julho 11, 2003

Argh

Depois de uns dias fora do ar por culpa do servidor norte-americano que a hospeda, essa página volta pegando pesado. É quase que um teste para comprovar a fidelidade do internauta ao Keep Talking. Tenho sérias dúvidas se alguém agüentará chegar ao final desse texto. Mas todos que falharem na tarefa estão perdoados. Eu mesmo só consegui botar tudo isso aqui porque não tive de escrever, chupinhei boa parte.

Enrolações à parte, o assunto aqui é sério. Aliás, não é sério, mas é sobre um cara que se leva a sério demais: Carlito Marrón. Para quem ainda não sabe, o indivíduo que acabei de citar é o mesmo que atendia por Carlinhos Brown até um mês atrás. Agora, o cara resolveu mudar de nome para (ai meu estômago) mostrar suas influências latinas. Ele ainda profere frases como “minha escrita não é coloquial dentro de um padrão clássico. É mais tonal, com resquício de dialetos, um tipo de sânscrito que carrega o português como base”. O curioso é que, mesmo “carregando o português como base”, ele nunca consegue achar um nome artístico nesse idioma.

Bem, agora é a hora do sofrimento. Os trechos abaixo são as descrições (seguidas de curtos comentários meus) do dito cujo a respeito de seu último CD, “Carlinhos Brown é Carlito Marrón”. Só selecionei os piores momentos. Aliás, vale lembrar que “Carlito Marrón é prejudicial à saúde”, pois grande exposição à suas divagações e pensamentos pode causar distúrbios mentais. Estou avisando porque não quero que o Ministério da Saúde também tire essa página do ar. Já bastam os norte-americanos revoltados.

CARLITO MARRÓN
“Queria traduzir meu nome de Carlinhos Brown a Carlito Marrón como uma forma de esclarecer as influências que tenho dos rumbeiros. Também queria agradecer a meu pai que cantou rumba para mim, a meu mestre que me ensinou a tocar os bongôs. Para eles fiz esta canção que fala de um menino sem futuro que encontrou seu caminho, seu mundo e sua companheira Merlita Monroe. Carlito Marrón não é Charlie Chaplin e Merlita Monroe não é Marilyn Monroe, mas falo do que significam para o inconsciente coletivo. Se estivessem aqui seriam mestiços, neo-hippies com mochilas na costa. Um casal super bonito. Comecei a desenvolver a canção e liguei para o Arnaldo Antunes: Estou com dificuldades com esta música, você gostaria de trabalhá-la comigo? Fui à casa do Arnaldo e a terminamos misturando português, yoruba e espanhol. Talvez portunhol, seja uma forma de dizer não à colonização equivocada, um anúncio de mudança.”

É interessante. Eles misturam palavras em várias línguas (e duvido que CM e Arnaldo Antunes falem yoruba) para fazer a música. Assim é mais fácil rimar e não precisa fazer sentido, já que ninguém vai entender. Percebendo que ficou ridículo, inventam toda uma história de Merlita e Carlito e uma tal negação de uma colonização equivocada.

AGANJU
“Compus esta canção como quando fazemos uma homenagem à amada. Não quis lhe dizer somente eu te amo; quis dizer aganju. Quero recuperar o sentimento da família que é o branco das guerras, dos problemas sociais. Creio que é necessário proteger mais a família e então digo aganju.”

Qual é o oposto de “aganju”? Bem, é isso o que eu sinto por você, CM!

I WANNA LU
“Queria fazer uma homenagem e um agradecimento à Espanha, mas não em tom menor, como no flamenco. Queria fazer uma canção em tom maior e que incorporasse toda a influência que tenho das músicas do mundo de uma maneira natural. Dizem que tem influência dos Beatles, mas eu não acho isso. Nunca tinha ouvido os Beatles e quando ouvi os odiei porque não tinham swing. Gostava muito mais de Renato e os Blue Caps, que faziam versões da música deles. Eram negros, tinham um gingado muito mais peculiar e pensávamos que eram os Beatles os que imitavam a Renato e os Blue Caps.”

Ainda bem que o próprio admite que os Beatles não têm culpa disso. Coitados.

BABY GROOVE
“É uma música que tentei fazer para não fugir totalmente da linguagem que temos na música popular brasileira, que vem da bossa nova, da música africana, do axé, de influências de todo o mundo. Decidi tocar eu mesmo o baixo, a bateria e as guitarras para que fosse absolutamente pessoal. Talvez seja a canção mais Brown do disco.”

...E talvez seja a pior canção do disco.

CLIMA QUENTE
“Necessitava unir Cuba e Bahia porque os baianos estamos apaixonados por Cuba e os cubanos da Bahia. Convidei Angá e Papi Oviedo para tocar as congas e o trio e todo o mundo se uniu experimentando e brincando: ‘Ei, Carlito Marrón!’ Experimentamos até conseguir este clima quente de verdade, feito por pessoas que nasceram nos trópicos e que trazem essa felicidade que vem do sol, que emana das águas, desses mares extraordinariamente belos que temos no trópico. É uma forma de dizer que o mundo pertence ao mundo, que quando na Europa faz frio vocês podem vir aqui para tomar um banho. Que a gente possa se divertir com esta canção que tem uma palavra chave: bailaquebonquiguala, baila que é bom que iguala.”

Que tal calaquecêsófalabesteira? Aliás, falar “o mundo pertence ao mundo” é como jornalista esportivo que diz “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”. Genial!

MY HONEY
“É uma canção de auto-estima que fala da vida, do positivo de viver. Simples de cantar, eu a terminei quando voltei da Espanha e mudei o estribilho pelo vale espanhol. Vale carnavale. Europa vai passar por uma carnavalização e eu vou estar ali. Quero ver as ruas européias e brasileiras cheias de gente se divertindo, encontrando-se, confraternizando e não apenas falando mal do governo e se queixando da sociedade. É necessário que a alegria abrace o mundo, que chegue às estrelas e não fique presa nas boates e nas casas. Necessitamos celebrar a felicidade porque creio que estamos super incomodados com as tristezas e as dores deste mundo.”

Vou celebrar a felicidade e o positivo de viver não lendo mais textos como esse... Não adianta, sou masoquista e vou continuar lendo essas coisas.

ALÁ A A
“É uma canção que pode significar a idade do momento. Deste momento em que os anglo-saxões parecem que estão contra Alá ou contra Deus. E não, não vejo isso. Creio que sentimos a falta da presença de um Deus, desse ser virtual mas que está na fé, no coração e na vontade de paz. É algo com o que se pode contar sempre e Alá A A tem isso: A opressão não acaba sem mudar o coração. Imagino um novo Cristo que venha de metrô, com outra idéia da evolução para a gente.”

Olha, não são os anglo-saxões que estão contra Alá ou Deus. É o governo norte-americano. Não generalize! Soa como preconceito invertido, falar que homem branco é mau e coisas do tipo. Ah, e se o novo Cristo vier de metrô, é bom ele ler o jornal antes de sair de casa. Talvez pegue uma greve pelo caminho. Daí ferrou tudo!

Bem, quem chegou até aqui, parabéns. Já deu para perceber porque o elemento conseguiu atrair apenas 12 pessoas em uma apresentação em São Paulo. Deve ter sido um dos momentos mais lindos da cultura brasileira nos últimos anos. Reza a lenda que ele ainda disse que só havia ido quem realmente gostava dele, hehe.

*

Aqui vai uma dica do amigo Vanza sobre as traduções de nomes de filmes (afinal, foi o texto com maior Ibope dessa página). É a versão lusa do “Homens Brancos Não Sabem Enterrar”. Essa os portugueses que me desculpem, mas não tem explicação aceitável.

Posted by Furnari at julho 11, 2003 03:32 PM
Comments

Aê Bira, voltando firme e forte!

Guentaí que já já eu arrumo o Keep Talking e o Balípodo. Como diria o Van Damme, retroceder nunca, render-se jamais!

Posted by: furnari at julho 11, 2003 03:58 PM

Bira,
o texto é mto longo mas eu li até o fim.
Ainda bem! Senão não teria visto a "pérola" lusa" Mto bom!

Posted by: Bruno at julho 11, 2003 04:18 PM

Bira, fui uma das resistentes que chegou até ao fim...
Já agora, em português diz-se encestar e não enterrar...

Posted by: Teresa at julho 12, 2003 07:58 PM

No Brasil também é encestar. Enterrar é outra coisa. É difícil descrever rápido, mas vai nesse link e verá (http://www.webshots.com/g/49/192-sh/13179.html). Mas ainda não vejo explicações para o meter...

Posted by: Ubiratan at julho 12, 2003 08:37 PM

QUERIA APENAS DIZER QUE VC NÃO PASSA DE UM IDIOTA, BURRO QUE SIMPLESMENTE NÃO CONSEGUE ENTENDER O QUE O GRANDE MESTRE "CARLINHOS BROWN" CONSEGUE DIZER.
GRAÇAS Á DEUS CARLINHOS NÃO PRECISA DO APOIO DOS BRASILEIROS PARA FAZER SUCESSO, POIS PESSOAS COMO VC NAÕ PASSAM DE ANIMAIS.
VC É BURRO, VC É IDIOTA, E O PIOR DE TUDO VC É UMA VERGONHA PARA OS BRASILEIROS.

Posted by: LINA VERONICA at outubro 22, 2004 03:08 PM
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