Para mim, biografia tem de ter começo, meio e fim. Por isso, só leio esse tipo de livro quando fala sobre uma pessoa que: a) já morreu; b) já concluiu boa parte de seu ciclo, seja ele pessoal, profissional ou algum outro qualquer; ou c) terminou uma etapa importante de sua vida, o que justificaria uma obra.
Biografias que falam sobre pessoas que ainda estão no meio de sua trajetória soam como oportunismo editorial e mercadológico. Não vou generalizar e dizer que é sempre assim, mas muitas vezes é. Só isso justifica o fato de se lançar, por exemplo, um livro sobre a vida de gente como (exemplificando hipoteticamente) Gisele Bündchen, Guga ou Julian Casablancas, dos Strokes.
Essa gente toda, por mais que já tenha destaque, ainda tem muito por fazer, pelo menos em tese. Assim, uma biografia poderia ser absurdamente incompleta, pois ignoraria alguns dos principais anos da vida dessas pessoas. É o caso de quem comprou uma biografia do Arnold Schwarzenegger logo após ele terminar sua carreira como fisiculturista. Esse livro (que nem sei se existe) não teria a fase de fama hollywoodiana e, agora, sua passagem no (hahahahahaha) governo da Califórnia.
Estou falando isso para explicar porque nunca quis ler a biografia do Ronaldinho Cascão (Ronaldo – Glória e Drama no Futebol Globalizado). Quando o livro foi lançado já me cheirou a oportunismo, principalmente porque tentava (ao que tudo indica) aproveitar a empolgação pós-Copa de 2002 para vender. Pô, o cara ainda tem duas Copas pela frente, uma passagem por um super-Real Madrid, o tal recorde do Pelé para tentar quebrar etc e tal! É óbvio que essa biografia, daqui alguns anos, será falha. A não ser que ela tivesse uma proposta diferente, como falar do período entre a Copa de 98 (e a convulsão) e a de 2002 (com os dois gols na final). Aí, sim. Com esse tipo de proposta dá para ter um começo, meio e fim delineados e justificados.

Como não tem, achei a obra fora de propósito. Se não bastasse isso, nunca morri de amores pelo atacante, a capa é perturbadora (com a careca transformada em bola, parece, na verdade, que fizeram uma lobotomia no atacante) e o nome é bem babaca, com uma razoável dose de chavão ("drama e glória") e conceitos genéricos ("futebol globalizado").
Por tudo isso, fiquei um pouco aliviado ao ler essa resenha no site Trivela. O pouco de peso na consciência pela desinformação voluntária à qual me colocava sumiu. Agora, biografia do Cascão, só quando ele encerrar a carreira.
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Bem, dei minha reclamada, mas devo dizer que não acho totalmente ruim que tais biografias existam. Por mais oportunistas que sejam, movimentam o mercado editorial e podem incentivar algumas pessoas a lerem. É só não fazer biografia do Gugu, da Hebe e do Alexandre Pires.
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O pessoal que pediu a inclusão de novos personagens sobre o trânsito paulistano pode ficar tranqüilo. Quando eu juntar mais 10, eu faço uma terceira parte da série, incluindo aí os tão pedidos japoneses. Sem o mínimo corporativismo étnico.
Posted by at outubro 13, 2003 12:07 AMBira,
essa tal "movimentada no mercado editorial" é beeeeem discutível, não?
Pra mim é quase a mesma coisa que dizer que o mercado para publicações jornalísticas está bom só porque a "Tititi" e a "Contigo" estão vendendo bem.
Só concordo se vc estiver se referindo à via indireta. Ou seja, grandes editoras lançam selos populares para sustentar momentaneamente a "parte séria" do negócio. Aí pode até ser que movimente alguma coisa.
Abraço,
Bruno
Obs: Aguarde novidades do meu blog.
Posted by: Bruno at outubro 14, 2003 11:37 AMAe, Bira, nosso único visitante esporádico! hahaha Blz? Então, pensa bem. Se o Gugu, o Alexandre Pires e a Hebe tiverem uma biografia, temos 3 opções: a-) algum deles terminou a tal etapa da vida b-) concluíram boa parte do seu ciclo (aposentadoria, alguém?) ou c-) eles morreram!!! Ou seja: se um dia aparecer uma biografia dessa laia, temos 2/3 de chances de vê-los fora de circulação, sendo um 1/3 de chances de rolar uma morte nessa história toda. Abraço!
Posted by: Um perdido at outubro 27, 2003 04:04 PM