junho 10, 2003

Faculdades

Quem já concluiu o curso universitário pode nem ter percebido, mas domingo último foi dia de Provão. Fiquei um pouco inteirado do assunto conversando com os estagiários da redação. É incrível como certas coisas não mudam! No meu Provão (um dos primeiros para jornalismo, se não foi o primeiro), espalharam a lenda que a nota sairia no diploma. É uma mentira que perdura até hoje, quando já se discute a extinção desse mecanismo de avaliação.

Isso sem falar no boicote. Eu mesmo não sou um grande fã do Provão. Não o entreguei em branco por falta de capacidade dos alunos da minha faculdade para organizar decentemente alguma ação de desobediência civil pacífica. Mesmo assim, não me esforcei para ir bem. Há os que argumentam que instituições como a PUC (para quem não sabe, onde estudei) não precisam de uma boa nota do MEC para ter crédito diante dos estudantes, mas faculdades menos conhecidas teriam mais condições de mostrar um bom trabalho.

Discordo. Em boa parte dos cursos, a faculdade mostra sua qualidade no corpo docente, na infra-estrutura e, principalmente, nos profissionais que ela forma. Ganhar credibilidade é algo demorado, mas, como a educação universitária virou negócio, o que importa é o lucro rápido. O que acaba acontecendo? Algumas instituições fazem revisão preparatória para o Provão. Assim, os alunos podem nem ser tão bons para trabalhar nas carreiras para as quais estudam, mas estão tinindo para uma prova escrita sobre seu curso. É uma espécie de doping educacional.

Acredito que existam formas mais adequadas de melhorar o nível dos cursos universitários. A primeira é acompanhar as ações da instituição e ver que exemplo que ela dá para a sociedade. Ontem, uma universidade aqui de São Paulo deu o título de professora honoris causa para a apresentadora Hebe Camargo. Meu Deus!!!!!!!!!!! É motivo para cassar sumariamente o registro da instituição! Aceitaria se a homenagem fosse para o Sílvio Santos, para o Gugu... até para o Celso Portiolli. Mas para a Hebe não dá!

Depois tem gente que não sabe porque esse país não vai para frente.

*

Até pensei em colocar uma foto da (argh) Hebe recebendo o “diploma”. Mas não ia sujar meu blog com imagem tão nefasta.

Posted by at junho 10, 2003 10:03 PM
Comments

Pro Gugu e Celso Portioli também não! Mas o Silvio merece até dois honoris causa. Aliás, um monte de Zé Mané recebe esse título. Durante seu mandato, o FHC recebeu dúzias de Honoris Causa de tudo quanto é faculdade. Eu fico com o Homem do Baú!

Posted by: artur at junho 11, 2003 12:48 AM

Bira,

no site da UERJ diz o seguinte: "O título de Doutor Honoris Causa é concedido a personalidades que tenham grande importância nos âmbitos social, cultural, político, científico ou tecnológico, mas que não façam parte do quadro da Universidade."

Agora me diga, que importância a Hebe tem nesses tais âmbitos pra merecer o título?

Posted by: Bruno at junho 11, 2003 07:55 PM

Pô, a Hebe é uma gracinha. Já é o suficiente.

Posted by: Pablo at junho 12, 2003 02:05 AM

Poxa...

Eu lembro que eu vi o Aloysio Biondi recebendo título de Dr. Honoris Causa na Cásper... foi a única vez que eu achei aquela faculdade decente...

Posted by: Thiago at junho 13, 2003 07:08 AM

putz
nem silvio santos, nem gugu, nem celso portioli
sao todos da mesma laia da Hebe
pq essas pessoas deveriam receber alguma homenagem??
elas ficam ganhando dinheiro atraves da alienação do povo
PNC do silvio santos e pnc do roberto marinho

Posted by: thiagoHC at junho 24, 2003 11:07 AM
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