agosto 27, 2003

Umas bobagens sobre tênis

Eu nunca fui um grande entendedor de tênis, mas acho necessário falar um pouquinho sobre o Pete Sampras. E eu nunca torci para ele, pelo contrário. Afinal, ele é norte-americano e, de birra, evito torcer para norte-americanos em competições esportivas (eles já ganham tanto, o que custa deixar um lituano ou um belga terem contato com a gloria eventualmente?). Porém, devo admitir que ele jogava muito.

Seu domínio nas quadras foi tão grande que muitos se precipitaram dizendo que o tênis estava chato. Não estava. O problema é que nem todos percebiam que aquele jogador se tratava de um dos melhores de todos os tempos (não vou falar que era o melhor porque nunca vi Bjorn Borg, Joe McEnroe, Ilie Nastase, Rod Laver, os mosqueteiros franceses e tantos outros históricos na ativa). Era mais fácil dizer que o jogo de saque-voleio estava matando o esporte e que era mais divertido ver o feminino, sem tanta força física.

Os mais apressados ainda falavam (mesmo que de forma velada) que o Sampras só vencia porque sacava forte. Bobagem. O saque do norte-americano nunca se caracterizou apenas pela velocidade, como o de Goran Ivanisevic, Richard Krajicek, Greg Rusedski ou Mark Philipoussis. Sampras sacava forte, realmente, mas havia uma enorme dose de técnica no golpe. O principal não era a força, mas o efeito que a bolinha ganhava e o local aonde ela ia. Isso que tornava seus saques tão mortais. Aliás, basta comparar os resultados de Sampras com o dos outros 4 tenistas citados para ver a diferença.

Além disso, Sampras era muito bom no jogo de tênis em si. Não tinha a paciência quase oriental de um Albert Costa (que é capaz de ficar 5 anos trocando bolinhas no saibro antes de resolver decidir o ponto). Era mais agressivo, claro. Esse era seu estilo. Mas sabia como tirar o adversário da quadra ou achar um local impensado para dar uma passada. Um exemplo ainda claro disso na minha cabeça foi o jogo de duplas de um duelo Estados Unidos x Austrália pela Copa Davis (não me lembro do ano). Naquele dia, o Sampras ganhou quase sozinho da dupla que liderava o ranking mundial (Woodford e Woodbridge).

O fato de não se sentir confortável com as trocas de bolas no fundo de quadra, típicas do saibro, criou o preconceito no Brasil de que ele não tinha tanta técnica. Afinal, o tenista brasileiro é especialista em saibro e decanta a técnica necessária para ganhar nesse piso, como se ganhar no concreto fosse coisa de trogloditas. Outra bobagem. Ele nunca ganhou em Roland Garros e admite que gostaria muito de tê-lo feito (o máximo foi uma semifinal). Isso não o descredencia, até porque um atleta não deve ser julgado apenas por ter ganhado campeonato X ou Y, mas por tudo o que fez.

Em 1997, passei um mês na Inglaterra e decidi ver um dia de competições em Wimbledon. Era rodada do feminino, mas, para minha sorte, havia chovido no dia anterior e pude ver uma partida adiada do masculino. E vi uma grande partida entre Sampras e o raçudo tcheco Petr Korda. Sampras venceu o 1º set por 6-4 (esse eu não vi, pois ocorrera no dia anterior, antes da chuva). Depois, o norte-americano repetiu o placar. Daí, o tcheco (que ganharia o Aberto da Austrália meses depois e ficaria como nº 2 do ranking mundial) venceu dois sets no tie-break. E Sampras só garantiu a vitória no 5º set.

Ao vivo, é possível ver a frieza e precisão do cara. O Korda se matava indo de um lado para o outro, com mais precisão e menos simpatia desengonçada que o Meligeni. E o norte-americano ficava na dele. Errava o primeiro saque e, ao invés de apenas colocar a bola do outro lado no segundo saque, arriscava. E conseguia um ace. E assim foi o jogo todo. Óbvio que torci para o Korda (como quase todos os ingleses), mas foi difícil não reconhecer a superioridade do norte-americano. Se não me engano, ele foi campeão naquele ano, batendo o Cedric Pioline na final.

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Aliás, eu trabalho em uma revista de construção e digo para todos os jornalistas que, porventura, lerem isso aqui. O material das quadras de tênis é CONCRETO. Não existe quadra de cimento. Esse último é um pozinho cinza (como aqueles que se compra em sacos em lojas de material de construção) extremamente alcalino. Assim, se alguém quiser jogar tênis sobre o cimento vai se expor desnecessariamente a riscos de doenças respiratórias e dermatológicas. E gastar uma grana violenta na compra de cimento.

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Ninguém falou muito nisso, mas o Pan-Americano pode ter marcado o fim da carreira de dois tenistas. Bem, que o Meligeni parou de jogar todo mundo já sabe. O que poucos noticiaram (e eu só sei disso porque estava no Chile naquele dia e não paravam de falar desse assunto na TV) é que o Marcelo Ríos também cogitava abandonar o circuito após o Pan. É o típico cara que jogou a carreira pela janela. Ele era bom, chegando à liderança do ranking mundial sem vencer nenhum torneio do Grand Slam (se não me engano, foi o primeiro da história a fazer isso). Mas não gostava de treinar, brigava com tudo quanto era treinador e desistia das partidas se perdia um ou dois sets. Aliás, se Rios realmente abandonar a carreira, vai mostrar mais uma vez que não era muito chegado em tentar virar o jogo. Ele está decadente (está na casa dos 40 ou 50 do ranking), mas é novo e pode virar. O Agassi chegou ao topo e caiu para a 124ª colocação (se não me engano). Depois, levou a carreira mais a sério e voltou à elite.

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Os chilenos pareciam, de certa forma, magoados com “el chino”. Um dos maiores atletas da história do país, o tenista não se tornou uma estrela mundial por questões puramente pessoais. Imagino que os chilenos tenham apostado muito nele e estão decepcionados. Tanto que Fernando González é 14º do ranking mundial e eles nem dão muita bola. Sabem que bom mesmo era o Ríos.

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Ah, e para deixar bem claro, não tenho vergonha de dizer que prefiro o tênis masculino do que o feminino. Não é preconceito. Acontece que as partidas do feminino não costumam ser muito equilibradas. Só isso. Quando há equilíbrio (como no duelo Capriatti-Clijsters na final de Roland Garros de 2001, acho), assisto com a maior atenção. Só como exemplo, o Sampras x Korda que vi valeu mais que a soma de Jana Novotna x Yayuki Basuki e Arantxa Sáchez-Vicario x Natalie Tauziat, jogados logo depois naquele dia que estive em Wimbledon.

Posted by at agosto 27, 2003 02:24 AM
Comments

Ah, eu gostei muito da partida da Serena Williams com a Justine-Hanan na semifinal do Roland Garros desse ano. Eu tava crente que a negona ia ganhar, mas ela se desequilibrou totalmente e perdeu!

Posted by: Rosinha at agosto 27, 2003 07:13 PM

Bira, olha só. Mostrei o Balípodo pro Paulo Cesar Martin (editor da revista Crocodilo da Conrad, e apresentador do programa de rádio Garagem) e ele curtiu muito. Talvez role umas colaborações suas se nossa revista de futebol virar realidade.
MAnda ver, garooouto!

Posted by: Pablo at setembro 5, 2003 02:03 AM

Lamento a demonstração de desconhecimento do idioma ainda vigente no Brasil em sua manifestação. Recomendaria uma "descompostura" no dicionário de seu programa para que corrija o "conhecimento" da língua pátria. Quando lí àquela palavra (no seu dicionário parecem ser duas) "por ventura" em vez de "porventura", lamentei a facilidade com que certas opiniões são levadas ao público pela Internet sem qualquer cuidado com a língua portuguesa. O Dicionário Aurélio está aí para ser consultado e utilizado, em especial por àqueles que ao público levam as suas opiniões. Estas (as opiniões) certamente devem ser livres, mas o uso da correta grafia deve se fazer presente sob pena de atestar o desmerecimento à própria opinião advinda de quem sequer sabe a grafia correta do que escreve. Se esta mensagem lhe parecer inoportuna e sem sentido, o seu computador está certo. Tem o dono que merece. Ao contrário, troque seu dicionário por outro mais eficiente.

Posted by: sergio luiz gerhardt at janeiro 14, 2004 10:21 AM

Caro Sérgio, e eu lamento uma pessoa como você não ter a mínima boa vontade. O erro já não está mais lá. Pronto! É difícil? Agora, fazer um escarcéu todo por causa disso é ridículo. Descompostura foi da sua parte. Não comigo, mas com a língua que você tanto defende. Ou, no seu dicionário, "eu li" se conjuga "eu lí" (com acento) ou "em especial por àqueles" tem esse acento grave? Cara, errar sem querer todos erramos. Eu não olhei o dicionário. Como você também não olhou. Para quê tentar dar lição de moral? Ah, e um errinho besta como esse meu (e o seu também) não invalida opinião alguma (nem a minha, nem a sua). O que invalida a opinião é o conteúdo. De que adianta eu escrever um texto belíssimo para defender o racismo, por exemplo?

Posted by: Ubiratan at janeiro 14, 2004 11:36 AM

Garoto,
Você escreve bem, conhece tênis e tem personalidade. Parabéns. O Sampras´foi isso aí mesmo que você falou.
Abraço,
Odir Cunha

Posted by: Odir Cunha at janeiro 21, 2004 12:17 PM
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