é de que a mídia vai usar a qual der mais, digamos, ibope. É o famoso sensacionalismo em ação, mais uma vez.
Posted by: Dailoke at novembro 17, 2003 06:47 PMSinceramente não sei por que tanto alarde em relação a esse crime. Morre muito mais gente de forma muito pior todos os dias. Basta morrer uma rica e judia que o bicho pega. Antigamente a imprensa sensacionalista arrumava melhores cadáveres para devorar.
Posted by: artur at novembro 19, 2003 09:20 PMUbirajara, o que pegou foi a tal da maioridade penal. Se bem que o papo-furado de relacionamento pais e filhos também esteve em voga, mas a discussão sobre a maioridade penal é que ficou.
Concordo com o Arthur, todos os dias temos crimes, e até piores. Mas os datenas da vida estão aí para isso...
Artur e Klótzs, concordo com vocês. Aliás, como disse, é parte da imprensa (e não vou repetir qual parte, vocês já o fizeram com propriedade) tem essa mania de fazer matéria comportamental ou sensacionalista. De violência mesmo (aquela que é mais dura de vender, aquela que ocorre todo dia na periferia), ninguém quer falar. Se for para falar, é fazendo auê, sem analisar nada (alguém falou em Datena?).
Posted by: Ubiratan at novembro 20, 2003 10:58 AM